Edward Gibbon nasceu em 8 de maio de 1737, em Putney, na Inglaterra, filho de uma família relativamente próspera que possuía uma propriedade em Hampshire. Filho único, perdeu a mãe ainda jovem e foi criado a partir dos dez anos por uma tia. A infância foi marcada por uma saúde precária que lhe impedia atividades físicas intensas, mas que, compensatoriamente, parece ter aprofundado sua inclinação para a leitura e o mundo dos livros. Esses primeiros anos de fragilidade física moldaram um homem que encontraria na escrita a forma suprema de ação no mundo.
Aos quatorze anos, o pai enviou-o para a Universidade de Oxford, esperando que o ambiente acadêmico orientasse o filho numa direção respeitável. O resultado, porém, foi inesperado: o jovem Gibbon começou a dar sinais de simpatia pela Igreja Católica, num contexto de acesas controvérsias religiosas em Oxford, onde os católicos tinham alguma influência apesar da repressão oficial. Para um cavalheiro inglês do século XVIII, a conversão ao catolicismo acarretaria consequências graves e duradouras, fechando portas em uma sociedade profundamente anglicana. O pai agiu com rapidez: retirou o filho da universidade e o enviou para Lausanne, na Suíça, para os cuidados do pastor protestante Pavilliard, que o acolheu como tutor privado.
Gibbon permaneceu em Lausanne por cinco anos, e esse período transformou profundamente o jovem inglês. Ele aprendeu francês com fluência, absolveu a cultura intelectual do continente europeu e voltou ao protestantismo, convencido pelos argumentos cuidadosos de seu tutor. Em suas memórias, reconheceu a dívida de forma memorável: "Qualquer que tenha sido o fruto da minha educação, ele deverá ser atribuído à afortunada expulsão que me colocou em Lausanne... Aquilo que sou, no espírito, na aprendizagem ou em maneiras, devo-o a Lausanne: foi nessa escola que a estátua se fez a partir do bloco de mármore." Sir Hugh Trevor-Roper, historiador do século XX, seria ainda mais direto ao afirmar que sem Lausanne não teria havido a grande obra histórica de Gibbon.
Em 1757, imbuído do ceticismo iluminista que havia absorvido no continente, Gibbon retornou à Inglaterra e serviu como capitão da milícia de Hampshire por dois anos. A experiência militar foi breve e sem maiores consequências práticas, mas lhe proporcionou uma visão concreta da organização e das limitações dos exércitos que depois descreveria em sua obra. Em 1761 publicou, em francês, o Ensaio sobre o estudo da literatura, primeira demonstração pública de suas capacidades intelectuais. Dois anos depois, empreendeu uma viagem pela Europa e, ao visitar Roma, a grande viagem se revelou decisiva para o rumo de sua vida.
Foi em Roma, contemplando as ruínas do Fórum Romano, que nasceu na mente de Gibbon a ideia que consumiria as melhores décadas de sua existência: escrever a história do declínio e da queda do Império Romano. A obra que daí resultaria seria monumental em escopo e ambição, cobrindo não apenas a história da Roma imperial, mas também o Império Bizantino e a Alta Idade Média ocidental. Após sete anos de trabalho intenso, publicou a primeira parte da obra, que obteve sucesso imediato e gerou polêmicas acaloradas pela interpretação que Gibbon fazia das origens do cristianismo como fator contribuinte para a decadência imperial.
Gibbon foi membro do Parlamento entre 1774 e 1783 e notabilizou-se pela violenta oposição à independência das colônias americanas, posição que o aproximava do pensamento conservador britânico diante das revoluções que sacudiam o mundo atlântico. Em 1783, após a morte do pai que lhe havia deixado uma herança considerável, retornou a Lausanne para terminar sua obra histórica em paz. Cinco anos depois, publicou integralmente na Inglaterra a A História do Declínio e Queda do Império Romano, obra que encerrava décadas de pesquisa e que imediatamente foi reconhecida como um monumento da historiografia em língua inglesa.
A grandeza do trabalho de Gibbon repousa em vários pilares. Sua prosa era notória pela qualidade literária, pelos epigramas certeiros e pela ironia eficaz que tornava a leitura ao mesmo tempo instrutiva e prazerosa. Winston Churchill, que leu a obra ainda jovem como oficial militar, reconheceu sua influência de forma memorável nas próprias memórias: "Eu devorei Gibbon. Eu andei triunfantemente de ponta a ponta e gostei de tudo." Churchill chegou a modelar seu próprio estilo literário no de Gibbon, buscando produzir uma "narrativa histórica vívida, variando amplamente ao longo do período e do lugar e enriquecida pela análise e reflexão."
Excepcional para os padrões do século XVIII, Gibbon insistia em recorrer às fontes primárias sempre que acessíveis, em vez de se contentar com relatos de segunda mão. "Sempre me esforcei", escreveu, "para tirar da fonte; que minha curiosidade, assim como um senso de dever, sempre me incentivou a estudar os originais." Essa postura metodológica, que parece óbvia hoje mas que era rara em seu tempo, levou muitos historiadores posteriores a considerá-lo um dos pioneiros da historiografia moderna. Seu trabalho influenciou ainda Isaac Asimov, que admitiu ter se inspirado na obra de Gibbon para escrever sua Trilogia da Fundação, transpondo para a ficção científica o esquema narrativo de ascensão e queda de uma grande civilização.
Em 1793, Gibbon escreveu uma autobiografia que seria publicada postumamente em 1796. Faleceu em Londres em 16 de janeiro de 1794, encontrando-se sepultado no adro da Igreja de St Andrew and St Mary the Virgin, em Fletching, East Sussex. Deixou para trás uma obra que continua sendo lida, citada e debatida mais de dois séculos depois, prova de que a qualidade do estilo e a profundidade da pesquisa são capazes de superar as limitações e os preconceitos de qualquer época.

