guerras

Atentados de Catatumbo de 2025

Em 16 de janeiro de 2025, rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) lançaram vário

4 min de leitura01/01/2024
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A região do Catatumbo, no nordeste da Colômbia, é um território de densa floresta, rios caudalosos e população rural historicamente abandonada pelo Estado. Faz fronteira com a Venezuela e durante décadas serviu de corredor para o narcotráfico e de refúgio para grupos armados que disputavam o controle do território e dos cultivos ilícitos. Foi nesse cenário já carregado de tensão que, em 16 de janeiro de 2025, o Exército de Libertação Nacional — o ELN — deflagrou uma série de ataques violentos que chocaram a Colômbia e atraíram atenção internacional.

Para entender o que aconteceu naquele janeiro, é preciso recuar ao acordo de paz de 2016, assinado entre o governo de Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC-EP. Aquele acordo era considerado um marco histórico no encerramento de um conflito que durava mais de meio século. Mas uma parte dos combatentes das FARC recusou-se a depor as armas e continuou operando como dissidentes, fragmentados em diversas frentes. A Frente 33 era uma dessas facções ativas no Catatumbo. A existência da chamada Campanha do Catatumbo — um período de violência estratégica entre grupos de milícias — havia sido oficialmente documentada desde janeiro de 2018 e formalizada em agosto de 2019 por investigação da Human Rights Watch, que estimou que o conflito havia afetado diretamente cerca de trezentos mil pessoas.

Em janeiro de 2025, o ELN voltou suas forças exatamente contra a Frente 33 dos dissidentes das FARC. Os combates se espalharam pelas comunidades rurais da região, e com eles vieram os horrores que sempre acompanham conflitos armados que acontecem em territórios civis desprotegidos. Combatentes do ELN passaram a matar civis acusados de colaborar com os dissidentes das FARC, sequestraram pessoas de dentro de suas casas e executaram-nas nas ruas. Entre as vítimas identificadas estavam o líder comunitário Carmelo Guerrero e sete pessoas que tentavam participar de um processo de negociação de paz, mortas exatamente por estarem nessa posição de mediação.

O governador de Norte de Santander, William Villamizar Laguado, foi uma das primeiras autoridades a dimensionar publicamente o tamanho da catástrofe. Segundo ele, cerca de duas dezenas de pessoas ficaram feridas nos primeiros dias, aproximadamente vinte mil pessoas foram deslocadas de suas comunidades, e mais de oitenta pessoas haviam morrido apenas nas fases iniciais do conflito. A situação humanitária foi descrita por ele como "alarmante". Em 20 de janeiro, o número de mortos ultrapassou cem, após novos surtos de violência que se espalharam pela região.

A resposta do Estado colombiano veio em etapas. No dia 17 de janeiro, o presidente Gustavo Petro suspendeu as negociações de paz que seu governo mantinha com o ELN desde o início de seu mandato, em 2022. Era um revés significativo para um dos pilares centrais de sua agenda política, a chamada "paz total". Petro exigiu que o grupo rebelde cessasse os ataques imediatamente e permitisse acesso humanitário à região. Em declaração pública, o presidente afirmou que o ELN havia "escolhido o caminho da guerra, e uma guerra eles terão".

Em 20 de janeiro, Petro foi além das palavras e decretou estado de emergência econômica e estado de comoção interior na região afetada, instrumentos jurídicos que conferem ao Executivo poderes extraordinários para restabelecer a ordem pública. As forças de segurança colombianas conseguiram resgatar dezenas de civis e evacuá-los das zonas de combate. A cidade de Ocaña disponibilizou seu coliseu para receber os deslocados, enquanto Cúcuta, a principal cidade da região, registrou a chegada de mais de onze mil refugiados internos até o dia 20 de janeiro. O Estádio General Santander de Cúcuta foi adaptado às pressas para servir de abrigo.

As cidades vizinhas também se mobilizaram. Bucaramanga anunciou que avaliaria a criação de campos temporários para refugiados e enviaria ajuda humanitária ao Catatumbo. O departamento de Cesar prestou assistência às cidades de González e Río de Oro, antecipando o fluxo de pessoas que cruzariam de uma área de conflito para outra. Do outro lado da fronteira, a Venezuela declarou ter prestado assistência a 812 refugiados na cidade fronteiriça de Jesús María Semprún, no estado de Zulia, reconhecendo o transbordamento regional da crise.

Os ataques de janeiro de 2025 no Catatumbo deixaram uma marca dura na trajetória do processo de paz colombiano. A interrupção das negociações com o ELN jogou luz sobre a fragilidade dos acordos em regiões onde o Estado nunca consolidou sua presença. A disputa entre facções armadas por território e recursos — na qual civis são tratados como inimigos potenciais ou alvos de pressão — reproduzia, em 2025, dinâmicas que a paz de 2016 havia prometido encerrar. O episódio reforçou o debate sobre até que ponto um acordo de paz com grupos armados pode ser sustentado quando o Estado não ocupa efetivamente o espaço que esses grupos deixam.

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