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Tobe Hooper

Willard Tobe Hooper (Austin, 25 de janeiro de 1943 — Sherman Oaks, 26 de agosto de 2017)

5 min de leitura01/01/2024
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Willard Tobe Hooper nasceu em Austin, no Texas, em 25 de janeiro de 1943, numa época em que o cinema americano ainda não havia descoberto o potencial perturbador do terror moderno. Desde criança, aos nove anos, já demonstrava fascínio pelo universo cinematográfico, absorvendo tudo o que via nas telas com olhos atentos e uma imaginação que logo seria canalizada para projetos cada vez mais ousados. Essa paixão precoce foi o ponto de partida de uma carreira que redefiniu os limites do horror no cinema.

Antes de se tornar cineasta, Hooper percorreu um caminho pouco convencional. Durante a década de 1960, lecionou cinema na Faculdade de Austin, no Texas, instituição onde ele próprio havia se formado. Paralelamente, trabalhou como cameraman e fotógrafo em documentários, acumulando experiência técnica e visual que se revelaria fundamental em sua trajetória futura. Nessa fase, ele aprendia não apenas a operar câmeras, mas a entender como as imagens produzem emoções no espectador.

Seu primeiro longa-metragem, chamado Eggshells, foi produzido em 1969 e circulou pelo circuito universitário, rendendo prêmios, mas sem alcançar salas comerciais. Foi um laboratório, uma forma de Hooper testar ideias e desenvolver uma linguagem própria. Poucos imaginavam que aquele jovem diretor texano estava prestes a criar uma das obras mais influentes e perturbadoras da história do cinema de terror.

Em 1974, Hooper lançou O Massacre da Serra Elétrica, um filme que seria estudado e debatido por décadas. Parcialmente inspirado no assassino em série Ed Gein, o filme foi realizado com um orçamento de apenas 140 mil dólares, cifra modestíssima para qualquer produção cinematográfica. O resultado, porém, foi uma obra de impacto visceral que transcendeu completamente suas limitações financeiras. O filme arrecadou quase 40 milhões de dólares ao redor do mundo, uma performance extraordinária para a época.

A reação ao filme foi intensa e polarizada. Vários países proibiram sua venda e exibição. Nos Estados Unidos, recebeu a classificação NC-17, impedindo sua exibição para menores de dezessete anos. Paradoxalmente, a censura amplificou a curiosidade do público, transformando o filme em objeto de culto. Hooper havia criado algo que incomodava profundamente, que invadia territórios que o cinema convencional hesitava em explorar. Muitos críticos e estudiosos o consideram o pai do subgênero slasher, pelo modo como estruturou a gramática visual de perseguição, terror e sobrevivência que se tornaria marca registrada do gênero.

Hollywood percebeu o potencial de Hooper. Em 1977, ele produziu Eaten Alive, sobre um zelador de motel que alimentava jacarés com seres humanos. Em 1979, trabalhou em uma adaptação televisiva do romance Salem's Lot, de Stephen King, obra que havia ganho o prêmio World Fantasy Award de Melhor Romance em 1976. A minissérie consolidou sua reputação como um diretor capaz de sustentar a tensão ao longo de narrativas mais extensas.

O ano de 1981 trouxe Pague para Entrar, Reze para Sair, para a Universal Pictures, um filme sobre jovens presos dentro de um parque de diversões que testemunham um assassinato e são perseguidos pelo criminoso. A obra foi precursora de toda uma linhagem de filmes ambientados em espaços macabros de lazer, um filão que seria explorado exaustivamente nas décadas seguintes.

O pico da carreira comercial de Hooper chegou com Poltergeist, em 1982, produzido em parceria com Steven Spielberg. O filme alcançou três indicações ao Oscar e tornou-se um dos grandes sucessos do cinema de terror da década, misturando suspense sobrenatural com a dinâmica de uma família suburbana comum. Até hoje, a produção carrega consigo histórias sobre a chamada maldição do elenco, referindo-se às mortes de quatro atores ligados à trilogia durante ou após as filmagens.

Nos anos seguintes, Hooper trabalhou com os produtores israelenses Menahem Golan e Yoram Globus, participando de produções como Força Sinistra, em 1985. Em 1986, tentou reviver o sucesso do filme que o tornara famoso com a sequência O Massacre da Serra Elétrica 2, mas o resultado não repetiu o impacto do original. Hooper foi honesto ao mudar o tom, apostando em uma abordagem mais cômica e exagerada, mas os fãs do terror puro ficaram divididos.

A partir dos anos 1990, sua carreira transitou entre o cinema e a televisão, com projetos de menor visibilidade comercial, mas não necessariamente de menor interesse artístico. Trabalhou em episódios de séries como Contos da Cripta e outros antologias de terror que foram importantes para sua geração. Em 2003, colaborou com o produtor Michael Bay na reescrita do roteiro e na produção do remake de O Massacre da Serra Elétrica, retornando ao universo que o havia colocado no mapa.

Tobe Hooper morreu em Sherman Oaks, na Califórnia, em 26 de agosto de 2017, aos 74 anos. Sua contribuição ao cinema vai além de títulos específicos: ele ajudou a construir uma linguagem visual para o terror que foi absorvida por gerações de cineastas. Franquias como Sexta-Feira 13 e Jogos Mortais são herdeiras diretas do ultrarrealismo perturbador que Hooper inaugurou naquele modesto filme texano de 1974. O diretor de Austin deixou um legado que continua a assombrar.

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