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Carminha Mascarenhas

Cantora brasileira

4 min01/01/2024
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Cármina Allegretti, que o mundo viria a conhecer pelo nome artístico Carminha Mascarenhas, nasceu em Muzambinho, no estado de Minas Gerais, em 14 de abril de 1930, e ao longo de décadas de carreira construiu uma das trajetórias mais representativas do universo do rádio brasileiro. Em um tempo em que a voz era o principal canal de comunicação de massa do país, Carminha encontrou seu lugar ao lado das cantoras que ajudaram a definir o que a música popular brasileira soava quando transmitida pelas ondas do rádio nacional.

A Muzambinho do início do século XX era uma cidade do interior mineiro que, como tantas outras do Brasil profundo, convivia com uma tradição musical popular intensa, permeada pelas festas religiosas, pelas modas de viola e pelos cantos que chegavam de várias regiões. Nesse ambiente, as primeiras impressões musicais de Carminha foram formadas, mas seria no Rio de Janeiro que sua carreira se desenvolveria plenamente, em um cenário cultural que concentrava os principais veículos de comunicação do país.

O rádio brasileiro atravessou seu período de ouro entre as décadas de 1940 e 1960, quando emissoras como a Rádio Nacional do Rio de Janeiro reuniam os maiores talentos do país e transmitiam para um Brasil que, em grande parte, ainda não tinha acesso à televisão. Era uma era em que as cantoras de rádio gozavam de uma popularidade comparável à das estrelas do cinema, sendo reconhecidas nas ruas, homenageadas nos jornais e aguardadas ansiosamente pelos ouvintes que organizavam suas rotinas em torno dos programas de rádio. Nesse universo, Carminha forjou seu estilo e sua identidade artística.

A maior distinção da carreira de Carminha Mascarenhas foi sua participação no grupo As Eternas Cantoras do Rádio, conjunto que reunia algumas das vozes mais representativas da era áurea da radiofonia nacional. Ao lado de artistas como Ellen de Lima, Carmélia Alves e Violeta Cavancanti, Carminha integrou um seleto círculo de mulheres que haviam dedicado suas vozes e suas carreiras a um meio de comunicação que moldou profundamente a identidade cultural brasileira do século XX. O grupo era, em certa medida, uma guarda de honra de uma época específica da cultura popular brasileira, tempos em que a voz sem imagem precisava ser capaz de criar mundos inteiros na imaginação dos ouvintes.

A longevidade da carreira de Carminha é um elemento fundamental para compreender sua importância histórica. Sobreviver artisticamente ao longo de décadas em um ambiente de entretenimento que constantemente se renovava e substituía talentos exigia não apenas qualidade vocal, mas também uma capacidade de adaptação e uma presença artística que transcendesse os modismos momentâneos. O fato de ter chegado ao novo milênio ainda reconhecida como parte de um grupo que homenageava a memória viva do rádio brasileiro demonstra essa durabilidade.

Em 2009, o documentário Cantoras do Rádio, dirigido por Gil Baroni, veio registrar para as gerações futuras a história dessas mulheres e sua contribuição para a cultura nacional. A produção foi tanto um ato de preservação histórica quanto um reconhecimento tardio, mas necessário, de artistas que haviam construído o paisagismo sonoro de um Brasil que já não existia mais da mesma forma. Carminha Mascarenhas foi uma das homenageadas no documentário, tendo sua trajetória preservada para além das fronteiras da memória individual.

O rádio que Carminha conheceu e no qual cantou foi gradualmente transformado pelo advento da televisão a partir dos anos 1960, que deslocou o centro de gravidade do entretenimento popular brasileiro. As cantoras que haviam reinado nas ondas do rádio viram sua visibilidade reduzida à medida que o Brasil se tornava uma nação cada vez mais definida pela televisão. Mas a memória do que havia sido construído naquela era dourada persistiu, e grupos como As Eternas Cantoras do Rádio foram instrumentos importantes de manutenção dessa memória coletiva.

Carminha Mascarenhas faleceu no Rio de Janeiro em 16 de janeiro de 2012, encerrando uma vida dedicada à arte e à voz. Sua morte representou a perda de uma testemunha direta de um capítulo fundamental da cultura popular brasileira, e também o silêncio definitivo de uma voz que havia contribuído para definir como o Brasil soava em seus anos de formação como nação urbana e moderna. O legado que deixou, preservado no documentário de Baroni e na memória de quantos a ouviram ao vivo ou pelo rádio, pertence à história da música popular brasileira e ao patrimônio cultural de um país que às vezes esquece com rapidez os que mais contribuíram para construí-lo.

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