Sofia Amália de Nassau-Siegen nasceu em 10 de janeiro de 1650 na cidade de Terborg, nos Países Baixos, como a segunda filha do conde Henrique II de Nassau-Siegen e de Isabel de Limburgo-Stirum, também conhecida como Maria Madalena. Sua família pertencia às ramificações da Casa de Nassau, uma das linhagens aristocráticas mais influentes da Europa nos séculos dezesseis e dezessete, com ramificações espalhadas pelos principados do Sacro Império Romano-Germânico e ligações com as cortes protestantes do norte europeu. A herança familiar de Sofia Amália era, portanto, um mosaico de alianças dinásticas e de fé reformada que moldaria sua trajetória.
Seus avós paternos eram João VII, Conde de Nassau-Siegen, e Margarida de Schleswig-Holstein-Sonderburg, sua segunda esposa, o que situava Sofia Amália numa rede de parentescos que incluía algumas das casas reinantes mais proeminentes da época. Pelos avós maternos, o conde Jorge Ernesto de Limburgo-Stirum e Madalena de Bentheim, ela acumulava mais uma camada de conexões com a aristocracia protestante alemã. Cresceu, portanto, num ambiente de nobreza reformada, consciente de sua posição e das responsabilidades que o sangue impunha.
Além de Sofia Amália, a família Henrique II de Nassau-Siegen contava com outros três filhos: a irmã Ernestina, e os irmãos Guilherme Maurício, que viria a se casar com Ernestina Carlota de Nassau-Schaumburgo, e Frederico. A vida cotidiana de Sofia Amália nos primeiros anos foi provavelmente marcada pela educação típica das jovens nobres de sua época e região: línguas, música, religião reformada, e o aprendizado das etiquetas e protocolos que governavam a vida nas pequenas cortes protestantes do norte europeu do século dezessete.
O momento mais significativo de sua vida foi o casamento com Frederico Casimiro Kettler, então príncipe hereditário da Curlândia e Semigália, realizado em 25 de outubro de 1675 na cidade de Haia, nos Países Baixos. Ambos tinham vinte e cinco anos na ocasião, o que tornava a união uma paridade tanto de idades quanto de status, já que Frederico Casimiro era filho do duque Jacob Kettler, figura central na história do Ducado da Curlândia, e de Luísa Carlota de Brandemburgo. O casamento realizava, portanto, a função típica que os matrimônios aristocráticos cumpriam no período: fortalecer alianças entre casas nobres de diferentes regiões da Europa.
A Curlândia e Semigália era um ducado vassalo da República das Duas Nações, situada em território que corresponde aproximadamente ao que hoje é o centro e oeste da Letônia. Era um estado de dimensões modestas, mas com uma posição estratégica importante no Báltico e com uma história notável de atividade comercial e marítima, especialmente durante o reinado do duque Jacob Kettler, sogro de Sofia Amália, que havia transformado a Curlândia numa potência mercantil com colônias no Caribe e na África Ocidental. Esse contexto dava ao ducado uma dimensão de sofisticação cultural e política que ia muito além de seu tamanho territorial.
Sofia Amália tornou-se duquesa consorte da Curlândia e Semigália em 1 de janeiro de 1682, quando seu marido Frederico Casimiro assumiu o título ducal após a morte do pai. A ascensão ao posto mais elevado dentro do ducado conferia a ela um papel mais visível na vida cortesã e política do estado, embora a historiografia não tenha preservado registros detalhados de suas atividades específicas nesse cargo. O que se sabe com clareza é que o casal teve cinco filhos, quatro meninas e um menino, numa família numerosa para os padrões da nobreza europeia do período.
O único filho varão, Frederico Kettler, nasceu em 3 de abril de 1682 e faleceu ainda bebê, em 11 de fevereiro de 1683, levando consigo a esperança de uma continuidade direta da linhagem masculina Kettler através de Sofia Amália. As quatro filhas sobreviventes, por outro lado, tiveram destinos que ilustram bem a função matrimonial que as princesas desempenhavam na diplomacia aristocrática europeia. Maria Doroteia Kettler casou com o marquês Alberto Frederico de Brandemburgo-Schwedt; Leonor Carlota Kettler uniu-se ao duque Ernesto Fernando de Brunsvique-Luneburgo; Amália Luísa Kettler tornou-se esposa do príncipe Frederico Guilherme I Adolfo de Nassau-Siegen, num retorno simbólico à casa de origem de sua mãe; e Cristina Sofia Kettler morreu ainda criança, em 1694.
Sofia Amália de Nassau-Siegen faleceu em 25 de dezembro de 1688 em Mitau, atual Jelgava, na Letônia, aos trinta e oito anos de idade, numa data que pela crueldade da coincidência era o Natal cristão. Seu corpo foi sepultado no Palácio de Jelgava, residência ducal que concentrava a vida simbólica do Ducado da Curlândia. Sua morte foi prematura mesmo para os padrões da época, e deixou um marido viúvo que voltaria a se casar, gerando descendência adicional que perpetuaria a linhagem Kettler por mais algumas décadas.
O legado de Sofia Amália está inscrito sobretudo nas trajetórias de suas filhas, cujos casamentos teceram conexões entre as casas de Brandemburgo-Schwedt, Brunsvique-Luneburgo e Nassau-Siegen, contribuindo para a intrincada tapeçaria de alianças dinásticas que caracterizava a aristocracia protestante do norte europeu no final do século dezessete. Sua vida foi breve, mas suas escolhas dinásticas deixaram marcas que se prolongaram por décadas através das gerações seguintes.


