tragedias

Edith Frank

Mãe de Anne Frank

4 min de leitura01/01/2024
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Edith Holländer nasceu em 16 de janeiro de 1900, e cresceu numa família judaica alemã de classe média na cidade de Aachen. Mulher de sua época, foi criada para valorizar a vida doméstica, a educação dos filhos e os vínculos familiares — valores que ela defenderia com uma tenacidade quase sobre-humana até os últimos dias de sua curta vida. Casou-se com Otto Frank, um comerciante judeu alemão de Frankfurt, com quem teria duas filhas: Margot, nascida em 1926, e Anne, nascida em 1929. Edith Frank viveria apenas quarenta e quatro anos, mas o legado de sua família mais jovem ecoaria por gerações.

A Alemanha dos anos 1930 foi se tornando um lugar cada vez mais hostil para os judeus. Com a ascensão de Adolf Hitler ao poder em 1933, leis discriminatórias foram se multiplicando, o antissemitismo foi sendo institucionalizado e a vida cotidiana das famílias judaicas foi sendo estreitada por restrições econômicas, sociais e legais. Prudente, Otto Frank tomou a decisão de emigrar com a família para Amsterdã, nos Países Baixos, onde estabeleceu um negócio de especiarias e pectinas. Edith acompanhou o marido nessa mudança radical, deixando para trás a Alemanha natal, amigos, parentes e tudo que conhecia. Por alguns anos, a família Frank construiu uma vida razoavelmente estável na Holanda.

A invasão nazista dos Países Baixos em maio de 1940 destruiu essa relativa segurança. As mesmas leis que haviam perseguido os judeus na Alemanha começaram a ser aplicadas em território holandês com crescente severidade. Em julho de 1942, quando Margot recebeu uma convocação para um campo de trabalho forçado, Otto Frank acionou um plano que vinha preparando secretamente: a família se escondeu num anexo oculto nos fundos do prédio onde ficava seu escritório, no número 263 da Prinsengracht. Edith, Otto, Margot e Anne foram seguidos por outros quatro refugiados judeus, formando um grupo de oito pessoas que viveria em confinamento absoluto por mais de dois anos.

Naquele esconderijo apertado, sem poder sair, sem poder fazer barulho durante o horário de trabalho, vivendo com o medo constante de uma denúncia, Edith Frank exerceu o papel de mãe com dignidade e silenciosa determinação. As relações no esconderijo eram tensas — oito pessoas de temperamentos distintos confinadas num espaço mínimo por meses a fio —, e o diário que a jovem Anne mantinha registrou com franqueza as fricções cotidianas, incluindo a distância emocional que a adolescente sentia da própria mãe. Anne preferia abertamente o pai, com quem sentia maior afinidade intelectual, e escreveu passagens críticas sobre Edith. Mas o diário também registrava uma mulher que abria mão de sua própria ração de comida para alimentar as filhas.

Em 4 de agosto de 1944, após uma denúncia anônima cujo autor nunca foi definitivamente identificado, a Gestapo e a polícia holandesa invadiram o esconderijo. Os oito refugiados foram detidos e levados para interrogatório. Edith, Margot e Anne foram separadas de Otto e deportadas para o campo de Westerbork, nos Países Baixos. Em setembro de 1944, foram transferidas para Auschwitz-Birkenau, na Polônia ocupada, o maior e mais letal complexo de extermínio erguido pelos nazistas.

Em Auschwitz, Edith Frank encontrou num instinto materno sua última linha de defesa contra o aniquilamento. Ela distribuía às filhas as rações de pão que conseguia, sacrificando a própria subsistência para tentar mantê-las vivas. Em outubro de 1944, Margot e Anne foram transferidas para o campo de Bergen-Belsen, na Alemanha. Edith ficou para trás, em Auschwitz, sem saber o destino das filhas. A separação foi um golpe devastador do qual ela nunca se recuperou. Debilitada pela fome, pelo frio e pelo desespero, Edith Frank morreu em 6 de janeiro de 1945, dez dias antes de completar quarenta e cinco anos e apenas três semanas antes da libertação de Auschwitz pelas tropas soviéticas.

Otto Frank foi o único dos oito refugiados do esconderijo a sobreviver à guerra. De volta a Amsterdã, recebeu o diário que Anne havia escrito entre 1942 e 1944 e, movido pelo desejo de honrar a memória da filha, providenciou sua publicação. "O Diário de Anne Frank" saiu em 1947 e se tornou um dos documentos mais lidos e traduzidos do século XX, um testemunho devastador da brutalidade do Holocausto visto pelos olhos de uma adolescente. A figura de Anne dominou o imaginário coletivo, mas por trás de cada página havia também a presença silenciosa de Edith Frank, a mãe que doou a própria vida para que as filhas tivessem uma chance a mais de sobreviver.

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