Na madrugada de 16 de janeiro de 2017, um Boeing 747-400F da empresa de carga aérea turca MyCargo Airlines aproximava-se do Aeroporto Internacional de Manas, em Bisqueque, capital do Quirguistão, para uma escala de rotina. A aeronave operava o voo Turkish Airlines 6491, uma rota internacional de carga que partia do Aeroporto de Chek Lap Kok, em Hong Kong, com destino ao Aeroporto de Atatürk, em Istambul. Era uma operação comum para aquela rota comercial, mas as condições meteorológicas sobre Bisqueque naquele início de manhã não eram propícias para um pouso seguro.
O Boeing 747-400F envolvido no acidente era registrado como TC-MCL e carregava o número de série 32.897. Trata-se de uma aeronave de grande porte, concebida especificamente para o transporte de cargas pesadas em longas distâncias, derivada da família 747 que revolucionou a aviação comercial a partir dos anos 1970. Aquele exemplar havia acumulado um total de 45.000 horas de voo até junho de 2016 e havia sido originalmente operado pela Singapore Airlines Cargo antes de passar para a frota da MyCargo Airlines. Embora a companhia proprietária fosse a MyCargo Airlines, a aeronave operava sob a gestão administrativa da Turkish Airlines, razão pela qual o voo recebia a designação da companhia aérea turca.
Às 7h31min no fuso horário local, a aeronave iniciou a aproximação ao aeroporto. Uma névoa espessa cobria a área, comprometendo gravemente a visibilidade. Diante das condições adversas, os pilotos tentaram executar uma arremetida — o procedimento de abortagem do pouso e subida novamente para uma nova tentativa —, mas a manobra falhou. O avião não conseguiu ganhar altitude suficiente e colidiu com o solo pouco depois, despenhandose sobre Dacha-Suu, uma vila residencial localizada a cerca de dois quilômetros a oeste do aeroporto.
O impacto foi devastador para a comunidade que dormia nas casas atingidas. Pelo menos 32 residências foram destruídas ou gravemente danificadas. Os quatro tripulantes da aeronave morreram no acidente. Em terra, 33 moradores da vila perderam a vida, entre eles homens, mulheres e crianças que não tinham qualquer envolvimento com a operação aérea. Outras quinze pessoas sofreram ferimentos, incluindo seis crianças. O total de vítimas fatais — quatro tripulantes e trinta e três moradores — fez do acidente um dos mais letais ocorridos no Quirguistão em décadas.
Os serviços de emergência quirguizes responderam rapidamente ao local, mas encontraram uma cena de destruição intensa. As investigações sobre as causas do acidente foram conduzidas pelas autoridades do Quirguistão com apoio de especialistas em aviação. A névoa espessa que cobria a área no momento da aproximação foi identificada como fator central para a sequência de eventos que culminou na tragédia, embora investigadores buscassem determinar também se havia falhas nos sistemas da aeronave, nos procedimentos seguidos pela tripulação ou nas condições do aeroporto para operar em visibilidade reduzida.
O acidente com o voo Turkish Airlines 6491 reacendeu debates sobre os protocolos de segurança em aeroportos localizados em regiões de condições meteorológicas imprevisíveis e sobre os padrões de treinamento de tripulações para situações de baixa visibilidade. O Aeroporto de Manas fica em altitude elevada e está sujeito a variações bruscas de neblina e nevoeiro, especialmente durante os meses de inverno. A tragédia de Bisqueque foi lembrada como um dos acidentes aéreos mais dolorosos da década de 2010 naquela região da Ásia Central, não apenas pela perda de tripulantes, mas sobretudo pelo número de civis que morreram sem nunca ter estado próximos de um avião.

