civilizacoes perdidas

Caito Maia

Empresário brasileiro

4 min01/01/2024
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Antonio Caito Maia Gomes Pereira nasceu em 25 de março de 1969, na cidade de Cotia, na Grande São Paulo, numa família que respirava música. Seu pai era músico, e aquele ambiente sonoro moldou profundamente a sensibilidade do jovem Caito, que cresceu acreditando que seu destino estaria nos palcos e nos estúdios. Essa paixão o levaria a uma jornada que cruzaria fronteiras, revelaria talentos inesperados para os negócios e culminaria na criação de uma das marcas mais reconhecidas da América Latina.

Aos dezoito anos, Caito embarcou para os Estados Unidos com o objetivo de estudar na Faculdade de Música Berklee, em Boston. O sonho era perfeitamente compreensível para quem cresceu imerso no universo musical, e a Berklee era — e ainda é — uma das instituições mais respeitadas do mundo para a formação de músicos populares. Durante esse período americano, Caito circulava entre Boston e a Califórnia, e foi nesse trânsito entre culturas que surgiu o embrião de seu futuro como empresário.

Para complementar o orçamento, Caito começou a trazer óculos da Califórnia para o Brasil e revendê-los aos amigos. O gesto aparentemente casual escondia um instinto comercial aguçado: ele havia percebido que havia uma demanda reprimida no Brasil por produtos com design diferenciado, e que o mercado de acessórios de moda estava longe de ser bem servido. Quando retornou definitivamente ao país, passou a comercializar os óculos no atacado para estabelecimentos multimarcas, testando a escala do negócio antes de arriscar uma operação própria.

A música, entretanto, ainda chamava. Em 1996, Caito fazia parte da banda de rock Las Ticas Tienen Fuego, que chegou a ser indicada para uma categoria do Vídeo Music Brasil, o VMB da MTV Brasil, um dos prêmios mais cobiçados pelos artistas brasileiros da época. A banda realizou turnês pelo Brasil, e Caito viveu como vocalista e guitarrista a experiência de se apresentar ao vivo para plateias que cresciam a cada show. Aquela temporada artística não foi em vão: ensinou sobre palco, sobre comunicação com o público e sobre a importância de criar uma identidade reconhecível — lições que mais tarde transferiria integralmente para o mundo das marcas.

Em 1997, Caito começou a expor seus óculos no Mercado Mundo Mix, em São Paulo, um espaço que reunia criadores independentes e se tornara referência da moda alternativa paulistana. A recepção foi positiva o suficiente para convencê-lo de que havia mercado para uma marca própria com identidade visual forte. Em 1998, deu o passo decisivo: inaugurou a primeira loja da Chilli Beans, na Galeria Ouro Fino, em São Paulo. O nome espirituoso, a identidade visual vibrante e a proposta de tornar os óculos um acessório de moda democrático e desejável distinguiam a marca num mercado dominado por óticas tradicionais.

O crescimento da Chilli Beans foi notável em velocidade e consistência. A estratégia de quiosques em shoppings facilitou a expansão sem os custos de uma rede de lojas convencionais, permitindo que a marca chegasse rapidamente a diferentes cidades e estados brasileiros. O modelo de negócio combinou franquias com lojas próprias, garantindo presença nacional enquanto mantinha o controle sobre a identidade da marca. Décadas depois da inauguração daquela primeira loja, a Chilli Beans somaria mais de novecentos pontos de venda no Brasil e no exterior.

A internacionalização da marca levou a Chilli Beans a países como Portugal, Estados Unidos, Colômbia, Kuwait, Peru, México, Tailândia e países do Caribe, consolidando a empresa como a maior marca de óculos e acessórios da América Latina. Em São Paulo, a loja conceito da Oscar Freire representa o alto da pirâmide do varejo de luxo brasileiro. Nos Estados Unidos, uma das unidades se instalou na Promenade de Santa Mônica, em Los Angeles, endereço frequentado pelas marcas mais desejadas do mundo. Em Lisboa, a capital portuguesa abriga a flagship da marca no continente europeu.

A visibilidade de Caito Maia no ecossistema do empreendedorismo brasileiro ganhou novo impulso com sua participação no programa Shark Tank Brasil, exibido pelo Sony Channel. O programa reúne investidores experientes que avaliam propostas de startups e negócios em estágio inicial, e Caito se tornou um dos jurados mais acompanhados pelo público, combinando o pragmatismo de quem construiu uma empresa do zero com a empatia de quem entende os riscos e as incertezas do empreendedor iniciante. Sua presença no programa contribuiu para popularizar a cultura do investimento-anjo e do empreendedorismo inovador no Brasil.

Em junho de 2021, Caito ampliou sua atuação no universo da comunicação ao assumir a apresentação do programa "Se Parar o Sangue Esfria", voltado ao tema do empreendedorismo, na Rádio 89FM. O título sugestivo sintetizava a filosofia que ele carregava desde os tempos de vendedor ambulante de óculos: parar é retroceder, e o movimento constante é o que mantém vivos tanto os negócios quanto os sonhos. Em 2025, apareceu ainda na nova versão do clássico Vale Tudo, participando como ele mesmo, numa presença que celebrava sua trajetória e sua identidade pública.

A história de Caito Maia é, em essência, a história de alguém que soube transformar uma atividade de sobrevivência num projeto de vida. A bagagem de óculos que trazia da Califórnia para os amigos se tornou, ao longo de décadas de trabalho, uma das marcas mais amadas do Brasil. A Chilli Beans não vende apenas óculos — vende atitude, estilo e a ideia de que acessórios podem ser uma forma de expressão pessoal genuína. E tudo isso começou com um jovem músico que descobriu, entre Boston e São Paulo, que tinha tanto talento para os negócios quanto para as seis cordas de uma guitarra.

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