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Zumbi dos Palmares

Líder quilombola brasileiro

5 min de leitura01/01/2024
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Zumbi, também conhecido como Zumbi dos Palmares (Serra da Barriga, 1655 – Serra Dois Irmãos, 20 de novembro de 1695), foi um líder quilombola brasileiro, o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial. Zumbi nasceu na então Capitania de Pernambuco, em região hoje pertencente ao município de União dos Palmares, no estado de Alagoas.

A palavra zumbi ou Zambi, vem do termo zumbe, do idioma africano quimbundo, e significa fantasma, espectro, alma de pessoa falecida.

O Quilombo dos Palmares, localizado na Capitania de Pernambuco, atual região de União dos Palmares, Alagoas, era uma comunidade, um reino formado por escravos negros que haviam escapado das fazendas, prisões e senzalas brasileiras. Ele ocupava uma área próxima ao tamanho de Portugal. Naquele momento sua população alcançava por volta de trinta mil pessoas.

Zumbi nasceu na Serra da Barriga, Capitania de Pernambuco, atual União dos Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue ao padre missionário português Antônio Melo quando tinha aproximadamente seis anos. Foi batizado pela Igreja Católica com o nome de 'Francisco', Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa.

Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco, cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita pelo líder, mas Zumbi rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi tornou-se o novo líder do quilombo de Palmares.

Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invasão do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destruída e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi traído por António Soares, e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra Dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com vinte guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Em Recife, foi exposta a cabeça em praça pública no Pátio do Carmo, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.

Em 14 de março de 1696, o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei:

Controvérsia sobre Zumbi e o Quilombo dos Palmares

Por se tratar de um personagem do séc XVII cujo registros são esparsos e escritos, na sua maioria, por seus inimigos de guerra, muitos mitos surgiram na figura do Zumbi.

A polêmica mais comentada é que Zumbi teria sido dono de escravos. Tal polêmica foi impulsinada pela publicação do livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil de Leandro Narloch e seu conteúdo foi muito criticado entre historiadores pela falta de evidências.

Não existe suporte documental confiável que indique a existência de escravidão em Palmares. As evidências de que isso teria acontecido consistem de pequenos trechos em relatos que afirmam que escravos que fugiam voluntariamente para os quilombos eram livres e aqueles que eram capturados eram escravos. Ou seja, é possível que houvesse escravos nos quilombos, mas provavelmente em formatos mais próximos da escravidão africana do que a escravidão colonial, predominante na época. A escravidão colonial era comercial, envolvia o tráfico de pessoas para produção de comodities e era condição, na maior parte das vezes, perpétua para os escravizados. Enquanto isso a escravidão africana possuía uma gradação enorme de formas de dependência e esses elementos não eram frequentes.

Assim, teóricos do tema já interpretaram a prática dos quilombos como um conservadorismo africano, que mantinha as práticas culturais e sociais das regiões de origem da África. Assim, existem historiadores que defendem que Zumbi teria escravos.

Outra controvérsia que pode ser apontada é a prática de perseguição e execução dos negros que tentassem sair da comunidade ou comunicar com pessoas consideradas inimigas do quilombo. Tais afirmações encontram mais suporte na documentação. Existem relatos oficiais de assassinatos de quilombolas que tentaram fazer acordos de paz provavelmente não aprovadas pelas lideranças.

Por volta de 1580: africanos de diversas etnias escravizados nos engenhos de açúcar das capitanias de Pernambuco e Bahia no então Estado do Brasil, acompanhados de seus filhos nascidos na América (e que nunca tiveram contato com as culturas e as terras natais de seus pais e avós, exceto por relatos e histórias dos mesmos), fundam na região da Serra da Barriga, após fugir do cativeiro ao qual eram submetidos, o Quilombo dos Palmares. A população de Palmares em pouco tempo já contava com mais de 3 mil habitantes. As principais funções dos quilombos eram a subsistência e a proteção dos seus habitantes, e eram constantemente atacados por exércitos e milícias.

1630: Começam as invasões holandesas em Pernambuco, o que desorganiza a produção açucareira e facilita as fugas dos africanos escravizados e negros descendentes de africanos trazidos algumas gerações antes.

1644: Há uma grande tentativa holandesa de aniquilar o Quilombo de Palmares que, como nas investidas portuguesas anteriores, é repelida pelas defesas dos quilombolas.

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