Guillermo Sebastián Coria nasceu em Rufino, na província de Santa Fé, Argentina, em 13 de janeiro de 1982, numa região que não é exatamente o berço tradicional do tênis argentino, mas que não impediu o surgimento de um dos tenistas mais habilidosos que o país sul-americano já produziu. Cresceu dentro de uma geração dourada do tênis argentino que incluía nomes como David Nalbandian, com quem curiosamente frequentou a mesma pré-escola na infância, antes que os caminhos do esporte os separassem e depois os reunissem como rivais e companheiros de equipa na Copa Davis.
Coria construiu sua identidade no tênis baseada fundamentalmente no saibro. As quadras de terra batida eram o seu habitat natural, o cenário onde sua capacidade técnica e sua resistência física encontravam expressão máxima. O saibro recompensa quem tem paciência tática, variedade de golpes e a condição física para suportar ralis intermináveis, e Coria reunia todas essas qualidades. Sua capacidade de extrair mais ângulo e profundidade dos golpes na superfície de terra o tornava um adversário extremamente difícil para qualquer um no mundo.
O auge da carreira de Guillermo Coria coincidiu com o início dos anos 2000, período em que ele se estabeleceu entre os melhores do mundo. Subiu ao terceiro lugar no ranking da ATP, posição que representa a elite absoluta do tênis mundial e que reflete anos de consistência em torneios do mais alto nível. Para chegar ao top 3 mundial, é preciso não apenas vencer torneios, mas fazê-lo de forma regular em diferentes condições e contra os melhores adversários do planeta.
O Roland Garros, o Grand Slam disputado em Paris sobre saibro, era naturalmente o torneio onde Coria tinha as maiores expectativas. Chegou a uma final de Grand Slam em Roland Garros, confirmando que seu nível nos maiores torneios do mundo era compatível com a posição que ocupava no ranking. Ao longo de sua carreira, acumulou um palmarès expressivo no circuito ATP, com nove títulos em simples, chegando a dez finais no total, sendo nove vitórias contra onze derrotas quando se contabiliza todas as finais de simples disputadas.
A vida pessoal de Coria sempre esteve conectada ao futebol, como é comum entre os argentinos de sua geração. Torcedor apaixonado do River Plate, o maior clube de Buenos Aires, ele carregou essa paixão ao longo de toda a vida, como tantos compatriotas para quem o futebol e o tênis coexistem no amor ao esporte. Em 27 de dezembro de 2003, casou-se com Carla Francovigh. O casal teve dois filhos: Thiago, nascido em 12 de abril de 2012, e Defina, nascida em 4 de outubro de 2013.
O período de ouro de Coria no circuito ATP ficou concentrado na primeira metade dos anos 2000, quando o tênis argentino vivia um momento especial, com vários jogadores entre os melhores do mundo ao mesmo tempo. Nalbandian, Gaudio, Chela, Calleri e Coria formavam uma constelação de talentos que orgulhava o país e alimentava grandes expectativas na Copa Davis, prova por equipes que historicamente mobiliza muito o tênis argentino.
O legado de Guillermo Coria no tênis argentino é o de um jogador que combinou elegância técnica com garra competitiva, que soube levar o saibro sul-americano para os torneios mais importantes do mundo e competir de igual para igual com os melhores de sua geração. Sua presença entre os três melhores tenistas do planeta em determinado período de sua carreira é um fato que poucos argentinos conseguiram alcançar ao longo da história do tênis. A vida após o tênis o manteve ligado ao esporte, seja como formador de novos talentos ou como figura respeitada na cultura esportiva de um país onde o amor pelo esporte é traço essencial da identidade nacional.