Numa era em que a monarquia britânica estendia suas raízes por continentes inteiros, o príncipe Artur, Duque de Connaught e Strathearn, representou com singular dedicação a ideia de que um membro da família real era, antes de tudo, um servidor do Império. Nascido em 1 de maio de 1850 no Palácio de Buckingham, Artur era o sétimo filho e terceiro varão da rainha Vitória e do príncipe consorte Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Chegou ao mundo numa família acostumada ao peso da coroa e à responsabilidade do exemplo, e não decepcionou.
Seu batismo foi presidido pelo Arcebispo da Cantuária, John Bird Sumner, em 22 de junho, na capelas privada do palácio. Entre seus padrinhos estava o Duque de Wellington, herói de Waterloo, com quem Artur compartilhava a data de nascimento — 1 de maio — e em homenagem a quem recebeu o nome. Essa coincidência datou para sempre o príncipe como herdeiro simbólico de uma linhagem militar que a rainha Vitória admirava profundamente. Dizem os registros que Artur tornou-se o filho favorito da rainha, o que lhe conferia tanto afeto quanto pressão para honrar as expectativas.
A formação militar começou cedo. Após educação inicial com tutores particulares, Artur ingressou na Academia Militar Real de Woolwich aos dezesseis anos, em 1866. Dois anos depois, foi comissionado como tenente no Corpo de Engenheiros Reais, e logo transferido para o Regimento Real de Artilharia e para a Brigada do Rifle. Sua carreira no exército britânico seria longa e marcada por expedições em quatro continentes: serviu na África do Sul, no Canadá, na Irlanda, no Egito em 1882 e na Índia entre 1886 e 1890. Em 1 de abril de 1893, foi promovido a general, e em 26 de junho de 1902 alcançou o posto de marechal de campo — a mais alta patente do exército britânico.
O casamento veio em 13 de março de 1879, na Capelas de São Jorge do Castelo de Windsor, com a princesa Luísa Margarida da Prússia, filha do príncipe Frederico Carlos e sobrinha-neta do imperador Guilherme I — que havia sido padrinho de Artur. A união produziu três filhos: a princesa Margarida, nascida em 1882; o príncipe Arthur, em 1883; e a princesa Patrícia, em 1886. A família residiu primeiro em Bagshot Park, em Surrey, e depois em Clarence House, em Londres. Através dos casamentos dos filhos, Artur tornou-se sogro do príncipe herdeiro da Suécia, Gustavo Adolfo, e por essa linha conectou-se geneticamente às atuais famílias reais sueca e dinamarquesa: o rei Carlos XVI Gustavo da Suécia é seu bisneto, e a rainha Margarida II da Dinamarca é sua bisneta.
A relação de Artur com a maçonaria constitui um dos capítulos mais duradouros de sua vida pública. Quando seu irmão, o rei Eduardo VII, teve de renunciar ao grão-mestrado da Grande Loja Unida da Inglaterra por ocasião de sua entronização, o príncipe Artur foi eleito para o cargo. Ali permaneceria, sendo reeleito trinta e sete vezes, anualmente, até 1939 — quando tinha quase noventa anos. Essa dedicação ininterrupta à ordem maçônica revelava tanto sua disciplina quanto seu compromisso com instituições que valorizava.
Em 1911, o governo britânico nomeou Artur governador-geral do Canadá, sob recomendação do primeiro-ministro Herbert Henry Asquith, para substituir Albert Grey. A escolha era estratégica: o Canadá atravessava um momento de transição, afirmando-se gradualmente como nação independente enquanto ainda mantinha laços profundos com a monarquia. Artur tornou-se o primeiro membro da família real britânica a servir no posto, o que reforçava simbolicamente esses laços. Instalou-se em Rideau Hall, em Ottawa, com a esposa e a filha Patrícia, e percorreu extensivamente o vasto território canadense durante os anos de seu vice-reinado.
Seu período como governador-geral coincidiu com o início da Primeira Guerra Mundial, contexto em que a experiência militar de Artur provou-se decisiva. Representar o rei britânico e ser comandante chefe nominal das forças canadenses num momento de mobilização total exigia mais do que protocolo: requeria autoridade moral e conhecimento estratégico. Artur exerceu o cargo até 1916, quando foi substituído por Victor Cavendish, o 9º Duque de Devonshire.
De volta ao Reino Unido, Artur continuou a exercer funções reais e militares. Formalmente aposentado da vida pública em 1928, manteve influência nos meios militares durante a Segunda Guerra Mundial, acompanhando de longe o conflito que também levaria seu neto ao campo de batalha. Morreu em 16 de janeiro de 1942, em Bagshot, aos 91 anos, sendo então o penúltimo filho sobrevivente da rainha Vitória. Sua morte encerrou uma vida de serviço exemplar que atravessou dois séculos, duas guerras mundiais e a transformação do Império Britânico.
