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Teufique Paxá

Político, Quedivato do Egito

7 min de leitura01/01/2024
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Maomé Teufique Paxá nasceu no Cairo em 1852 e morreu em Heluã em 7 de janeiro de 1892, deixando para trás um reinado de treze anos como quediva do Egito e do Sudão que simbolizou, talvez mais do que qualquer outro, as contradições de um governante titular num país que já não se governava a si mesmo. Era o sexto representante da Dinastia de Maomé Ali a exercer o poder no Egito, e carregou esse legado num momento em que as pressões das grandes potências europeias tornavam a soberania egípcia cada vez mais nominal.

Teufique era o filho mais velho do Quediva Ismail, e sua posição como herdeiro do trono resultou de uma manobra política calculada pelo próprio pai. Em 1866, Ismail obteve que o sultão otomano alterasse a ordem de sucessão, permitindo que o título passasse de pai para filho em vez de seguir para o parente masculino mais velho da linha de Maomé Ali. A mudança visava originalmente permitir a Ismail escolher livremente entre seus filhos aquele que considerasse mais adequado para governar. Mas as grandes potências, incluindo Grã-Bretanha, Alemanha, Áustria-Hungria e o próprio Império Otomano, interpretaram o novo arranjo como aplicável estritamente ao filho mais velho. Teufique, portanto, tornou-se automaticamente o príncipe-herdeiro.

Diferentemente de seus irmãos mais jovens, Teufique não foi enviado à Europa para receber educação. Permaneceu no Egito, aprendendo a administração do país a partir de dentro, e dominou o francês e o inglês com fluência. Por doze anos viveu uma vida monótona numa propriedade perto do Cairo, cultivando uma reputação de bom senso e equilíbrio que parecia prometer um governante estável. Em 1873, casou-se com a princesa Emina Ilhami, filha do príncipe Ibrahim Ilhami, numa cerimônia que consolidou os laços dinásticos.

Em 1878, foi nomeado presidente do conselho após a saída de Nubar Paxá. Exerceu o cargo por apenas alguns meses, mas o período foi suficiente para demonstrar que, embora não fosse particularmente ambicioso ou enérgico, tinha a prudência de se manter afastado das intrigas que consumiam a vida política egípcia. Em 26 de junho de 1879, enquanto tentava manobrar entre as pressões britânicas, francesas e otomanas, seu pai Ismail foi deposto pelo sultão a pedido das potências europeias. No mesmo ato, foi ordenado que Teufique fosse proclamado quediva. Conta-se que, ao receber a notícia, deu um tapa no servo que a trouxe, tão contrariado ficou com a ascensão repentina ao poder.

O Egito que Teufique herdou estava envolto em crise financeira profunda, resultado das políticas de gastos extravagantes de seu pai, e numa atmosfera política instável. O duplo controle exercido por Grã-Bretanha e França havia sido suspenso, mas a influência das duas potências sobre os assuntos egípcios permanecia determinante. Por mais de dois anos, figuras como o major Evelyn Baring, Auckland Colvin e Ernest de Blignières praticamente administraram o país, tentando implementar reformas sem possuir meios de coerção efetivos. Teufique oscilava entre tentar manter alguma aparência de autoridade e ceder às pressões que vinham de todos os lados.

O descontentamento crescente no exército egípcio, alimentado por décadas de humilhações e pela influência estrangeira crescente, culminou no movimento liderado por Urabi Paxá, que conquistou controle total sobre as forças armadas. Em julho de 1882, o almirante britânico Frederick Beauchamp Seymour ameaçou bombardear os fortes de Alexandria caso não fossem entregues a ele. Antes do bombardeio, foi sugerido a Teufique que abandonasse a cidade. Sua resposta revelou um lado de sua personalidade que os críticos raramente mencionavam: "Eu ainda sou o quediva, e continuo com o meu povo na hora do perigo". Ao permanecer em seu palácio enquanto as ruas ardiam, demonstrou uma coragem pessoal que contrastava com sua fraqueza política. Quando soldados amotinados atacaram sua residência, conseguiu escapar pelas ruas em chamas e chegou a outro palácio, onde aceitou proteção britânica.

Após a decisiva batalha de Tel el-Kebir, na qual as forças britânicas derrotaram o exército de Urabi, Teufique retornou ao Cairo. Consentiu com as reformas exigidas pela Grã-Bretanha e assumiu o papel de governante constitucional sob a orientação de Lord Dufferin, o comissário especial britânico. Em 1883, durante a epidemia de cólera que assolou Alexandria, voltou a mostrar coragem pessoal: insistiu em visitar os hospitais e percorrer as áreas afetadas, encorajando os doentes com palavras gentis e de esperança, dando exemplo às autoridades locais.

Em 1884, Evelyn Baring retornou ao Egito como agente diplomático e cônsul-geral britânico, e sua primeira exigência foi que Teufique consentisse com o abandono do Sudão. A decisão era dolorosa, mas Teufique cedeu e fez tudo o que pôde para garantir o sucesso da política ditada por Londres. Com o tempo, sua confiança em Baring cresceu, e ele se submeteu ao agente britânico em quase todas as questões de governo, numa relação que resumia a condição política do Egito da época.

Teufique Paxá morreu em Heluã em 7 de janeiro de 1892, deixando como legado um reinado que nunca foi verdadeiramente seu. Governou um país que as potências europeias consideravam de sua esfera de influência e que o sultanato otomano ainda reclamava como vassalo. Entre essas forças, manteve uma dignidade pessoal que poucos lhe reconheceram em vida, mas que os documentos da época registram com clareza. Seu filho Abbas Hilmi II o sucedeu, herdando um Egito cujo caminho para a independência ainda levaria décadas.

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