tragedias

Incêndio no metrô de Daegu

O Incêndio no Metrô de Daegu foi um ato de incêndio criminoso que ocorreu em 2003 e matou

4 min01/01/2024
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A manhã de 18 de fevereiro de 2003 começou como qualquer outra nos corredores subterrâneos do metrô de Daegu, a terceira maior cidade da Coreia do Sul. Passageiros embarcavam e desembarcavam nos trens que cortavam os túneis sob a metrópole de cerca de dois milhões e meio de habitantes. Nenhum deles poderia imaginar que aquele dia se tornaria o mais sangrento da história dos sistemas metroviários coreanos, e um dos acidentes de transporte mais trágicos da Ásia naquele século.

O autor do ataque foi Kim Dae-Han, um motorista de táxi desempregado de 56 anos, que embarcou no trem de número 1079 com recipientes contendo líquido inflamável. Kim era descrito como portador de instabilidade mental e havia passado por um período de dificuldades pessoais e financeiras após perder o emprego. Dentro do vagão, ele começou a manipular um isqueiro, afastando passageiros que tentavam impedi-lo. Em meio à confusão, uma das substâncias inflamáveis acondicionadas em uma caixa de leite derramou e explodiu em chamas.

O fogo se alastrou com velocidade assustadora pelos seis vagões do trem 1079. Parte da explicação para a rapidez da propagação estava nos materiais utilizados na fabricação do interior das composições: alumínio, vinil e plásticos pesados nas almofadas dos assentos, nas alças e nos pisos geravam fumaça densa e tóxica enquanto ardiam. Kim Dae-Han, com as costas e as pernas em chamas, conseguiu escapar junto com outros passageiros ainda a tempo de deixar os vagões.

O trem de número 1080, que vinha no sentido contrário e adentrou a estação Jungangno enquanto o incêndio já estava em curso, tornou-se o palco da maior parte das mortes. Seu operador, Choi Sang-yeol, escapou do local sem abrir as portas dos vagões, retirando a chave de controle do painel ao sair. A tomada desse dispositivo aciona automaticamente o fechamento das portas, aprisionando os passageiros no interior dos vagões. Choi afirmou à polícia que acreditava que os passageiros já haviam saído, mas as autoridades consideraram a explicação insuficiente diante da gravidade das consequências.

Após horas de combate às chamas, fumaça e gases tóxicos, as equipes de resgate descobriram a extensão do horror: quatro dos seis vagões do trem 1080 estavam com as portas fechadas. Os passageiros foram encontrados carbonizados em seus assentos, nas escadarias e nos corredores, sem qualquer saída possível diante das chamas e do gás que tomou conta dos túneis. Ao todo, 192 pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas, muitas com sequelas permanentes devido à inalação de fumaça tóxica.

A identificação das vítimas tornou-se um trabalho árduo dada a intensidade do incêndio. A maioria dos corpos estava carbonizada, o que exigiu exames de DNA para estabelecer a identidade de parte dos falecidos. Das 192 vítimas, 185 foram identificadas inicialmente, sendo que seis permaneceram sem identificação por período significativo, das quais três só foram reconhecidas por análise de DNA.

O perfil das vítimas revelou que a maioria eram estudantes e jovens trabalhadoras de lojas de departamentos no centro da cidade, que utilizavam o metrô em seu deslocamento diário. Em meio ao caos e ao calor sufocante, muitos passageiros conseguiram ligar para familiares e amigos usando seus celulares, despedindo-se em chamadas que seriam preservadas como evidência forense. Operadoras de telefonia liberaram o acesso aos registros de chamadas para auxiliar as autoridades na reconstrução dos eventos e na identificação das vítimas.

Em 26 de fevereiro, Kim Dae-Han foi preso ao sair do hospital onde recebia tratamento para as queimaduras sofridas. Em 7 de agosto de 2003, o tribunal do distrito de Daegu proferiu as sentenças: Choi Sang-yeol, operador do trem 1080, foi condenado a cinco anos de prisão por negligência criminal, e Choi Jeong-hwan, operador do trem 1079, recebeu quatro anos pela mesma imputação. Outros sete funcionários da empresa Metrô Metropolitano Daegu também foram presos e acusados de negligência. A polícia ainda confiscou documentos, vídeos e gravações da empresa, investigando a possibilidade de que a organização tivesse tentado ocultar evidências relacionadas ao desastre.

Kim Dae-Han foi julgado por incêndio criminoso e homicídio. Apesar da pressão dos promotores e das famílias das vítimas pela pena de morte, o tribunal optou pela prisão perpétua, levando em consideração o estado de instabilidade mental do réu e seu demonstrado remorso. Kim morreu na prisão em 31 de agosto de 2004, na cidade de Jinju, onde se encontrava em tratamento médico.

O incêndio no metrô de Daegu provocou uma profunda revisão dos padrões de segurança em sistemas metroviários não apenas na Coreia do Sul, mas em diversas partes do mundo. Passaram a ser exigidos materiais ignífugos no interior das composições, revisados os protocolos de emergência para operadores de trem e instalados sistemas mais eficientes de ventilação e controle de fumaça nos túneis. A tragédia tornou-se referência nos estudos sobre segurança em transportes subterrâneos, e o nome da estação Jungangno ficou associado para sempre a um dos momentos mais sombrios da história urbana coreana.

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