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Higashiyama

Higashiyama (東山; 21 de outubro de 1675 – 16 de janeiro de 1710) foi o 113.º imperador do J

4 min de leitura01/01/2024
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O Japão do século XVII vivia um período de relativa estabilidade sob o controle do xogunato Tokugawa, mas a posição do imperador permanecia cercada de nuances políticas delicadas. Foi nesse contexto que nasceu, em 21 de outubro de 1675, o homem que se tornaria o 113.º imperador da linhagem imperial japonesa: Higashiyama. Seu nome pessoal era Príncipe Tomohito, e sua trajetória até o Trono do Crisântemo foi marcada por contingências dinásticas que, à primeira vista, o afastariam do poder.

Tomohito era o quinto filho do imperador Reigen, o que, segundo as tradições da corte, representava um obstáculo considerável à sua ascensão. Além disso, sua mãe era Matsuki Muneko, uma consorte secundária pertencente ao clã Fujiwara, e não a imperatriz principal. Essa combinação de fatores tornava sua candidatura ao trono improvável até que a imperatriz Takatsukasa Fusako, a consorte principal de Reigen, o adotou formalmente. Esse ato de adoção mudou completamente o seu estatuto e abriu as portas para que Tomohito pudesse, eventualmente, sentar-se no trono mais antigo do mundo.

Em 1682, foi proclamado príncipe herdeiro, e a investidura cerimonial que acompanhou esse reconhecimento marcou um momento histórico em si mesmo: era a primeira vez que tal cerimônia se realizava depois de um interregno de mais de trezentos anos. O simbolismo era profundo, sinalizando uma tentativa de restaurar a dignidade e os rituais antigos da corte imperial numa época em que o poder efetivo estava nas mãos dos xoguns Tokugawa em Edo.

Em 2 de maio de 1687, o imperador Reigen abdicou em favor de seu filho adotivo, e Higashiyama assumiu formalmente o trono, inaugurando um reinado que se estenderia até 1709. Logo no início de seu governo, um evento de grande significado religioso e simbólico foi restaurado: no dia 20 de dezembro de 1688, realizou-se o Daijōsai, a cerimônia em que arroz é solenemente oferecido às divindades xintoístas como pedido de proteção e prosperidade para o reinado do novo imperador. Essa prática não era realizada desde os tempos do imperador Go-Kashiwabara, tornando sua retomada um gesto carregado de intenção restauradora.

Os primeiros anos do reinado de Higashiyama foram marcados por uma tensão particular: seu pai, o ex-imperador Reigen, continuou a exercer influência política como imperador aposentado, uma figura com peso próprio na corte. Essa situação gerou atritos com o Bakufu, o governo militar sediado em Edo, pois o xogunato via com desconfiança qualquer concentração de poder nas mãos da família imperial. O jovem Higashiyama, no entanto, demonstrou um temperamento notavelmente conciliador.

O caráter gentil e diplomaticamente hábil do imperador foi determinante para suavizar as relações com o xogunato Tokugawa. Com o tempo, a tensão cedeu ao ponto de se produzir um resultado concreto e raro: o orçamento imperial foi aumentado. Esse incremento financeiro permitiu que a corte realizasse obras há muito necessárias, incluindo reparos nos mausoléus imperiais que haviam se deteriorado ao longo de décadas de escassez de recursos. Era uma vitória discreta, mas simbolicamente importante, para a dignidade da instituição imperial.

O reinado de Higashiyama também foi contemporâneo de um dos episódios mais famosos da história samurai japonesa. Em 1701, o incidente de Akō colocou em cena o senhor Asano Naganori, que foi forçado a cometer seppuku após atacar o oficial Kira Yoshinaka dentro do palácio xogunal. Seus 47 samurais leais, liderados por Ōishi Yoshio, recusaram-se a aceitar que a morte de seu senhor ficasse sem resposta. No ano seguinte, em 1702, os chamados quarenta e sete rōnin invadiram a residência de Kira e o assassinaram, cumprindo assim o código de honra samurai. Embora o episódio tenha ocorrido no domínio do xogunato e não diretamente envolvesse a corte imperial, o incidente de Akō ressoou por todo o Japão e tornou-se símbolo eterno da lealdade e do bushidō.

Em 1709, Higashiyama abdicou do trono em favor de seu filho, que passou a reinar como imperador Nakamikado. A saída do poder, porém, não marcou o início de uma velhice tranquila: pouco depois da abdicação, Higashiyama contraiu varíola, a doença infecciosa que ceifava vidas por todo o mundo naquele período sem distinção de estrato social. Em 16 de janeiro de 1710, o ex-imperador faleceu, encerrando uma vida que havia navegado com serenidade pelas complexas águas da política cortesã japonesa.

O legado de Higashiyama reside sobretudo na sua capacidade de restaurar práticas cerimoniais antigas e melhorar, ainda que modestamente, a posição material da corte imperial. Entre seus filhos estão figuras que continuaram a linhagem: o imperador Nakamikado, que o sucedeu, e o príncipe Naohito, que viria a ser o avô do imperador Kōkaku. A imperatriz viúva que havia adotado Tomohito, Takatsukasa Fusako, assumiu mais tarde o nome budista Shinjōsaimon-in, um detalhe que ilustra como os laços entre o budismo e a família imperial permaneciam vivos mesmo em plena era Tokugawa.

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