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Sydney Brenner

Sydney Brenner (Germiston, 13 de janeiro de 1927 – 5 de abril de 2019) foi um biólogo sul-

7 min de leitura01/01/2024
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Sydney Brenner nasceu em Germiston, na África do Sul, em 13 de janeiro de 1927, numa família de imigrantes judeus. Desde cedo demonstrou uma curiosidade intelectual avassaladora, capaz de transformar qualquer tema em objeto de investigação apaixonada. Essa sede de conhecimento o levaria, décadas mais tarde, a figurar entre os maiores biólogos do século XX e a conquistar o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, em 2002, dividido com H. Robert Horvitz e Sir John E. Sulston.

A trajetória de Brenner começa a ganhar forma quando ele parte para a Universidade da Califórnia, em Berkeley, para realizar seu pós-doutorado, após concluir seu DPhil. Em seguida, instala-se no Laboratório de Biologia Molecular do Medical Research Council, em Cambridge, na Inglaterra, onde permaneceria por cerca de vinte anos. Ali, o jovem cientista sul-africano mergulhou de cabeça num campo ainda nascente, a biologia molecular, que prometia revelar os segredos mais profundos da vida.

Um dos momentos mais marcantes da vida de Brenner ocorreu em abril de 1953, quando ele se tornou uma das primeiras pessoas a contemplar o modelo da dupla hélice do DNA, construído por Francis Crick e James Watson. Junto com Jack Dunitz, Dorothy Hodgkin, Leslie Orgel e Beryl M. Oughton, Brenner viajou de Oxford a Cambridge naquela ocasião histórica. Todos ficaram impressionados. Para o jovem Brenner, porém, a visão foi transformadora: ele logo se aproximaria de Crick, tornando-se seu colaborador no Laboratório Cavendish e, mais tarde, no recém-inaugurado Laboratório de Biologia Molecular do MRC.

Na década de 1960, Brenner realizaria uma série de contribuições que mudariam permanentemente a compreensão da vida. Uma de suas primeiras conquistas foi demonstrar que sequências de codificação genética sobrepostas eram impossíveis, separando assim a função de codificação das restrições estruturais — uma visão que contradizia propostas anteriores, como a do físico George Gamow. Essa percepção foi fundamental para que Francis Crick elaborasse a hipótese do adaptador, conceito que em 1955 Brenner batizou e que mais tarde seria identificado como o RNA de transferência.

Numa conversa em abril de 1960 com Crick e François Jacob, Brenner concebeu o conceito de RNA mensageiro, e junto com Jacob e Matthew Meselson demonstrou sua existência naquele mesmo verão. Tratava-se de uma peça central do quebra-cabeça molecular da vida: a molécula que carrega as instruções do DNA até as fábricas de proteína da célula. Logo depois, em 1961, Brenner colaborou com Crick, Barnett e Watts-Tobin para demonstrar geneticamente a natureza triplete do código de tradução de proteínas, por meio do famoso experimento que revelou as mutações frameshift. Essa descoberta pavimentou o caminho para a completa decifração do código genético, trabalho que seria concluído em parceria com pesquisadores como Marshall Warren Nirenberg.

Brenner colaborou também com Sarabhai, Stretton e Bolle em 1964, usando mutantes defeituosos do bacteriófago T4D para mostrar que a sequência de nucleotídeos de um gene é colinear com a sequência de aminoácidos da proteína que ele codifica. Juntamente com George Pieczenik, Brenner criou a primeira análise de matriz computacional de ácidos nucleicos usando o sistema TRAC. Em parceria com Crick, Klug e Pieczenik, ainda publicou um artigo pioneiro sobre a origem da síntese de proteínas, trabalho notável por reunir três futuros ganhadores do Nobel como coautores.

A virada mais significativa em sua trajetória científica veio quando Brenner decidiu estabelecer um organismo modelo para investigar o desenvolvimento animal e o funcionamento do sistema nervoso. Ele escolheu a lombriga de solo Caenorhabditis elegans, um nematoide de apenas um milímetro de comprimento, com uma biologia surpreendentemente acessível. Transparente, fácil de cultivar em grande quantidade e com um pequeno número de células cujo destino podia ser mapeado com precisão, o organismo era ideal para a análise genética. Brenner identificou genes cruciais rastreando lombrigas com defeitos funcionais como descoordenação, o que levou à descoberta de novas famílias de proteínas, como o conjunto UNC.

Por esse trabalho pioneiro com o C. elegans, Brenner dividiu o Nobel de 2002 com H. Robert Horvitz e John Sulston. Em sua palestra laureada, em dezembro daquele ano, ele intitulou a fala de "Nature's Gift to Science" — "O Presente da Natureza à Ciência" —, uma homenagem ao pequeno nematoide que, segundo ele, havia sido tão importante quanto a escolha dos problemas certos. Nas décadas seguintes, a comunidade de pesquisa do C. elegans cresceu enormemente, ramificando-se por campos como neurociência, envelhecimento e genética do desenvolvimento.

Brenner nunca se limitou a uma única instituição. Em 1976, ingressou no Instituto Salk, na Califórnia. Em 1996, fundou o Instituto de Ciências Moleculares em Berkeley. Em agosto de 2005, foi nomeado presidente do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa. Ao longo das décadas, trabalhou com o Institute of Molecular and Cell Biology de Cingapura, com o Janelia Farm Research Campus, com o Howard Hughes Medical Institute e com o Scripps Research Institute, entre outros.

Além da bancada, Brenner era conhecido por sua sagacidade e humor cortante. Por muitos anos, escreveu na revista Current Biology uma coluna semanal chamada "Loose Ends", tão popular que foi posteriormente compilada em livro. Ele encarava a ciência como uma aventura intelectual, repleta de surpresas, e esse espírito transparecia tanto em seus experimentos quanto em suas palavras.

Sydney Brenner faleceu em 5 de abril de 2019, aos 92 anos. Seu legado é imenso: contribuiu para decifrar o código genético, estabeleceu uma ferramenta modelo que transformou a biologia do desenvolvimento, formou gerações de cientistas e deixou escritos que continuam a inspirar. Poucos cientistas do século XX tiveram impacto tão duradouro em áreas tão distintas da biologia.

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