Bayinnaung, conhecido em português pelo nome transliterado Braginoco e em tailandês como Burinnaung, nasceu em 16 de janeiro de 1516 e se tornaria o mais poderoso soberano que a Birmânia já conheceu, aquele que unificou um reino fragmentado e conquistou territórios que nenhum rei birmanês havia controlado antes ou depois. Seu nome em birmanês, ဘုရင့်နောင်, significa literalmente "o irmão mais velho do Rei", e essa designação já indica a origem de sua ascensão ao poder: ele era cunhado do rei Tabinshwehti, fundador da dinastia Taungû, e ao seu lado cresceu em influência, habilidade militar e prestígio.
Bayinnaung nasceu com o nome Kyaw Htin Nawrata, ou Htin Kyaw Nawrahta, e foi o próprio Tabinshwehti quem lhe atribuiu o nome pelo qual ficaria famoso. Sob o reinado do cunhado, de 1530 a 1550, Bayinnaung consolidou sua posição como o mais capaz dos generais do reino e o homem em quem Tabinshwehti mais confiava para as campanhas militares que expandiram o poder da dinastia Taungû. Quando Tabinshwehti foi assassinado pelos Mons de sua própria corte em Pegu, em 1550, o reino desmoronou numa série de rebeliões e golpes. Bayinnaung perdeu o poder que havia acumulado e teve de começar do zero.
A reconquista da Birmânia foi um empreendimento de cinco anos de enorme persistência. Em 1551, Bayinnaung retomou Taungû e Prome, bases territoriais essenciais para qualquer projeto de reunificação. Em 1552 reconquistou Pegu, Martabão e Pathein, cidades cruciais da baixa Birmânia. Em 1555, coroou o esforço com a tomada de Ava, a antiga capital do reino, completando a pacificação do território central birmanês. A cada vitória consolidava sua legitimidade como soberano e seu controle sobre as rotas comerciais e as forças militares do país.
Com a alta e a baixa Birmânia reunificadas sob seu comando, Bayinnaung voltou seus exércitos para os principados Shan ao nordeste, regiões montanhosas habitadas por povos de cultura e língua distintas. Entre 1557 e os anos seguintes, submeteu Mong Mit, Thibaw, Yawnghwe, Mong Yang e Mogaung, ampliando o reino em direções que seus antecessores jamais haviam ousado. Em 1558 caiu Mong Nai e Chiang Mai, a capital do Reino de Lanna, abrindo o caminho para o controle da atual Tailândia do norte. Em 1563, o estado sino-tailandês de Mong Mao foi incorporado ao império em construção.
Naquele mesmo ano de 1563, Bayinnaung lançou a maior de todas as suas campanhas externas: o ataque ao Reino de Aiutaia, o Sião, a potência mais importante do Sudeste Asiático continental da época. A campanha encontrou resistência feroz, mas em 1569 o exército birmanês tomou a capital siamesa. Milhares de cativos foram levados para a Birmânia, e o Sião foi transformado em estado vassalo do reino de Taungû, submetido ao pagamento de tributos e à supervisão de governadores nomeados por Bayinnaung. O Sião só recuperaria a independência em 1584, sob Maha Tammaratchathirat I, após a morte do conquistador.
No fim dos anos 1560, viajantes europeus visitaram Pegu, a capital de Bayinnaung, e deixaram relatos detalhados da magnificência do reino. Cesar Fedrici e Gaspero Balbi estavam entre os que descreveram a cidade, a corte e a riqueza do soberano, registros que tornaram o nome de Bayinnaung conhecido nos círculos comerciais e intelectuais da Europa renascentista.
Nos anos 1570, Bayinnaung voltou as atenções para o reino de Lan Xang, o País do Milhão de Elefantes, no atual Laos. O rei de Lan Xang, Setthathirat, e os habitantes da capital Vientiane fugiram para a selva antes da chegada dos birmaneses, recusando-se a travar uma batalha aberta contra um inimigo de força muito superior. Bayinnaung perseguiu os fugitivos, mas se viu diante de uma guerra de guerrilha sem frente definida, num terreno selvagem onde seu poder convencional pouco adiantava. Sem obter vitória decisiva, foi forçado a recuar. Numa tentativa posterior, em 1574, retornou ao Laos e tentou restabelecer a ordem, colocando um soberano de sua escolha em Vientiane para reconstruir o reino sob tutela birmanesa. Em 1576, ainda precisou enviar uma expedição para reafirmar o controle sobre o estado Shan de Mogaung, que havia se rebelado.
Bayinnaung morreu em 10 de outubro de 1581, deixando um império vasto mas já sob pressão em suas fronteiras. No momento de sua morte, preparava-se para atacar o reino de Arracão, ao oeste. Seu filho Nandabayin assumiu o trono e herdou um poder imenso, mas também as tensões que a expansão desmedida havia gerado. Na Tailândia, Bayinnaung é lembrado através de uma canção popular chamada "Pu Chanah Sip Tit", que significa "Conquistador das dez direções", título que resume a imagem que as gerações posteriores construíram do soberano que estendeu seu poder em todos os pontos do horizonte geográfico e político de seu tempo.