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Roberto Mancini

Treinador e ex-futebolista italiano

4 min de leitura29/07/2026
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Roberto Mancini é uma das figuras mais marcantes do futebol italiano nas últimas décadas, transitando com igual sucesso entre os campos como jogador e as laterais do gramado como treinador. Nascido em Jesi em 1964, ele se tornou um ícone da Sampdoria, clube no qual se transformou no maior artilheiro da história, com 173 gols, e ajudou a construir uma das duplas mais temidas do futebol europeu ao lado de Gianluca Vialli. Naqueles anos 80 e início dos 90, Mancini e Vialli formavam os "gêmeos do gol", uma combinação letal que levou a Sampdoria ao seu único título do Campeonato Italiano em 1991, além de várias Copas da Itália e títulos europeus. Sua habilidade técnica, visão de jogo e capacidade de definição fizeram dele um dos atacantes mais respeitados de sua geração, mesmo que sua passagem pela Seleção Italiana tenha sido mais discreta, com apenas 36 jogos e 4 gols, incluindo participações em Eurocopas e Copas do Mundo.

Apesar de ter conquistado títulos importantes com a Lazio, onde também brilhou nos anos 90, Mancini nunca foi unanimidade na azzurra. Enquanto outros jogadores italianos da época se tornavam símbolos nacionais, ele ficou à sombra de craques como Roberto Baggio e Salvatore Schillaci, mas ainda assim contribuiu para conquistas como a Recopa Europeia e a Supercopa da Itália. Sua carreira como jogador foi marcada por clubes de elite, mas também por uma certa instabilidade, passando por equipes como Bologna e Leicester antes de pendurar as chuteiras. No entanto, foi como treinador que Mancini realmente deixou sua marca, demonstrando uma capacidade de adaptação e liderança que poucos conseguiram igualar.

Sua transição para os bancos começou de forma modesta, com passagens curtas pela Fiorentina e Lazio, mas foi na Internazionale que ele conquistou seu primeiro grande sucesso como técnico. Entre 2004 e 2008, Mancini levou o clube a três títulos consecutivos do Campeonato Italiano, dois títulos da Copa da Itália e duas Supercopas, formando uma equipe competitiva que, no entanto, não conseguiu o mesmo êxito na Liga dos Campeões. Sua demissão em 2008, substituído por José Mourinho, foi um dos momentos mais controversos de sua carreira, mas também serviu como um ponto de virada. Afinal, foi justamente o fracasso europeu que o levou a buscar novos desafios no exterior, onde sua mentalidade vencedora poderia ser testada em outros contextos.

O momento mais emblemático de Mancini como treinador veio no Manchester City, onde ele conseguiu o que muitos consideravam impossível: pôr fim a um jejum de 35 anos sem títulos do clube. Em sua passagem pelos Citizens, entre 2009 e 2013, ele levou a equipe a conquistar a Premier League na temporada 2011-12, além de uma Copa da Inglaterra e uma Supercopa. Seu estilo de jogo, baseado em posse de bola e pressão constante, contrastava com a abordagem mais direta de outros técnicos da época, mas os resultados falaram por si. A conquista do título inglês foi especialmente simbólica, pois mostrou que Mancini não era apenas um treinador de clubes italianos, mas um estrategista capaz de se adaptar a diferentes realidades futebolísticas.

No entanto, nem todos os passos de Mancini foram vitoriosos. Suas passagens pelo Galatasaray, Inter de Milão e Zenit foram curtas e, em alguns casos, terminaram em desentendimentos. No Galatasaray, ele pediu a rescisão do contrato após apenas uma temporada, enquanto no Zenit a saída foi negociada após menos de um ano. Esses episódios revelaram um lado controverso de sua personalidade, marcado por uma certa impaciência e dificuldade em lidar com pressões externas. Mesmo assim, Mancini sempre soube se reinventar, e foi justamente essa resiliência que o levou de volta ao futebol italiano em 2018, quando assumiu o comando da Seleção Italiana.

Como técnico da *Azzurra*, Mancini herdou um time em reconstrução após uma campanha decepcionante na Copa do Mundo de 2014 e um desempenho irregular nas eliminatórias para a Euro 2020. No entanto, ele conseguiu transformar o grupo em uma máquina bem organizada, com uma defesa sólida e um meio-campo criativo. O auge de sua passagem pela seleção veio em julho de 2021, quando a Itália sagrou-se campeã da Eurocopa após uma campanha emocionante, vencendo a Inglaterra na final em Wembley. A conquista reacendeu o orgulho do futebol italiano e coroou Mancini como um dos técnicos mais bem-sucedidos da história recente da *Squadra Azzurra*.

Além de suas conquistas em campo, Mancini também é conhecido por sua personalidade forte e por vezes polêmica. Seu temperamento explosivo já o levou a discussões públicas com jogadores e diretores, mas também demonstrou uma capacidade única de motivar seus comandados. No Al-Sadd, clube do Catar onde assinou recentemente, ele segue buscando novos desafios, provando que, mesmo após décadas no futebol, ainda há espaço para sua experiência e paixão pelo jogo.

Hoje, aos 59 anos, Roberto Mancini é lembrado não apenas como um jogador brilhante, mas como um dos técnicos mais influentes de sua geração. Sua trajetória, que vai da Sampdoria aos gramados do mundo, passando por clubes como Inter, Manchester City e a Seleção Italiana, é um testemunho de sua dedicação e amor pelo futebol. Embora nem todas as suas passagens tenham sido tranquilas, sua capacidade de conquistar títulos e deixar um legado em cada clube que passou é inegável. Para os amantes do esporte, Mancini representa a essência do futebol italiano: talento, paixão e, acima de tudo, uma vontade inabalável de vencer.

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