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Valentim Magalhães

Jornalista e escritor brasileiro (1859–1903)

4 min01/01/2024
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Antônio Valentim da Costa Magalhães nasceu no Rio de Janeiro em 16 de janeiro de 1859, numa cidade que ainda vivia sob o signo do Segundo Reinado e respirava os ares de uma cultura letrada que começava a ganhar musculatura própria. Filho de Antônio Valentim da Costa Magalhães e de dona Maria Custódia Alves Meira, o jovem Valentim seguiu o caminho intelectual de sua geração ao matricular-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde ingressou em 1877. A capital paulista era então um centro fervilhante de ideias novas, e o estudante de Direito logo mergulhou no jornalismo acadêmico, colaborando com os periódicos "Revista de Direito e Letras", "Labarum" e "República", este último fundado por seu contemporâneo Lúcio de Mendonça.

Ainda em São Paulo, Valentim publicou suas primeiras obras, entre elas "Idéias de Moço", "Grito na Terra", o opúsculo "General Osório" em parceria com Antônio da Silva Jardim, e seu primeiro livro de poesia, intitulado "Cantos e Lutas". O período paulistano foi também o da vida pessoal: casou-se em 1880, antes de retornar ao Rio de Janeiro com as bagagens cheias de experiência literária e engajamento político.

De volta à capital do Império, Valentim Magalhães dedicou-se com ardor ao jornalismo militante. Em 1885, fundou o periódico "A Semana", que rapidamente se tornou um espaço privilegiado para os jovens escritores da época. A publicação foi palco não apenas de debates literários, mas de uma propaganda abertamente abolicionista e republicana, causas que mobilizavam a intelectualidade brasileira no último quartel do século XIX. Valentim estava no centro dessas agitações, e sua figura foi capturada com precisão pelo olhar de Euclides da Cunha, que o sucederia na Academia Brasileira de Letras e escreveu sobre a geração de Magalhães: "fecunda, inquieta, brilhantemente anárquica, tonteando no desequilíbrio de um progresso mental precipitado".

A personalidade de Valentim era magnética e combativa. Suas polêmicas públicas eram frequentes e intensas, gerando tanto ataques ferozes de adversários quanto defesas apaixonadas de amigos. Colaborou com diversas publicações da época, entre elas a "Galeria Republicana" nos anos 1882 e 1883, "Branco e Negro" entre 1896 e 1898, a revista "Brasil-Portugal" entre 1899 e 1914, e o "Jornal dos Cegos" entre 1895 e 1920. Essa dispersão por múltiplos veículos dizia muito sobre seu temperamento: homem de causas e de conversas, mais do que de obras acabadas e sistemáticas.

Os críticos que o seguiram reconheceram nele uma função mais de divulgador e catalisador do que de criador original. Valentim Magalhães foi um animador da cultura brasileira num momento crucial de sua formação, um articulador que identificava talentos, abria espaços e construía pontes entre escritores e o público. Nesse sentido, seu papel, embora menos vistoso do que o de um romancista de fôlego, foi de importância inegável para a configuração do campo literário brasileiro no período que antecedeu o modernismo.

O período do Encilhamento, aquela febre especulativa que se seguiu à Proclamação da República em 1889, não poupou Valentim Magalhães. Como tantos de sua geração, ele se deixou seduzir pela promessa de enriquecimento rápido, fundou uma empresa e, como tantos, assistiu à sua falência quando o castelo de papel desmoronou. Sobre a instabilidade de sua própria trajetória, Valentim foi capaz de certa lucidez irônica, declarando: "A princípio fui gênio; mais tarde cousa nenhuma. Hoje César, amanhã João Fernandes".

Na literatura propriamente dita, Valentim deixou uma obra que os críticos classificaram como menor, mas não sem curiosidades. Seu romance "Flor de Sangue", concluído em 1896, entrou para a história editorial brasileira por conta de uma errata notória: nas instruções de correção, o leitor era orientado a substituir, na página 285, a expressão "estourar os miolos" pela expressão "cortar o pescoço". A errata acabou sendo mais célebre do que o próprio romance, tornando-se uma das mais inusitadas da literatura nacional.

Quando, em 1897, um grupo de homens de letras se reuniu para fundar a Academia Brasileira de Letras, Valentim Magalhães foi um dos convocados para integrar a instituição que seria a guardiã da língua e da literatura brasileira. Ocupou a cadeira de número 7, cujo patrono escolhido por ele próprio foi Castro Alves, o "Poeta dos Escravos", uma escolha que revelava sua afinidade com os ideais abolicionistas que haviam marcado sua geração. Mais do que isso, foi Valentim quem fez a doação inaugural à Biblioteca da Academia, entregando em janeiro de 1897 seu próprio "Flor de Sangue" — o mesmo romance da errata imortal. Morreu no Rio de Janeiro em 17 de maio de 1903, aos quarenta e quatro anos, deixando atrás de si uma vida consumida pela voragem da imprensa, das causas e das polêmicas que definiram a cultura brasileira da virada do século.

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