Poucos treinadores dividem tanto opinião e despertam tanta paixão quanto Jorge Jesus. Nascido na Amadora, em 24 de julho de 1954, o português construiu uma das carreiras mais longas e vitoriosas do banco de reservas e, agora à frente da seleção de Portugal, volta a ocupar o centro das conversas do futebol. Sua trajetória é a de quem subiu degrau por degrau, dos campos modestos às maiores decisões do continente.
Antes de comandar equipes, ele foi jogador. Médio de origem, iniciou a carreira em 1973 e passou por mais de uma dezena de clubes ao longo de dezessete anos, incluindo várias temporadas na primeira divisão portuguesa. Foi uma trajetória sólida, ainda que sem o brilho que teria depois como técnico, encerrada no fim dos anos 1980. Aquela vivência dentro de campo, em diferentes escalões, formaria a base de sua leitura tática apurada.
A estreia como treinador aconteceu em 1990, em um clube pequeno, e já revelou seu talento para fazer equipes subirem de divisão. Comandou agremiações modestas, conquistou acessos e levou o Felgueiras, pela primeira vez, ao principal campeonato português. Nem tudo foram acertos: houve também rebaixamentos e passagens curtas, o tipo de tropeço que costuma acompanhar quem trabalha sob orçamentos apertados e pressão constante.
O nome começou a ganhar peso no Belenenses, entre 2006 e 2008. Logo na primeira temporada, levou o clube a uma final de copa nacional e à qualificação para uma competição europeia, além de uma campanha elogiada mesmo diante de adversários de maior porte. Foi ali que a imprensa passou a enxergá-lo como um treinador capaz de tirar mais de um elenco do que os números sugeriam.
A consagração inicial veio no Braga, na temporada 2008–09, quando conquistou o único título internacional da história do clube até então e emplacou boa campanha continental. O trabalho chamou a atenção do Benfica, que o contratou para dar início ao capítulo mais marcante de sua carreira em Portugal.
No comando do clube de Lisboa, entre 2009 e 2015, Jorge Jesus viveu seus anos de maior glória. Logo no primeiro ano, encerrou um jejum ao conquistar o campeonato nacional, somando ainda outra taça na mesma temporada. Foram títulos em série, além de duas finais de uma importante competição europeia, o que rendeu ao treinador a marca recorde de conquistas pelo clube e o status de um dos técnicos mais vencedores de sua geração.
Nesse período, ele acumulou feitos que entraram para a história do Benfica. Alcançou marcas de vitórias consecutivas que superaram registros antigos e se tornou o treinador com mais triunfos do clube em competições europeias, ultrapassando nomes de peso que haviam passado pelo cargo. A cada temporada, reforçava a fama de ser tão competente quanto polêmico, sempre no olho do furacão.
O capítulo que o tornou ídolo além-mar veio em 2019, quando assumiu o Flamengo. No Brasil, conquistou no mesmo ano os títulos da principal competição de clubes da América do Sul e do campeonato nacional, encantando a torcida com um futebol ofensivo e intenso. Com o troféu continental, tornou-se o segundo técnico europeu a vencer aquela competição e o primeiro português, além de ser o primeiro estrangeiro a receber uma tradicional premiação individual do futebol brasileiro.
O sucesso no Rio de Janeiro ampliou sua reputação para um público que ia muito além de Portugal, transformando-o em figura conhecida e admirada nas duas margens do Atlântico. Duas vezes ele foi apontado entre os dez melhores treinadores de clubes do mundo por uma entidade especializada, reconhecimento que consolidou seu prestígio internacional.
Agora, à frente da seleção portuguesa, Jorge Jesus assume talvez o maior desafio de sua carreira, com a missão de conduzir uma geração talentosa em busca de resultados de expressão. É esse novo posto, somado ao histórico de conquistas e à personalidade forte, que explica por que seu nome volta a circular com tanta força entre torcedores e comentaristas sempre que o futebol de seleções entra em cena.