biografias

Tomás Rincón

Futebolista venezuelano

4 min01/01/2024
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Tomás Eduardo Rincón Hernández nasceu em 13 de janeiro de 1988, em San Cristóbal, cidade localizada no estado venezuelano de Táchira, próxima à fronteira com a Colômbia. Em um país onde o futebol ocupa posição secundária em relação ao beisebol — o esporte genuinamente nacional da Venezuela — Rincón construiu uma trajetória que o levou a ser considerado um dos maiores futebolistas venezuelanos de todos os tempos, transformando-se em símbolo de um país que busca estabelecer sua identidade no futebol sul-americano.

Os primeiros passos de Rincón no futebol profissional foram dados nas divisões inferiores. Começou na equipe subsidiária do Unión Maracaibo, então na Segunda Divisão da Venezuela, antes de assinar pelo Zamora, clube que lhe proporcionou a estreia na elite do futebol venezuelano. Essa estreia na primeira divisão ocorreu em 2007, quando ele tinha apenas dezenove anos — o ponto de partida de uma carreira internacional que percorreria clubes importantes da Europa e da América do Sul.

Em julho de 2008, Rincón transferiu-se para o Deportivo Táchira, um dos clubes mais tradicionais e bem-sucedidos da Venezuela, fundado justamente em San Cristóbal, cidade natal do volante. A passagem pelo Táchira foi breve, mas suficiente para que seu desempenho chamasse atenção de olheiros europeus. No início de 2009, o Hamburgo, clube histórico da Bundesliga alemã, anunciou sua contratação. Na Alemanha, Rincón recebeu a camisa 25 e atuou ao lado de outro venezuelano de prestígio na liga europeia: Juan Arango. Em dezembro de 2009, renovou seu contrato com o clube alemão por quatro anos e meio, um sinal claro da confiança que o Hamburgo depositava em suas capacidades.

A passagem pela Bundesliga foi o período em que Rincón consolidou as características que o definiriam ao longo da carreira: um volante de combate com qualidade técnica acima da média para a posição, capaz de recuperar a posse de bola com intensidade e ao mesmo tempo participar com critério da distribuição de jogo. Na liga alemã, uma das mais físicas e táticas da Europa, ele provou que havia espaço para jogadores sul-americanos que aliavam garra à inteligência de jogo.

Em janeiro de 2017, Rincón deu o salto para a Juventus de Turim, contratado por 8 milhões de euros. A Juventus daquele período era uma potência europeia no auge de uma sequência de domínio doméstico na Itália, com artistas como Gianluigi Buffon, Giorgio Chiellini e Paulo Dybala em seu elenco. Integrar um grupo desse nível como volante de contenção era uma prova de que o venezolano havia atingido o padrão técnico e físico de elite. Ele estreou pela Juve numa vitória por 3 a 0 sobre o Bologna e sagrou-se campeão da Serie A e da Copa da Itália na temporada 2016-17. Na temporada 2022-23, foi titular em trinta partidas e participou de 37 ao todo, contribuindo com duas assistências — números que atestavam sua importância para o elenco mesmo em fase avançada da carreira.

A relação de Rincón com a Seleção Venezuelana é um capítulo à parte de sua trajetória. Fez sua estreia pela equipe principal em 3 de fevereiro de 2008, num amistoso contra o Haiti, e desde então tornou-se uma das peças centrais do processo de desenvolvimento do futebol venezuelano. Representou o país em quatro edições da Copa América: 2011, 2015, 2016 e 2019. Em uma seleção historicamente modesta no contexto do futebol sul-americano, Rincón foi o tipo de liderança técnica e moral capaz de elevar o coletivo — um referencial para gerações de jogadores que vieram depois dele.

Em 15 de agosto de 2023, o Santos anunciou sua contratação com contrato até o fim de 2024. A chegada ao Brasil representava um retorno à América do Sul depois dos anos europeus, num movimento que fazia sentido tanto esportiva quanto afetivamente para um jogador de origem sul-americana. Ele estreou em 20 de agosto na vitória de 2 a 1 sobre o Grêmio, pela Série A do Campeonato Brasileiro. Ainda naquela mesma temporada, num momento simbólico, marcou seu primeiro gol pelo clube como capitão: foi numa goleada do Santos sobre o Vasco por 4 a 1, na Vila Belmiro — o tipo de detalhe biográfico que parece roteirizado.

O Santos, no entanto, foi rebaixado ao final de 2023, encerrando uma histórica sequência do clube na elite do futebol brasileiro. Rincón, diante da situação, tomou uma decisão que revelava seu vínculo com o projeto: aceitou uma redução salarial para permanecer na equipe e disputar a Série B em 2024. O gesto foi recompensado da forma mais categórica possível — o Santos conquistou o título da Série B de 2024, retornando à primeira divisão, com Rincón como parte importante do grupo que operou aquela virada.

A trajetória de Tomás Rincón é a de um atleta que atravessou culturas, ligas e décadas com uma consistência admirável. Da Segunda Divisão da Venezuela às finais europeias com a Juventus, passando pela Bundesliga e pelo futebol brasileiro, ele construiu uma carreira de amplitude que poucos jogadores sul-americanos conseguem. Para a Venezuela, representou algo mais do que um bom volante: foi a prova de que talentos daquele país podiam chegar ao mais alto nível do futebol mundial e sustentá-lo por longa data.

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