O nome de Thomas Tuchel voltou ao centro das atenções do futebol mundial desde que ele assumiu um dos cargos mais cobiçados e pressionados do esporte: o comando da seleção da Inglaterra. Nascido em Krumbach, na Alemanha, em 29 de agosto de 1973, o treinador chegou ao posto com a fama de tático refinado e vencedor, construída em alguns dos maiores clubes da Europa. Com a Copa do Mundo no horizonte, cada decisão sua passou a ser esmiuçada.
A carreira dentro de campo, no entanto, ficou muito longe do brilho que teria no banco. Tuchel atuava como zagueiro e passou pelas categorias de base de clubes alemães antes de estrear como profissional. Foram passagens discretas, culminando em algumas temporadas em divisões inferiores, até que uma grave lesão o obrigou a encerrar a carreira aos 25 anos, ainda muito jovem. O fim precoce como atleta acabou empurrando-o para o caminho que o tornaria célebre.
A transição para a beira do gramado começou nas categorias de base. Ele comandou equipes juvenis, trabalhou como assistente e coordenador em clubes alemães, colecionando títulos nacionais em diferentes faixas etárias. Foi um período de aprendizado silencioso, em que aprimorou o olhar tático e a capacidade de desenvolver jovens, marcas que o acompanhariam por toda a trajetória profissional.
O salto para o time principal veio no Mainz 05, onde havia conquistado um título com a equipe sub-19. Na primeira temporada no comando dos profissionais, terminou em posição intermediária; na seguinte, chamou a atenção ao vencer as seis primeiras partidas do campeonato alemão, incluindo um triunfo sobre o poderoso Bayern de Munique. Ainda assim, deixou o clube antes do fim do contrato, encerrando um ciclo de forma inesperada.
Seguiu-se a passagem pelo Borussia Dortmund, a partir de 2015, com contrato de três temporadas. Foi ali que o treinador ganhou projeção internacional, consolidando um estilo de jogo ofensivo e bem organizado, antes de deixar o clube em 2017. O trabalho o credenciou para desafios em ligas mais ricas e competitivas, e o convite seguinte viria de fora da Alemanha.
No Paris Saint-Germain, aonde chegou em 2018, Tuchel alcançou um feito inédito para o clube francês: levá-lo pela primeira vez a uma final da principal competição europeia de clubes, na temporada 2019–20. O time acabou vice-campeão, derrotado justamente pelo Bayern, mas o desempenho reforçou sua reputação. Mesmo assim, poucos meses depois, no fim de 2020, o clube optou por rescindir o contrato.
A reviravolta foi rápida e triunfal. Menos de um mês após deixar Paris, ele foi anunciado pelo Chelsea e, em pouco tempo, conquistou a mais importante taça de clubes do continente, ao vencer o Manchester City na decisão por 1 a 0. Foi o auge de sua carreira até então, transformando um trabalho de emergência em uma das maiores glórias recentes do clube londrino.
A passagem pela Inglaterra, porém, teve fim conturbado. Após um início irregular na temporada seguinte e uma derrota na estreia da competição continental, Tuchel foi demitido justamente em seu centésimo jogo à frente da equipe, encerrando um ciclo que havia começado de forma vitoriosa. O episódio mostrou como o futebol de elite pode ser implacável mesmo com treinadores recém-campeões.
O retorno à Alemanha aconteceu em 2023, quando assumiu o Bayern de Munique no lugar de um ex-jogador seu. Logo garantiu mais um título nacional, ampliando a hegemonia do clube na liga alemã e somando outra conquista à sua coleção pessoal. A temporada seguinte, porém, foi marcada por tropeços e eliminações, e a parceria terminou de comum acordo, encerrando de forma melancólica uma passagem que começara promissora.
O convite para dirigir a seleção inglesa, oficializado no fim de 2024 com vínculo válido até a Copa do Mundo, colocou Tuchel diante de uma missão histórica e delicada, ao assumir o comando de uma das seleções mais tradicionais do mundo. É essa combinação de currículo vitorioso, estilo marcante e a responsabilidade de liderar a Inglaterra em um Mundial que mantém seu nome entre os mais comentados sempre que o assunto é futebol de seleções.
