Jerônimo Francisco Coelho nasceu em 30 de setembro de 1806, na cidade de Laguna, em Santa Catarina, sendo o segundo filho do major Antônio Francisco Coelho e de Francisca Lina do Espírito Santo Coelho. Seus avós paternos incluíam o capitão-mor de Laguna, que carregava o mesmo nome, e pelo lado materno descendia do alferes de milícia Lino dos Santos. A família era, portanto, profundamente enraizada nas estruturas militares e civis que compunham a elite colonial do Sul do Brasil, e essa herança marcaria os primeiros passos de Jerônimo em direção à vida pública.
Em 1809, quando o menino contava apenas três anos de idade, a família transferiu-se para a Corte do Império, no Rio de Janeiro. A mudança foi acompanhada de perdas precoces: Jerônimo cresceu sob os cuidados quase exclusivos da mãe, após perder o pai e um tio chamado João Francisco Coelho ainda nos primeiros anos de vida. Essa infância marcada pela ausência masculina e pela presença firme da mãe moldou em Jerônimo um caráter resiliente, que mais tarde se revelaria nas arenas políticas e administrativas mais exigentes do Império.
Em dezembro de 1827, Jerônimo casou-se com Emília Carolina da Costa Barros, filha do tenente-coronel Francisco da Costa Barros. O casal construiu uma família de três filhos — Jerônimo Francisco Coelho Júnior, José Francisco Coelho e uma filha — antes que a morte viesse separar o casal. Emília faleceu em 30 de agosto de 1854, deixando Jerônimo viúvo em plena maturidade de sua carreira política.
Antes da vida política, porém, Jerônimo Coelho deixou sua marca na história da imprensa brasileira. Em 28 de julho de 1831, fundou em Desterro — hoje Florianópolis — o jornal O Catharinense, o primeiro periódico da Província de Santa Catarina. A iniciativa foi pioneira em uma região onde a palavra impressa ainda engatinhava, e demonstrou que Jerônimo entendia a imprensa como instrumento fundamental de formação da opinião pública e de debate político. No ano seguinte, fundou ainda um segundo periódico, O Expositor, consolidando sua posição como figura central da cultura letrada catarinense. Nesse mesmo período, tornou-se membro fundador da primeira loja maçônica estabelecida em Desterro, integrando as redes de sociabilidade intelectual e política que caracterizavam a elite ilustrada do Império.
A carreira na Assembleia Legislativa Provincial foi longa e consistente. Jerônimo representou Santa Catarina na 1ª legislatura (1835–1837), na 3ª (1840–1841), na 4ª (1842–1843), na 5ª (1844–1845) e na 6ª (1846–1847). Embora tenha sido eleito para a 2ª legislatura (1838–1839), não chegou a assumir o mandato nessa ocasião. Sua presença constante na representação provincial demonstrava a confiança que os catarinenses depositavam nele, e lhe permitia construir as alianças políticas necessárias para as ambições maiores que o aguardavam.
O auge de sua carreira chegou em 2 de fevereiro de 1844, quando assumiu simultaneamente as pastas do Ministério da Marinha e do Ministério da Guerra do Brasil, no quarto gabinete ministerial do imperador Dom Pedro II. Poucos políticos do Império chegaram a concentrar tanto poder executivo ao mesmo tempo, e o fato de Jerônimo ser catarinense — oriundo de uma das províncias mais afastadas do centro de poder imperial — tornava sua ascensão ainda mais notável. Permaneceu à frente do Ministério da Marinha até 23 de maio de 1844 e do Ministério da Guerra até 26 de maio de 1845, acumulando experiência administrativa que seria fundamental em suas iniciativas seguintes.
Dentre as contribuições mais duradouras de Jerônimo Coelho ao Império está sua atuação determinante para estabelecer as bases da pacificação com os revoltosos da Guerra dos Farrapos, o conflito que havia sacudido o Rio Grande do Sul por mais de uma década. Quando retornou ao Ministério da Guerra em 4 de maio de 1857, no chamado Gabinete Olinda, permanecendo até 11 de julho de 1858, consolidou ainda mais sua reputação de estadista pragmático capaz de administrar crises complexas com firmeza e habilidade.
Como presidente de província, Jerônimo Coelho também deixou registros importantes. Administrou o Grão-Pará de 7 de maio de 1848 a 31 de maio de 1850, período de grande complexidade política na região amazônica, e depois presidiu o Rio Grande do Sul de 28 de abril de 1856 a 8 de março de 1857, em um contexto de reconstituição pós-Farroupilha. Em ambos os casos, demonstrou a capacidade de adaptação a realidades regionais bastante distintas da sua origem sulina.
Em 1846, Jerônimo Coelho participou da demarcação das terras da futura Colônia Dona Francisca, que daria origem à cidade de Joinville, e de parte do território do distrito de Parati, hoje Araquari. Essa atuação na organização do espaço territorial catarinense é mais um capítulo de sua contribuição à formação do Sul do Brasil. Pelos serviços prestados ao Império ao longo de décadas, recebeu as condecorações da Imperial Ordem de São Bento de Avis, na qualidade de comendador, e da Imperial Ordem da Rosa.
O historiador Oswaldo Rodrigues Cabral considerou Jerônimo Coelho o mais destacado político catarinense do século XIX, julgamento que a extensão e a diversidade de sua atuação parecem plenamente justificar. Seu nome foi perpetuado em uma rua no centro de Florianópolis e em uma escola estadual em Laguna, a E.E.B. Jerônimo Coelho, fundada em 1912. Jerônimo Coelho faleceu em Nova Friburgo, no dia 16 de janeiro de 1860, encerrando uma vida que havia atravessado o Império do Brasil desde seus primeiros anos de consolidação até a fase de maior amadurecimento institucional, deixando marcas profundas na história política, cultural e administrativa de Santa Catarina e do país.


