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Ronaldo Caiado

Médico ortopedista, professor catedrático, político brasileiro e ex-governador do estado de Goiás

6 min de leitura28/07/2026
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Ronaldo Caiado é uma das figuras mais influentes da política brasileira, especialmente em Goiás, onde sua trajetória se confunde com a história do estado. Médico ortopedista, professor universitário e político de carreira longa, ele representa uma das linhagens mais tradicionais do poder no Brasil, a partir de uma família que, há mais de um século, moldou os rumos da política goiana. Seu sobrenome, Caiado, é sinônimo de oligarquia rural e de lideranças que transitam entre o campo e o Estado, um legado que ele carregou desde os primeiros anos de vida em Anápolis, cidade do interior de Goiás onde nasceu em 1949. Filho, neto e sobrinho de políticos e coronéis, herdou não apenas o sobrenome, mas uma cultura de poder que se perpetua há gerações, em um estado onde a política sempre esteve atrelada à posse da terra e à influência das elites agrárias.

A formação acadêmica de Caiado reforça seu perfil multifacetado. Formado em medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro em 1972, ele optou pela ortopedia, especialidade que o levou a atuar tanto na clínica quanto na acadêmica. Nos anos 1970, dedicou-se intensamente à atualização profissional, participando de congressos nacionais e internacionais, inclusive na França, onde se especializou em cirurgia da coluna com o renomado professor Roy-Camille. Essa vivência internacional não apenas ampliou seus horizontes técnicos, mas também expôs Caiado a realidades políticas distintas, algo que mais tarde se refletiria em sua atuação parlamentar. No Brasil, além de lecionar em universidades e hospitais, ele se engajou em debates que iam além da medicina, aproximando-o de causas que iam do desenvolvimento científico à defesa dos interesses rurais.

A entrada na política de Ronaldo Caiado foi impulsionada por sua posição como defensor dos grandes proprietários rurais. Em meados dos anos 1980, quando a reforma agrária ganhou força no governo José Sarney e conflitos de terras começaram a ameaçar as grandes fazendas, ele fundou a União Democrática Ruralista (UDR), entidade que rapidamente se tornou a voz mais combativa dos latifundiários. Como presidente da UDR entre 1985 e 1989, Caiado não apenas organizou a resistência contra as desapropriações, mas também ganhou projeção nacional, transformando-se em um interlocutor obrigatório nas discussões sobre o campo. Essa experiência foi determinante para sua trajetória política, pois consolidou sua imagem como um líder capaz de mobilizar setores conservadores da sociedade brasileira.

Sua estreia na política institucional aconteceu em 1989, quando concorreu à Presidência da República pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN) e obteve menos de 1% dos votos. Embora a campanha tenha sido discreta, ela serviu como um primeiro teste eleitoral e uma oportunidade de ampliar sua visibilidade. Dois anos depois, Caiado foi eleito deputado federal por Goiás, iniciando uma carreira parlamentar que se estenderia por mais de duas décadas. Seu retorno à Câmara, após um mandato interrompido, marcou o início de uma trajetória legislativa marcada por posições firmes, especialmente em pautas relacionadas ao agronegócio e às pautas conservadoras. Nesse período, ele também integrou a bancada ruralista, grupo de parlamentares que, historicamente, defende os interesses da agropecuária no Congresso.

Em 2015, Ronaldo Caiado assumiu o Senado Federal, onde permaneceu até 2019. Durante seu mandato, recebeu o Prêmio Congresso em Foco como melhor senador no primeiro ano de atuação, escolha que reflete não apenas seu desempenho, mas também a afinidade com setores específicos da sociedade. Na Câmara Alta, destacou-se como um dos principais porta-vozes das pautas do setor agropecuário, sempre alinhado à defesa da propriedade privada e à crítica às políticas de reforma agrária. Além disso, exerceu a liderança da bancada do extinto Democratas, consolidando sua posição como uma das figuras mais influentes do chamado "Centrão", bloco de partidos que, historicamente, atua como fiador de governos em troca de benefícios políticos.

Em 2019, Caiado assumiu o governo de Goiás, cargo que ocupou por dois mandatos consecutivos, até março de 2026. Sua gestão foi marcada por uma administração técnica e pragmática, com ênfase em políticas de segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Como governador, ele manteve a imagem de gestor eficiente, especialmente em áreas como saúde e educação, setores nos quais sua formação médica pode ter contribuído para uma abordagem mais técnica. No entanto, sua atuação também foi alvo de críticas, principalmente de setores que o acusavam de priorizar interesses de grandes proprietários rurais e de empresas do agronegócio, em detrimento de políticas sociais mais inclusivas. Em 2023, uma reportagem o classificou como o quarto governador mais rico do Brasil, com um patrimônio declarado de mais de R$ 24 milhões, cifras que reforçam a discussão sobre a relação entre política e riqueza no país.

Atualmente, Ronaldo Caiado é pré-candidato do PSD à Presidência da República para as eleições de 2026. Aos 76 anos, ele representa uma vertente da política brasileira que combina tradição familiar, expertise técnica e conservadorismo ideológico. Sua pré-candidatura não é apenas uma nova tentativa de chegar ao Palácio do Planalto, mas também um reflexo de um projeto político que se mantém vivo há décadas, mesmo em um cenário de transformações sociais e econômicas. Se eleito, ele seria o primeiro governador de Goiás a assumir a Presidência desde o início da redemocratização, um feito que poderia redefinir a geografia política do país.

A trajetória de Ronaldo Caiado é um retrato de como o poder se perpetua no Brasil, muitas vezes ancorado em estruturas familiares e regionais. Desde os tempos de Totó Caiado, seu avô, até os dias de hoje, a família manteve uma presença constante no cenário político goiano e nacional, adaptando-se às mudanças de regime e de sociedade. Ao longo de sua vida, ele transitou entre a medicina, a academia e a política, sempre mantendo um pé na terra — literalmente, dada sua ligação com o agronegócio — e outro no Estado. Essa dualidade é justamente o que torna sua história tão relevante: ele é ao mesmo tempo um homem de ciência e um homem de poder, um profissional respeitado e um político controverso, um defensor das elites rurais e um gestor que busca legitimidade eletiva.

Seja como médico, professor ou governante, Ronaldo Caiado sempre esteve no centro de debates que vão além das fronteiras de Goiás. Sua carreira é um exemplo de como a política brasileira ainda é moldada por dinastias regionais, por interesses econômicos específicos e por uma capacidade de adaptação que permite a sobrevivência de lideranças mesmo em tempos de transformação. Com uma pré-candidatura presidencial em andamento, ele não apenas busca um novo posto, mas também reafirma a permanência de um modelo de poder que, para muitos, representa o atraso, e para outros, a estabilidade. Independentemente do resultado em 2026, sua trajetória já está escrita na história política do Brasil, como um capítulo que mistura tradição, poder e controvérsia.

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