civilizacoes perdidas

Francisco Pizarro

Conquistador espanhol

6 min01/01/2024
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Poucos nomes na história da conquista europeia das Américas carregam o peso de Francisco Pizarro González. Nascido em Trujillo, na Espanha, por volta de 16 de março de 1476, filho ilegítimo de um nobre capitão dos tercios que o abandonou nas escadarias de uma igreja antes de reconhecê-lo, Pizarro passou da humilhação de tratar porcos na juventude para se tornar o homem que derrubou um dos maiores impérios do mundo pré-colombiano. Morreu em Lima, no Peru, em 26 de junho de 1541, assassinado pelos aliados do próprio parceiro que ele havia executado anos antes.

A trajetória de Pizarro começou no anonimato total. Quase analfabeto, seus primeiros passos documentados o mostram como um oficial obscuro na expedição de Vasco Núñez de Balboa pelo Panamá em 1513, o mesmo Balboa que seria o primeiro europeu a avistar o Oceano Pacífico. Naquele período, Pizarro era mais um soldado sem glória nas colônias espanholas da América Central, então chamadas de Castilla de Oro, lutando contra os povos caraíbas sem colher honra ou fortuna. Sua primeira grande responsabilidade, estranhamente, foi prender o próprio Balboa, seu antigo chefe, por ordem do novo governador colonial Pedro Faria em 1517.

O destino de Pizarro se definiu em 1524, quando se associou a Diego de Almagro, outro filho bastardo como ele, e juntos começaram a acalentar planos de conquista depois de ouvirem a narrativa de Pascual de Andagoya. Andagoya havia voltado ferido e sem riquezas de uma expedição para o sul, mas trouxera o relato de um nativo que, apontando naquela direção, descrevera o Peru como um reino onde se comia e bebia em vasilhas de ouro. Aquelas palavras seriam suficientes para mudar o curso da história.

Com o patrocínio obtido por meio do padre Hernando de Luque e do rico comerciante Gaspar de Espinosa, Pizarro se fez ao mar em novembro de 1524 com oitenta homens e quatro cavalos. A expedição foi um fracasso completo: fome, doença e combates com nativos obrigaram-nos a batizar o local de desembarque com o nome desolador de Baía da Fome. Almagro perdeu um olho em um dos confrontos. Voltaram sem nada. A segunda expedição, em novembro de 1526, com 160 homens em dois barcos, chegou mais longe: o piloto Bartolomeu Ruiz cruzou o Equador e, por cerca de 700 quilômetros ao sul, fez o primeiro contato europeu com a civilização inca ao avistar uma grande jangada de vela quadrada com homens e mulheres bem vestidos e ornamentos de ouro. Três índios foram capturados para servir de intérpretes.

A famosa cena da linha na areia aconteceu quando, cercado por soldados exaustos e desanimados que queriam retornar ao Panamá, Pizarro traçou com sua espada um risco no chão e desafiou todos a cruzarem para o seu lado, onde estariam a morte, mas também a fama e a fortuna. Apenas onze espanhóis e um grego aceitaram o desafio. Esse pequeno grupo ficou numa ilhota esperando por meses até que um navio chegou com novos recrutas. Juntos navegaram até o golfo de Guaiaquil e chegaram a Tumbes, o porto inca mais setentrional, onde confirmaram a existência de um vasto império rico em ouro, prata e pedras preciosas.

Para legitimar sua conquista, Pizarro foi à Espanha e diante da corte do rei Carlos V apresentou artefatos de metal, tecidos indígenas e lhamas como prova das riquezas do Peru. Em 26 de julho de 1529, a rainha assinou a capitulação que o nomeava governador e capitão-geral, autorizando formalmente a conquista. Em 1530, voltou ao Panamá com três de seus meios-irmãos, reuniu forças com Almagro e Luque e rumou para o sul. Em setembro de 1532, fundou o primeiro estabelecimento espanhol na costa peruana, San Miguel de Piura, reunindo sessenta e dois cavaleiros e cento e seis infantes.

O dia 16 de novembro de 1532 foi o ponto decisivo. Em Cajamarca, Pizarro aceitou um convite do imperador inca Atahualpa para um jantar e, em um golpe calculado de audácia extrema, emboscou a comitiva imperial, assassinou a guarda de honra e capturou o próprio Atahualpa. Com o imperador como refém, Pizarro conseguiu reunir um resgate em ouro e prata que encheu literalmente um quarto inteiro, mas mesmo assim executou Atahualpa em 1533. No mesmo ano, invadiu Cusco, capital do Tahuantinsuyu, o Império Inca, que se fragmentou sob o peso do choque com os conquistadores e das disputas internas desencadeadas pela derrota.

Convencido de que Cusco ficava demasiado alto no altiplano andino e distante do mar, Pizarro fundou Lima em 18 de janeiro de 1535, cidade que se tornaria a capital do Vice-Reino do Peru e, séculos depois, capital da nação peruana. As resistências incas continuaram por anos, mas foram sendo gradualmente sufocadas. A parceria entre Pizarro e Almagro, porém, se rompeu tragicamente: disputas pelo controle de Cusco levaram à guerra aberta entre os dois antigos sócios. Pizarro derrotou e executou Almagro em 1538.

O desfecho da vida de Pizarro veio pela mão dos partidários do homem que ele próprio mandara matar. Em 26 de junho de 1541, um grupo de seguidores de Almagro invadiu o palácio do governador em Lima e assassinou Francisco Pizarro. Seus restos mortais repousam na Catedral Metropolitana de Lima, na capital do país que ele conquistou à força da ambição, do engano e de uma crueldade calculada. A história o lembra como o conquistador do Peru, título que carrega em iguais medidas a grandeza de uma façanha militar sem precedentes e a tragédia de uma civilização destruída.

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