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William Brydon

Dr. William Brydon (10 de outubro de 1811–20 de março de 1873) era assistente de cirurgião

4 min de leitura01/01/2024
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Em janeiro de 1842, um homem exausto, coberto de feridas e montado num cavalo agonizante chegou às muralhas de Jalalabad, no atual Afeganistão. Seu nome era William Brydon, cirurgião assistente do exército da Companhia Inglesa das Índias Orientais, e ele trazia consigo a notícia mais perturbadora que os defensores da cidade poderiam imaginar: era o único britânico a ter escapado com vida do maior desastre militar que a Inglaterra sofreria em toda a era vitoriana.

William Brydon nasceu em 10 de outubro de 1811 e seguiu a carreira médica militar, tornando-se assistente de cirurgião no serviço da Companhia das Índias Orientais — a poderosa corporação comercial que, na prática, administrava o subcontinente indiano em nome da Coroa britânica. Sua trajetória o levou ao Afeganistão no contexto da Primeira Guerra Anglo-Afegã, conflito iniciado em 1839 quando os britânicos invadiram o país para instalar no poder um governante favorável a seus interesses e bloquear uma eventual expansão russa em direção à Índia. Por alguns anos, o exército britânico manteve uma presença relativamente estável em Cabul, a capital afegã, mas a situação foi se deteriorando rapidamente diante da resistência crescente das tribos locais.

No final de 1841, um levante popular em Cabul resultou no assassinato do enviado britânico Sir Alexander Burnes e de outros oficiais. O general William Elphinstone, que comandava as forças britânicas na cidade, optou por uma negociação que se revelaria fatal: em troca de uma retirada segura, os britânicos abandonariam Cabul e marchariam em direção a Jalalabad, onde havia uma guarnição inglesa. Em janeiro de 1842, um exército de aproximadamente 4.500 soldados regulares, acompanhado por cerca de 12.000 civis entre auxiliares, serventes, mulheres e crianças, deixou Cabul sob um frio cortante rumo às passagens montanhosas que separavam as duas cidades.

A promessa de passagem segura jamais foi honrada. Ao longo de dias agonizantes, a coluna britânica foi atacada incessantemente por guerreiros afegãos nas passagens estreitas e nos desfiladeiros glaciais. O frio extremo, a fome, o fogo inimigo e o caos organizacional transformaram a retirada numa carnificina. Homens, mulheres e crianças morriam às centenas. Alguns civis foram feitos prisioneiros; a maioria simplesmente pereceu. A resistência organizada foi se dissolvendo à medida que as baixas se acumulavam e as munições se esgotavam.

O último confronto armado significativo ocorreu em Gandamak, onde um pequeno grupo de sobreviventes britânicos tentou uma resistência final antes de ser destruído. Alguns soldados foram feitos prisioneiros, como o capitão Thomas Souter, que sobreviveu envolvendo os estandartes do regimento ao redor de seu corpo para impedir que fossem capturados como troféu — os afegãos o pouparam por supor que homem tão bem vestido valeria um resgate considerável. Mas a grande maioria dos últimos resistentes foi morta naquele dia.

Brydon, sobrevivendo à batalha com ferimentos, montou num cavalo que também estava ferido e galopou para o leste em direção a Jalalabad. Completamente desidratado, exausto e coberto de sangue, chegou às portas da cidade onde foi recebido pelo governador inglês. Os defensores de Jalalabad, que haviam visto fogueiras no horizonte ao longo dos dias anteriores e esperavam notícias da coluna em marcha, ficaram horrorizados ao perceber que aquele homem solitário era tudo que restava de um exército de milhares.

A história de Brydon tornou-se um dos episódios mais célebres — e mais dolorosos — da história militar britânica. A imagem do único sobrevivente chegando exausto à fortaleza foi imortalizada pela pintora Elizabeth Thompson, Lady Butler, em um quadro de grande impacto emocional intitulado "Remnants of an Army" — os restos de um exército. A tela mostra Brydon em seu cavalo agonizante, sozinho diante das muralhas de Jalalabad, simbolizando não apenas uma derrota militar, mas o colapso de uma expedição inteira.

O choque provocado pelo relato de Brydon foi tão profundo que os britânicos hesitaram por anos antes de lançar uma nova campanha no Afeganistão. A Segunda Guerra Anglo-Afegã, que os ingleses eventualmente venceriam, ocorreu décadas depois, numa conjuntura política inteiramente diferente. Mas a memória de Cabul permaneceu como advertência permanente sobre os riscos de aventuras militares em território afegão — uma lição que as gerações seguintes, com frequência, preferiram ignorar.

William Brydon continuou servindo ao exército britânico após sua sobrevivência extraordinária. Participou de outras campanhas, incluindo a defesa de Lucknow durante a grande revolta indiana de 1857, novamente sobrevivendo a condições que ceifaram a vida de muitos ao seu redor. Faleceu em 20 de março de 1873, aos 61 anos, tendo vivido o suficiente para ver o Afeganistão figurar mais de uma vez nos planos militares britânicos. Sua fama, no entanto, reside para sempre naquela manhã de janeiro de 1842, quando um único homem sobre um cavalo moribundo chegou às portas de Jalalabad e disse ao mundo o que havia acontecido com um exército inteiro.

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