biografias

Mi-Hyun Kim

Golfista sul-coreana

4 min01/01/2024
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Mi-Hyun Kim nasceu em 13 de janeiro de 1977, na cidade portuária de Incheon, na Coreia do Sul, e desde cedo revelou um talento incomum para o golfe. Baixa de estatura — apenas 150 centímetros de altura —, logo recebeu das colegas de Tour o apelido carinhoso de "Amendoim", ou Peanut, como ficou conhecida internacionalmente. O apelido não escondia admiração: dentro das fairways, ela compensava com técnica apurada e determinação aquilo que outros imaginavam ser uma limitação física.

Sua trajetória profissional começou em 1996, quando ingressou no Tour LPGA da Coreia, o KLPGA. Nos quatro anos seguintes, Kim acumulou onze vitórias no circuito coreano, consolidando-se como uma das mais promissoras atletas de golfe de seu país. A decisão de cruzar o Pacífico e tentar a sorte nos Estados Unidos foi influenciada diretamente por Se Ri Pak, compatriota que havia aberto caminho para as sul-coreanas no LPGA americano com conquistas que causaram comoção nacional.

Em 1999, Mi-Hyun Kim entrou para o LPGA Tour americano e impressionou imediatamente. Ainda em seu ano de estreia, foi nomeada Estreante do Ano, distinção que confirmava que o talento exibido na Coreia não tinha fronteiras. Ao lado de Se Ri Pak, Grace Park e Hee-Won Han, Kim passou a integrar o grupo informalmente batizado de "irmãs de Seul", quarteto pioneiro que transformou a percepção internacional sobre as golfistas sul-coreanas e abriu caminho para uma geração inteira de atletas do país no circuito feminino mais prestigioso do mundo.

Ao longo de sua carreira no LPGA americano, Kim conquistou oito títulos no circuito. Seu melhor desempenho em um Major veio em 2001, quando terminou em segundo lugar no Open Britânico Feminino, resultado que coroava anos de trabalho consistente e a colocava entre as melhores do mundo em sua modalidade. Nunca lhe faltaram oportunidades nos torneios mais importantes; o segundo lugar britânico ficou, porém, como o momento mais próximo de um grande título internacional.

Mas o capítulo que talvez mais defina o caráter de Mi-Hyun Kim não foi escrito em uma fairway, e sim em um ato de generosidade extraordinária. Em maio de 2007, Kim disputou e venceu o Campeonato SemGroup, levando para casa um prêmio de 210 mil dólares. Durante aqueles mesmos dias do torneio, um tornado devastador atingiu Greensburg, no Kansas, arrasando grande parte da pequena cidade americana. Kim não tinha qualquer vínculo com Greensburg nem conhecia nenhum de seus moradores.

Ainda assim, tomada pela comoção diante das imagens da destruição, a golfista coreana decidiu doar 100 mil dólares — quase metade do seu prêmio — para as vítimas do tornado. Ao explicar sua decisão, Kim disse que havia ganhado muito dinheiro nos Estados Unidos e que, em geral, quando doava, direcionava os recursos para causas na Coreia do Sul. Desta vez, porém, quis ajudar as pessoas do país que a acolhera. Descreveu sua vitória no torneio como um presente de Deus, e sua doação como uma resposta àquilo que sentia ser um chamado: "Eu acho que Deus me deu como um presente especial ou ele está me usando como, 'ok, eu vou dar-lhe isso, mas depois disso quero que você dê para ajudar as pessoas.'"

O impacto do gesto foi além dos 100 mil dólares. Um ano depois, às vésperas do Campeonato SemGroup de 2008, o presidente da United Way of the Plains, organização filantrópica sediada em Wichita, no Kansas, apareceu ao lado de Kim na conferência de imprensa do pré-torneio para agradecê-la publicamente. Ele anunciou que a repercussão da doação de Ki havia inspirado doações adicionais de outras pessoas e entidades, somando ao final 1,2 milhão de dólares — dinheiro que estava sendo utilizado para construir 25 casas para famílias de baixa e média renda afetadas pelo tornado.

Na vida pessoal, Kim se casou em dezembro de 2008 com Lee Won-hee, ex-medalhista de ouro olímpico no judô que à época atuava como professor da modalidade em uma universidade na Coreia do Sul. Em 2009, o casal teve um filho, Ye Sung Lee, que nasceu em Orlando, na Flórida, cidade que era base de operações de Kim durante suas temporadas no LPGA americano. Após disputar alguns torneios na temporada de 2011, a golfista se aposentou do circuito americano e retornou definitivamente ao seu país.

De volta à Coreia do Sul, Mi-Hyun Kim passou a dedicar-se ao ensino do golfe. Seu pai construiu um campo com instalações completas de prática e aprendizado, batizado de Mi-Hyun Kim Golf World, uma espécie de legado físico da trajetória da filha. Mais do que os oito títulos no LPGA americano ou o vice-campeonato no Open Britânico, a história de Kim ficou marcada pela combinação de competência esportiva e humanidade genuína. O apelido Peanut pode ter nascido de uma característica física, mas o que ela deixou no golfe feminino e na comunidade de Greensburg foi de proporções bem maiores do que o tamanho poderia sugerir.

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