Na manhã ensolarada de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos sofreram o ataque terrorista mais devastador de sua história. Em menos de duas horas, dezenove membros da organização fundamentalista islâmica Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais e os usaram como mísseis contra os símbolos do poder americano. Quase três mil pessoas morreram naquele dia — uma tragédia que não apenas transformaria a política externa americana e global, mas também alteraria profundamente o cotidiano de países ao redor do mundo, introduzindo uma nova era de vigilância, conflito e medo.
O planejamento dos ataques havia levado anos. A Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden e sediada no Afeganistão sob a proteção do regime Talibã, havia realizado ataques anteriores contra alvos americanos — incluindo os atentados contra as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia em 1998 e o ataque ao navio USS Cole no Iêmen em 2000. O plano para os ataques de setembro de 2001 envolveu o recrutamento de pilotos treinados em escolas de aviação americanas, o financiamento por redes internacionais e uma coordenação meticulosa que burlou os serviços de inteligência ocidentais. Em entrevista posterior ao jornalista da Al Jazeera Yosri Fouda, Khalid Sheikh Mohammed e Ramzi Binalshibh confirmaram que planejaram inicialmente atacar instalações nucleares, mas decidiram contra essa opção por temer que os ataques "saíssem de controle".
Na manhã do ataque, dezenove sequestradores embarcaram em quatro voos comerciais de longa distância partindo dos aeroportos de Boston, Newark e Washington. A escolha de voos para a Califórnia foi deliberada: aeronaves carregadas de combustível para viagens transcontinentais teriam muito maior poder de destruição ao colidir contra estruturas. Os sequestradores usaram armas brancas para dominar os passageiros e a tripulação, mataram pilotos e comissários, e assumiram os mancais das aeronaves.
Às 08h46 da manhã, o Voo 11 da American Airlines, que havia partido de Boston com destino a Los Angeles com 87 pessoas a bordo além dos cinco sequestradores, colidiu contra a Torre Norte do World Trade Center em Nova York, penetrando entre os andares 93 e 99. Dezessete minutos depois, às 09h03, o Voo 175 da United Airlines, também saído de Boston, atingiu a Torre Sul entre os andares 77 e 85. As imagens ao vivo da segunda colisão, transmitidas por câmeras já focadas nas Torres após o primeiro impacto, foram assistidas em tempo real por milhões de pessoas ao redor do mundo — um momento de horror coletivo sem precedente na era da televisão.
Às 09h37, o Voo 77 da American Airlines, proveniente do Aeroporto Washington Dulles, atingiu o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa americano, no condado de Arlington, Virgínia. A ala atingida estava passando por reformas, o que reduziu o número de vítimas no edifício, mas ainda assim matou 125 militares e civis, além de todos os 64 ocupantes da aeronave. O quarto avião, o Voo 93 da United Airlines, havia partido de Newark e tinha como destino São Francisco. Após receberem informações por telefone sobre o destino dos outros voos sequestrados, os passageiros votaram e decidiram tentar retomar o controle da aeronave. O subsequente confronto entre passageiros e sequestradores resultou na queda do avião em um campo aberto próximo de Shanksville, na Pensilvânia, às 10h03, impedindo o que se acredita teria sido o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos ou à Casa Branca.
As Torres Gêmeas não resistiram. A Torre Sul desabou às 09h59, menos de uma hora após ser atingida. A Torre Norte cedeu às 10h28. O colapso das estruturas de mais de 400 metros de altura no meio de uma das áreas mais densamente urbanizadas do mundo gerou uma nuvem de fumaça, poeira e destroços que cobriu o centro de Manhattan. Nos escombros, centenas de bombeiros e policiais que haviam entrado nos edifícios para resgatar vítimas foram soterrados. Os esforços de resgate continuaram por dias, mas nenhum sobrevivente foi encontrado após as primeiras horas. No total, 2.977 vítimas foram identificadas, incluindo cidadãos de mais de 70 países.
A resposta americana foi imediata e de longo alcance. O presidente George W. Bush, que estava visitando uma escola na Flórida quando os ataques ocorreram, declarou guerra ao terrorismo em pronunciamento histórico. Em 26 de outubro de 2001, assinou o USA PATRIOT Act, legislação que ampliou dramaticamente os poderes de vigilância do governo sobre cidadãos e estrangeiros. Em 7 de outubro de 2001, os Estados Unidos e seus aliados iniciaram a invasão do Afeganistão para derrubar o regime Talibã e desmantelar as bases da Al-Qaeda — o início de um conflito que se estenderia por décadas.
O impacto econômico foi severo. As bolsas de valores americanas permaneceram fechadas por quase uma semana e registraram quedas históricas ao reabrir. As indústrias aérea e de seguros sofreram danos particularmente graves. O coração financeiro de Lower Manhattan, onde dezenas de bilhões de dólares em ativos, registros e escritórios haviam sido destruídos, levou anos para se recuperar. O turismo nos Estados Unidos caiu abruptamente. A longo prazo, as guerras desencadeadas pelos ataques custariam ao governo americano trilhões de dólares.
A segurança aeroportuária e as práticas de viagem foram transformadas de maneira permanente. Filas de controle de segurança mais longas e invasivas, remoção de sapatos, proibição de líquidos, escâneres corporais e sistemas sofisticados de rastreamento de passageiros tornaram-se a nova normalidade em aeroportos de todo o mundo. A criação do Departamento de Segurança Interna americano (Department of Homeland Security) reorganizou radicalmente o aparato de segurança dos Estados Unidos, fundindo dezenas de agências em uma nova estrutura que empregaria centenas de milhares de funcionários.
A reconstrução do local das Torres Gêmeas, chamado de Ground Zero, tornou-se um processo longo e marcado por debates sobre o que ali deveria ser construído. Em 2006, uma nova torre comercial foi concluída no local — o World Trade Center 7. A Torre One World Trade Center, o arranha-céu mais alto das Américas com 541 metros, foi inaugurada em 2014. O Memorial Nacional do 11 de Setembro, com suas duas piscinas onde as Torres ficavam, foi inaugurado no décimo aniversário dos ataques em 2011. O Memorial Nacional do Voo 93, em Shanksville, foi inaugurado no mesmo ano.
Duas décadas após os ataques, o balanço de suas consequências permanece complexo e em debate. A Guerra ao Terror levou os Estados Unidos ao Afeganistão e ao Iraque, custou mais de sete mil vidas de soldados americanos, centenas de milhares de vidas civis nos países envolvidos, e não resolveu definitivamente a ameaça do terrorismo islâmico radical. O retiro americano do Afeganistão em 2021 e o retorno do Talibã ao poder deram ao ciclo iniciado em 11 de setembro uma conclusão sombria. Os ataques de 2001 transformaram não apenas a geopolítica mundial, mas também a cultura, a literatura, o cinema e o imaginário coletivo de toda uma geração que cresceu na sombra daquele setembro.