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Qabus bin Said Al Said

Ex-sultão de Omã

5 min01/01/2024
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Em 18 de novembro de 1940, na cidade costeira de Salalá, no sul de Omã, nasceu o homem que se tornaria o mais longevo monarca árabe do século XX. Qabus ibne Said Al Bu Said era membro da décima quarta geração de descendentes do fundador da dinastia Al Bu Saidi, a família que havia estabelecido o sultanato após expulsar os portugueses de Mascate no século XVII. Nascido em uma das famílias mais antigas do Oriente Médio, cresceu em um país que, paradoxalmente, parecia completamente parado no tempo.

Omã sob o sultão Said bin Taimur, pai de Qabus, era um estado feudal em estágio de isolamento quase medieval. As portas das cidades eram fechadas ao anoitecer, a entrada de estrangeiros era proibida, e o país não dispunha de estradas pavimentadas, hospitais modernos ou escolas públicas em número significativo. O sultão Said desconfiava profundamente da modernização e mantinha Omã deliberadamente afastado do mundo externo, sob rígido controle social e religioso.

Qabus recebeu parte de sua formação inicial na Índia, mas foi sua passagem pela Academia Militar de Sandhurst, no Reino Unido, que moldou decisivamente sua visão de mundo. Após concluir os estudos em Sandhurst, serviu por um período com o Exército Britânico na Alemanha, adquirindo experiência militar e uma perspectiva radicalmente diferente sobre o que um Estado poderia e deveria oferecer a seus cidadãos. Quando retornou a Omã, trouxe consigo ideias de transformação que seu pai encarou como uma ameaça direta. Temendo as ambições modernizadoras do filho, o sultão Said mandou prendê-lo, submetendo Qabus a uma espécie de prisão domiciliar que durou anos.

O confinamento não foi eterno. Com apoio de oficiais britânicos que treinavam o Exército Omani — e que compartilhavam a avaliação de que Said bin Taimur havia se tornado um obstáculo ao próprio desenvolvimento do sultanato —, Qabus depôs o pai em 23 de julho de 1970. O golpe foi praticamente incruento. Said foi enviado para Londres, onde viveu seus últimos anos sem interferir nos negócios de Omã. Qabus assumiu o poder e declarou o início do que chamaria oficialmente de "renascimento" de Omã.

O novo sultão assumiu uma concentração excepcional de poderes: acumulou os cargos de premiê, ministro das Relações Exteriores, ministro da Defesa e ministro das Finanças, governando de forma absoluta conforme a tradição do sultanato. O primeiro teste sério veio ainda nos primeiros anos de seu governo, quando uma insurreição comunista armada, patrocinada pelo Iêmen do Sul na região de Dhofar, ameaçava a estabilidade do regime. Qabus a suprimiu com relativa rapidez, contando com assistência militar britânica e iraniana, e consolidou sua autoridade sobre todo o território nacional.

Em 1976, Qabus casou-se com uma prima, Nawal Bint Tariq. O casamento foi dissolvido em 1979 sem produzir descendentes. Qabus nunca voltou a casar, e a ausência de um herdeiro direto tornou-se um ponto permanente de incerteza política ao longo de seu reinado. Ele nunca indicou publicamente um sucessor, deixando ao Conselho de Estado a tarefa de escolher um novo sultão após sua morte — escolha que, pela tradição da família, deveria ocorrer em um prazo de três dias.

Ao longo dos quase cinquenta anos de reinado, Qabus transformou Omã de um dos países mais pobres e fechados do mundo árabe em um estado moderno, com infraestrutura desenvolvida, sistema de saúde acessível e taxas significativas de educação e emprego. A exploração do petróleo, iniciada ainda no governo de seu pai, forneceu os recursos necessários para financiar essa transformação acelerada. O general americano Tommy Franks, em seu livro Soldado Americano, descreveu Qabus como um verdadeiro amigo dos Estados Unidos na luta antiterrorista, ressaltando sua sinceridade e a ausência de agendas ocultas — qualidades raras no labirinto diplomático do Oriente Médio.

A política externa de Qabus foi outro de seus legados mais duradouros. Omã adotou uma posição de equilíbrio cuidadoso entre potências rivais, mantendo relações simultâneas com o Ocidente, com os países árabes, com o Irã e com Israel — uma posição que lhe valeu o papel de mediador em conflitos que outros países não podiam abordar abertamente. Nos anos anteriores a sua morte, o sultanato avançou em direção a uma participação política mais ampla, com eleições para o Conselho Consultivo nas quais as mulheres podiam tanto votar quanto ser candidatas.

Qabus ibne Said faleceu em 10 de janeiro de 2020, aos 79 anos. De acordo com a tradição islâmica, foi sepultado antes do pôr do sol do mesmo dia. Havia sido diagnosticado com câncer de cólon em 2014, mas a causa oficial de sua morte não foi divulgada formalmente. O reconhecimento internacional foi imediato e expressivo: a rainha Isabel II do Reino Unido, os monarcas do Bahrein, Catar, Espanha, Japão e Marrocos enviaram condolências, enquanto o príncipe Carlos, o rei Guilherme Alexandre dos Países Baixos e o rei Abdullah II da Jordânia viajaram pessoalmente a Omã para prestar homenagens. Ao morrer, Qabus era o chefe de Estado que governava há mais tempo no mundo entre todos os que chegaram ao poder por meio de um golpe — um dado que, por si só, sintetiza a singularidade de sua trajetória.

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