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Fernando Augusto Pereira da Silva

Administrador colonial, Portugal

6 min de leitura01/01/2024
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Fernando Augusto Pereira Silva (Messines, 13 de Janeiro de 1871 - Lisboa, 3 de Novembro de 1943), oficial da marinha, administrador colonial e Ministro da Marinha nos últimos governos da Primeira República. Como Ministro da Marinha teve um importante papel na derrota do golpe nacionalista de Sinel de Cordes, intentado a 18 de Abril de 1925. Exercia as funções de Ministro da Marinha, no governo de António Maria da Silva, aquando do golpe de 28 de Maio de 1926.

Fernando Augusto Pereira da Silva nasceu em Messines a 13 de Janeiro de 1871. Foi filho de um oficial do Exército, sendo cedo destinado à carreira militar. Para tal fez estudos preparatórios em Lisboa, ingressando na Escola Naval em 1889.

Fez a sua primeira saída para o mar, ainda como aspirante, em 1893, numa viagem à então África Oriental Portuguesa, escalando diversos portos das possessões africanas portuguesas. Promovido a guarda-marinha a 20 de Julho daquele ano, é destacado para a corveta Rainha de Portugal, então afecta à Divisão Naval do Índico, sediada em Moçambique.

Durante a sua permanência no Índico, dá-se o ressurgimento da resistência à presença portuguesa em Moçambique, com os povos vátua liderados pelo rei Gungunhana, ou Ngungunhane como era conhecido entre os tsongas, a pegarem em armas contra a crescente penetração dos portugueses no seu território. Neste contexto, a recém-criada (município e vila em 1875; cidade em 1887) cidade de Lourenço Marques é ameaçada por forças comandadas pelo régulo Mahazuli, levando a que o grosso das forças navais portuguesas fosse destacado para a sua defesa.

A bordo da Rainha de Portugal, Pereira da Silva chega à baía de Lourenço Marques a 9 de Setembro. O primeiro ataque ocorreu na noite de 23 de Setembro, sendo rechaçado mas com grandes baixas de parte a parte. Os ataques sucederam-se durante o mês de Outubro, apenas cessando com a chegada da expedição de socorro entretanto enviada de Lisboa.

Promovido a segundo-tenente em 7 de Dezembro de 1895, depois de uma passagem pela fiscalização e defesa costeira metropolitana, Pereira da Silva regressa a Moçambique, assumindo a 23 de Junho de 1896 o comando da a canhoneira Obús, integrando a Esquadrilha do Zambeze.

No ano seguinte é transferido para a Divisão Naval do Atlântico Sul, em Angola, e depois para o Algarve, onde permanece de 1898 a 1901, ano em que é nomeado encarregado do serviço de electricidade do novel cruzador Rainha D. Amélia.

No Rainha D. Amélia participa na viagem real aos Açores e Madeira, acompanhando o rei D. Carlos e a rainha D. Amélia no seu périplo triunfal pelas ilhas atlânticas, e depois na viagem do príncipe herdeiro às colónias.

Em 1904, depois de concluído o curso de torpedos e electricidade, integra pela primeira vez uma comissão destinada a planear a reorganização naval, mas permanece nela pouco tempo já que em 1905 regressa à guarnição do Rainha D. Amélia. Já primeiro-tenente, assume interinamente o comando do Rainha D. Amélia e depois do D. Estefânia, então desarmado e fundeado permanentemente no Douro a servir como escola de marinharia.

Já colocado em Lisboa, quando eclode a Revolução de 5 de Outubro de 1910, assume um papel de neutralidade colaborante com as forças republicanas, recusando-se a intervir em defesa do governo. Esta atitude leva que seja quase de imediato chamado a participar novamente na comissão de planeamento da reorganização naval, da qual foi nomeado presidente a 2 de Novembro de 1910. Participa também nas comissões que estudam a criação de um novo arsenal e a introdução da rádio nas comunicações navais.

Teve um papel relevante na revolta militar de 14 de Maio de 1915 que destituiu o governo do general Joaquim Pimenta de Castro e instalou a efémera "Junta Constitucional de 1915" que governou Portugal até à tomada de posse de governo presidido por José Ribeiro de Castro. Cabe a Pereira da Silva proceder à prisão de Pimenta de Castro, que, acompanhado por ele, recolhe a bordo do cruzador Vasco da Gama. Desta permanência forçada de Pereira da Silva a bordo do Vasco da Gama resultou o estabelecimento de uma sólida relação de amizade com Leotte do Rego, então comandante do navio e figura grada da revolta, que o convidará para imediato.

Iniciada a participação portuguesa na I Guerra Mundial, a partir do início de 1917, então capitão-tenente com o comando do contratorpedeiro Douro, passa a participar em viagens de escolta dos transportes de tropas portuguesas para o teatro de guerra e visita Ponta Delgada onde então se instalava a Base Naval Americana, insistindo em fundear frente à cidade para melhor ressaltar a presença do navio português face aos vasos de guerra norte-americanos atracados no molhe. A 24 de Setembro de 1917 enfrentou um submarino alemão. No termo da guerra recebeu o colar da Ordem da Torre e Espada pelo seu brilhante desempenho.

Na continuação do seu labor de planeamento naval, chefiou a missão destinada à aquisição de cruzadores, cabendo-lhe o comando inaugural do cruzador Carvalho Araújo, o seu último comando de mar.

Tendo granjeado grande reputação na área do planeamento naval e da geoestratégia, depois de funções no estado-maior naval, é convidado por Álvaro de Castro para o lugar de Ministro da Marinha, cargo que assume a 18 de Dezembro de 1923.

Como ministro da marinha, apesar da crescente instabilidade política e social que se vivia em Portugal, desencadeia um plano de reformas, alicerçado nos seus anteriores estudos na área do planeamento naval, que lhe granjeiam grande respeito entre os militares e entre os políticos. Tal explica o extraordinário feito de se ter mantido no cargo de Ministro da Marinha de 1923 a 1926, pertencendo a sete governos consecutivos diferentes, apenas terminando o seu mandato com o golpe de 28 de Maio de 1926.

Neste período a Marinha destaca-se pelo seu dinamismo e pelas proezas alcançadas: criação de uma força aeronaval coerente, exercícios e manobras diversas, conjugando forças submarinas, de superfície e aéreas, e ainda a aquisição e completamento de algumas unidades navais, feito notável dada a crise permanente em que Portugal vivia. Foi notável a reorganização das forças navais nas colónias, com a criação da Divisão Naval Colonial que em Agosto de 1924 iniciou, com intensa cobertura mediática, um périplo de África que se prolonga até Junho do ano seguinte.

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