tragedias

Günther Prien

Soldado alemão

4 min de leitura01/01/2024
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Günther Prien nasceu em 16 de janeiro de 1908, na cidade de Osterfeld, e desde cedo demonstrou fascínio pelo mar. Antes de ingressar na Marinha alemã, acumulou experiência como marinheiro em navios mercantes, o que lhe forneceu uma compreensão prática das águas oceânicas que poucos oficiais possuíam. Em 1931, alistou-se na Kriegsmarine, a marinha de guerra do Terceiro Reich, iniciando uma trajetória que o transformaria em um dos submarinistas mais temidos e celebrados da Segunda Guerra Mundial.

Quando o conflito irrompeu em setembro de 1939, Prien já havia alcançado o posto de capitão-tenente e assumia o comando do submarino U-47. Os primeiros meses de guerra no Atlântico foram intensos para os comandantes de U-boat, que trabalhavam para cortar as rotas de abastecimento marítimo entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha numa campanha que ficaria conhecida como a Batalha do Atlântico. Nesse contexto de crescente pressão naval, Prien foi encarregado de uma missão considerada praticamente impossível por seus próprios superiores.

Em 13 de outubro de 1939, o U-47 partiu para o que seria seu feito mais audacioso. Scapa Flow, nas ilhas Órcadas ao norte da Escócia, era a principal base naval britânica, um ancoradouro natural rodeado de ilhas cujas passagens eram protegidas por blocos de concreto, redes metálicas e uma constante patrulha. Na Primeira Guerra Mundial, submarinistas alemães já haviam tentado penetrar naquelas águas e fracassado. A Royal Navy considerava o local virtualmente inexpugnável para qualquer embarcação submersa.

Na madrugada de 14 de outubro de 1939, aproveitando as correntes, a escuridão e um momento de descuido britânico, Prien guiou o U-47 pela estreita passagem de Kirk Sound, navegando parcialmente na superfície para aproveitar os ventos favoráveis. A aurora boreal iluminava esporadicamente o céu, tornando a operação ainda mais tensa. Dentro da baía, o comandante avistou as silhuetas imponentes dos navios britânicos ancorados. Com metodica frieza, lançou torpedos contra o encouraçado HMS Royal Oak, um navio de 29 mil toneladas que afundou em poucos minutos, levando consigo mais de 800 marinheiros. O HMS Repulse também foi atingido e ficou seriamente danificado. Antes que qualquer contramedida eficaz pudesse ser organizada, o U-47 já escapava discretamente pelo mesmo canal por onde entrara.

O retorno de Prien à base naval alemã em Wilhelmshaven foi recebido com euforia. Adolf Hitler em pessoa convocou o submarinista e sua tripulação a Berlim, onde entregou ao comandante a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro em 18 de outubro de 1939, uma das mais prestigiosas condecorações militares do Reich. Para o regime nazista, o episódio de Scapa Flow tinha valor incalculável como propaganda, demonstrando a ousadia e superioridade técnica alemã frente à poderosa marinha britânica. Prien tornou-se um herói nacional da noite para o dia, com seu rosto estampado em cartazes e jornais por toda a Alemanha.

Após essa façanha, o U-47 adotou como emblema um touro bufando, símbolo que rapidamente se tornou lendário. A imagem foi posteriormente incorporada ao brasão da 7ª Flotilha de Submarinos Alemães, tornando-se um símbolo duradouro do espírito de combate dos U-boats. Nos anos seguintes, Prien continuou a acumular vitórias nas águas do Atlântico, afundando ao todo 31 navios aliados durante sua carreira. Ele integrou o seleto grupo dos chamados "ases" dos submarinos, ao lado de nomes como Otto Kretschmer e Joachim Schepke, figuras que os Aliados procuravam neutralizar com urgência crescente.

Em outubro de 1940, Prien recebeu as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro, distinção conferida a apenas os mais bravos combatentes alemães. Mas a fortuna da guerra começava a mudar. À medida que os britânicos aprimoravam suas técnicas antisubmarinas, com o uso de ASDIC, aviões patrulheiros e contratorpedeiros cada vez mais eficazes, as missões dos U-boats tornavam-se progressivamente mais perigosas.

Em 7 de março de 1941, o U-47 operava nas águas geladas próximas à Islândia quando foi detectado pelo contratorpedeiro britânico HMS Wolverine. O navio de guerra britânico rastreou o submarino com seu equipamento acústico e lançou uma série de cargas de profundidade. Poucos minutos depois, destroços e manchas de óleo subiram à superfície, confirmando o afundamento do lendário U-47. Günther Prien, com apenas 33 anos de idade, morreu com toda a sua tripulação naquelas águas frias do Atlântico Norte.

A morte do maior herói submarino da Alemanha nazista foi um golpe tão duro para o moral da Kriegsmarine que o almirante Karl Dönitz, comandante dos submarinos alemães e admirador pessoal de Prien, decidiu ocultar a notícia do público alemão por quase dois meses, só divulgando-a oficialmente em maio de 1941. Dönitz temia o impacto psicológico que a morte do "Touro de Scapa Flow" poderia ter sobre a população e sobre os demais submarinistas em missão.

O legado de Günther Prien na história naval da Segunda Guerra Mundial é complexo. Sua habilidade técnica e coragem foram indiscutíveis, mas essas qualidades estiveram a serviço de uma guerra de destruição que custou milhares de vidas de marinheiros aliados. O ataque a Scapa Flow permanece como um dos episódios mais ousados da guerra submarina, estudado até hoje em academias navais ao redor do mundo. Na Alemanha do pós-guerra, sua memória foi tratada com a ambivalência típica reservada a figuras que demonstraram valor pessoal dentro de uma causa moralmente comprometida.

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