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Primeira Guerra Mundial

Conflito bélico mundial que ocorreu entre 1914 e 1918

7 min de leitura01/01/2024
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O mundo que existia em julho de 1914 parecia, para muitos de seus habitantes, razoavelmente estável. A Europa havia passado quase um século sem um conflito de grandes proporções entre as potências. O comércio internacional florescia, a ciência e a indústria avançavam, os impérios europeus se estendiam por boa parte do globo. E então, num único mês, aquele mundo desapareceu para sempre.

A centelha imediata foi o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, na Bósnia, em 28 de junho de 1914. O executor foi Gavrilo Princip, um jovem nacionalista sérvio ligado a uma organização secreta que sonhava com a unificação dos povos eslavos do sul. O disparo que matou Francisco Fernando e sua esposa desencadeou uma série de ultimatos, mobilizações e declarações de guerra que, em poucas semanas, arrastou para o conflito praticamente todas as grandes potências da Europa.

Por que um assassinato localizado gerou uma guerra continental? A resposta está no sistema de alianças que havia se cristalizado nas décadas anteriores. A Tríplice Entente reunia a França, a Rússia e o Reino Unido numa aliança defensiva. Do outro lado, a Tríplice Aliança original unia a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália — embora a Itália, alegando que a Áustria-Hungria havia agido como agressor ao atacar a Sérvia, recusasse entrar no conflito pelos Impérios Centrais. Quando a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia em 28 de julho, a Rússia mobilizou-se em defesa dos sérvios eslavos. A Alemanha declarou guerra à Rússia e, dois dias depois, à França. Ao invadir a Bélgica neutra para atacar a França pelo flanco, a Alemanha deu ao Reino Unido o pretexto formal para entrar na guerra.

O plano alemão original — o Plano Schlieffen — previa uma guerra de movimento rápido: derrotar a França em seis semanas, antes que a Rússia pudesse mobilizar plenamente suas forças, e depois concentrar tudo no Leste. O plano falhou quando os franceses, reforçados pelos britânicos e aproveitando-se de falhas na execução alemã, detiveram o avanço na Batalha do Marne em setembro de 1914. A partir daí, ambos os lados cavaram trincheiras que se estenderam por cerca de 700 quilômetros, do Canal da Mancha à Suíça. Essa Frente Ocidental permaneceu substancialmente imóvel até 1918, enquanto centenas de milhares de homens morriam por alguns quilômetros de terreno lamacento.

As condições nas trincheiras eram inenarráveis. Soldados viviam durante meses em valetas estreitas, expostos à chuva, ao frio, às doenças, às bombas de artilharia e aos gases venenosos — uma inovação sinistrada desse conflito. A Batalha do Somme em 1916 custou mais de um milhão de baixas entre as duas partes, com o exército britânico perdendo cerca de 57 mil homens apenas no primeiro dia — 1 de julho de 1916, o dia mais letal da história militar britânica. A Batalha de Verdun, também em 1916, durou dez meses e produziu quase 700 mil baixas entre franceses e alemães.

Na Frente Oriental, a guerra foi mais fluida, mas igualmente devastadora. A Rússia mobilizou exércitos imensos, mas sua logística era precária e suas forças, frequentemente mal equipadas. Derrotas humilhantes nas batalhas de Tannenberg e dos Lagos Masúrios em 1914 estabeleceram o padrão: o exército russo podia derrotar os austro-húngaros, mas era consistentemente batido pelos alemães. A acumulação de baixas — que chegaram a milhões — e a crise econômica no interior da Rússia alimentaram a instabilidade política que levaria à Revolução de Fevereiro e depois à Revolução Bolchevique de 1917. Em março de 1918, o novo governo soviético assinou uma paz separada com a Alemanha pelo Tratado de Brest-Litovsk, liberando centenas de milhares de soldados alemães para a Frente Ocidental.

Mas era tarde demais. Em abril de 1917, os Estados Unidos, irritados com os ataques alemães a navios neutros e com uma proposta alemã de aliança militar com o México contra os americanos — revelada pelo telegrama Zimmermann —, entraram no conflito pelo lado dos Aliados. As divisões americanas começaram a chegar à França em número crescente a partir do verão de 1917. Em março e abril de 1918, a Alemanha lançou uma série de grandes ofensivas na Frente Ocidental, ganhando território rapidamente, mas sem conseguir a ruptura decisiva. No outono, as forças aliadas contraofensivas empurraram as linhas alemãs para trás. A Alemanha, em colapso interno com revoltas de marinheiros e operários, pediu o armistício. Às 11 horas do dia 11 de novembro de 1918, os canhões calaram.

O custo humano foi monstruoso: mais de nove milhões de combatentes mortos, além de um número semelhante de civis. Quatro grandes impérios — o Alemão, o Austro-Húngaro, o Russo e o Otomano — deixaram de existir. O mapa da Europa central foi redesenhado com o surgimento de novos estados como a Polônia, a Tchecoslováquia e a Iugoslávia. O Tratado de Versalhes de 1919 impôs à Alemanha condições humilhantes que, somadas à crise econômica dos anos seguintes, prepararam o terreno para o nazismo e para uma Segunda Guerra Mundial que o biólogo Ernst Haeckel havia previsto já em setembro de 1914, ao cunhar pela primeira vez o próprio termo "guerra mundial".

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