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Romeu Zema

Empresário e político brasileiro, ex-governador de Minas Gerais

4 min de leitura29/07/2026
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Romeu Zema Neto é um nome que ganhou projeção nacional na política brasileira como uma figura atípica no cenário tradicional. Nascido em Araxá, Minas Gerais, em 1964, ele herdou não apenas o sobrenome, mas também a trajetória empresarial de sua família, cujas raízes remontam à imigração italiana no século XIX. Fundador do Grupo Zema, uma das maiores redes de varejo e serviços do estado, ele presidiu o conselho administrativo por mais de duas décadas antes de ingressar na política. Formado em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), sua trajetória mistura o universo corporativo com a gestão pública, uma combinação que moldou sua abordagem como governante.

Sua entrada na política aconteceu tardiamente, após décadas dedicadas ao mundo dos negócios. Até então, Zema esteve filiado a partidos como o PL e o PR por quase duas décadas, mas foi pelo Partido Novo que ele decidiu concorrer ao governo de Minas Gerais em 2018. A decisão surpreendeu muitos, já que ele não tinha experiência prévia em cargos eletivos. No entanto, sua campanha foi marcada por um discurso de renovação, alinhado ao momento político nacional, em que a população buscava alternativas ao que considerava uma política desgastada. Seu estilo direto e sua origem empresarial ressoaram entre eleitores insatisfeitos com a polarização entre PT e PSDB, que haviam dominado o estado por 16 anos consecutivos.

A eleição de 2018 foi um marco não só para Zema, mas para todo o cenário político mineiro. Nas pesquisas iniciais, ele aparecia com apenas 3% das intenções de voto, um patamar modesto que contrastava com os principais adversários, como Antonio Anastasia e Fernando Pimentel. Contudo, em um debate televisionado, uma fala sua — na qual mencionou candidatos como Amoêdo e Bolsonaro como opções para quem desejava mudança — acabou impulsionando sua campanha. O diretório nacional do Partido Novo considerou a fala uma quebra de fidelidade partidária, mas o impacto foi positivo. No primeiro turno, Zema obteve 42,73% dos votos, avançando para o segundo turno contra Anastasia. A vitória veio com o apoio de setores que rejeitavam a continuidade do PT, além do crescimento da candidatura de Jair Bolsonaro no pleito presidencial daquele ano.

Seu primeiro mandato, iniciado em janeiro de 2019, foi marcado pela promessa de uma gestão mais enxuta e eficiente, inspirada em modelos de administração privada. Zema assumiu o cargo em uma cerimônia no Palácio da Inconfidência, um detalhe simbólico que reforçou a ideia de rompimento com o passado. No entanto, seu governo não esteve isento de polêmicas. Uma das mais notáveis foi o aumento de 300% em seu próprio salário em 2023, uma decisão que gerou críticas por ser considerada irregular pelo conselho fiscal do estado. Zema justificou a medida como necessária para recompor os vencimentos de secretários, que, segundo ele, estavam abaixo da média de cargos técnicos. Além disso, afirmou que doava integralmente sua remuneração a entidades filantrópicas, embora tenha declarado, após a reeleição, que não havia assumido compromisso público de manter a prática.

Em 2022, Zema buscou a reeleição e conseguiu uma vitória ainda mais expressiva do que a primeira. Com 56,18% dos votos válidos no primeiro turno, ele derrotou Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, consolidando sua posição como uma das lideranças políticas mais influentes do estado. A campanha reafirmou seu perfil de gestor pragmático, com foco em temas como a recuperação fiscal de Minas Gerais, que enfrentava uma grave crise financeira. Seu segundo mandato, entretanto, continuou a ser acompanhado por controvérsias, especialmente em relação à transparência de suas ações e à gestão de recursos públicos.

Fora da política, Zema é um homem de poucos detalhes pessoais expostos ao público. Divorciado e pai de dois filhos, ele mantém um perfil discreto, apesar de sua trajetória pública. Sua ligação com o Grupo Zema — que inclui varejo, combustíveis, concessionárias e serviços financeiros — sempre foi um ponto de atenção, uma vez que poderia gerar conflitos de interesse. Ao longo de seus mandatos, ele afastou-se progressivamente da gestão da empresa, mas a sombra do conglomerado familiar sempre esteve presente, alimentando debates sobre a ética de um governador com interesses empresariais.

Atualmente, Romeu Zema coloca Minas Gerais no radar das eleições presidenciais de 2026. Sua pré-candidatura sinaliza uma ambição nacional, ainda que seu histórico de atuação esteja fortemente ligado ao estado. Se confirmada, sua candidatura representaria mais um capítulo na trajetória de um político que, sem origem partidária tradicional ou trajetória legislativa, conseguiu se inserir no jogo político graças a um contexto de insatisfação popular e ao apelo de um perfil tecnocrata. Seu estilo, que combina o discurso da eficiência empresarial com a linguagem política, continua a gerar debates sobre o futuro da política brasileira, especialmente em um momento em que a população busca alternativas aos partidos consolidados.

A história de Zema é, em muitos aspectos, um reflexo das transformações políticas recentes no Brasil. Ele ascendeu em um cenário de esgotamento das velhas estruturas, aproveitando-se do desejo por mudanças e da rejeição a figuras tradicionais. No entanto, sua trajetória também levanta questões sobre os limites entre o público e o privado, a transparência na gestão pública e a sustentabilidade de modelos de governança inspirados no setor privado. Seja como governador ou como eventual candidato à Presidência, Romeu Zema permanece como um personagem que desafia as convenções, ainda que suas ações continuem a ser analisadas sob lupa.

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