tragedias

Tatiana Issa

Tatiana Issa (São Paulo, 16 de janeiro de 1974), é uma premiada produtora e diretora de ci

5 min01/01/2024
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Poucas trajetórias no audiovisual brasileiro combinam de maneira tão orgânica o rigor artístico e a capacidade de produção em escala industrial quanto a de Tatiana Issa. Nascida em São Paulo em 16 de janeiro de 1974, ela construiu ao longo de décadas uma carreira que a levou do teatro infantil às maiores plataformas de streaming do mundo, colecionando mais de quarenta prêmios internacionais, três Emmy Awards e doze indicações adicionais ao mesmo troféu.

A formação de Tatiana começou cedo. Filha do cenógrafo Américo Issa, ela foi iniciada nas artes do palco aos sete anos de idade, desenvolvendo sensibilidade cênica desde a infância. Antes mesmo de completar vinte anos, já havia acumulado experiências em espetáculos teatrais e festivais internacionais de cinema e teatro. Uma de suas participações mais marcantes nessa fase inicial foi a produção internacional de "A Falecida", texto de Nelson Rodrigues com direção de Gabriel Vilella, apresentada em Viena, na Áustria — uma experiência que plantou em Tatiana a vocação para projetos de grande ambição e alcance global.

Em 2001, após a perda do pai, ela se mudou para Nova York para morar com Raphael Alvarez, amigo dos tempos do teatro. A cidade foi decisiva para a virada profissional. Juntos, abriram a produtora Tria Productions, voltada para o cinema, enquanto Tatiana fundava em paralelo a Producing Partners com Guto Barra, focada em produções televisivas. Com mais de quatrocentos episódios produzidos em mais de oitenta países, a empresa se tornaria uma das mais ativas na ponte entre o mercado audiovisual brasileiro e as grandes emissoras internacionais.

Seu primeiro longa-metragem, "Dzi Croquettes", foi ao mesmo tempo uma homenagem pessoal e uma conquista estética. O documentário abordava o grupo teatral do qual seu próprio pai fora cenógrafo e iluminador, resgatando do esquecimento uma das páginas mais inventivas e transgressoras do teatro brasileiro. O filme participou de mais de sessenta festivais internacionais, incluindo o Tribeca Film Doc Series, o Festival Internacional de Cinema de Palm Springs e o Festival Internacional de Cinema da HBO. Estreou nos Estados Unidos em novembro de 2011, exibido no IFC Village Cinemas em Nova York, no prestigioso Museu de Arte Moderna, o MoMA, e nos Sunset 5 Cinemas de Los Angeles.

A trajetória de "Dzi Croquettes" nos circuitos de premiação foi singular: ganhou os prêmios de melhor documentário pelo voto popular e melhor montagem pelo júri oficial no Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, além do troféu de melhor filme no Grande Prêmio ACIE. Ainda mais notável, tornou-se o primeiro documentário a vencer simultaneamente o prêmio por voto popular e pelo júri oficial no Festival do Rio, em 2009. Na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, levou o Prêmio do Itamaraty e o prêmio do público. O documentário foi exibido em mais de sessenta países e se consolidou como um dos mais premiados da história do audiovisual brasileiro.

Na televisão, Tatiana construiu um portfólio extenso e diversificado ao longo dos anos 2010 e 2020. Séries como "Pedro Pelo Mundo", filmada em mais de cinquenta países, "Além da Conta, com Ingrid Guimarães", que chegou à oitava temporada no GNT, e "Expresso Futuro com Ronaldo Lemos" para a TV Globo demonstravam sua capacidade de transitar entre gêneros — viagem, comportamento, tecnologia, arte. Outros trabalhos, como "Fora do Armário" para a HBO América Latina e "Bertha Lutz, Women and the UN Charter", também para a HBO, evidenciavam sua preferência por temas de relevância social e histórica.

O salto para as grandes plataformas de streaming veio com "Pacto Brutal, o Assassinato de Daniella Perez", lançado em 2022 pela HBO Max. A série documental sobre o assassinato da atriz e roteirista Daniella Perez, que chocou o Brasil nos anos 1990, permaneceu por múltiplas semanas consecutivas no Top 10 internacional da plataforma, tornando-se uma das produções true crime de maior repercussão da HBO Max em toda a sua história. Em 2024, Tatiana retornou com "Bateau Mouche, o Naufrágio da Justiça", série sobre o naufrágio que devastou o Rio de Janeiro na virada de 1988 para 1989, igualmente produzida para a HBO Max.

Sua produção na área das artes também rendeu destaque com "Geografia da Arte" para o canal ARTE1, uma série criada em parceria com instituições e personalidades como Christian Louboutin, Yves Saint-Laurent e Pina Bausch. O projeto evidenciava a capacidade de Tatiana de articular o mundo da cultura e do entretenimento com rigor curatorial.

Ao longo de toda essa trajetória, Tatiana Issa consolidou-se como membro da Television Academy dos Estados Unidos e jurada do International Emmy Awards, além de integrar a New York Women in Film & Television. Morando em Nova York, ela representa um elo raro entre os mercados audiovisuais brasileiro e norte-americano, contribuindo para que histórias produzidas no Brasil alcancem audiências em dezenas de países. Sua obra é a prova de que o documentarismo e a ficção de peso não são exclusividade dos grandes estúdios — e que o Brasil tem muito a contar ao mundo.

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