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Neto Fagundes

Artista e folclorista gaúcho

5 min de leitura04/08/2026
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Neto Fagundes é uma das figuras mais emblemáticas da música regional gaúcha, um artista que transcendeu os limites do tradicionalismo para se tornar um ícone da cultura sulista. Nascido Euclides Fagundes Neto em Alegrete, no interior do Rio Grande do Sul, em 15 de agosto de 1963, ele herdou de sua família uma paixão pela cultura gaúcha que se tornaria a marca registrada de sua carreira. Filho do renomado compositor e folclorista Bagre Fagundes — autor do clássico "Canto Alegretense" — e de Marlene Vilaverde Fagundes, Neto cresceu imerso em um ambiente onde a música nativista era tão natural quanto a linguagem local.

A trajetória de Neto Fagundes começou cedo, ainda na adolescência. Com apenas 15 anos, após viver um ano em Santa Maria, mudou-se para Porto Alegre em 1978. Lá, ingressou na Faculdade Ritter dos Reis para cursar Direito, mas sua verdadeira vocação sempre foi a música. Enquanto estudava, apresentava-se em bares nativistas, onde afinava seu talento e construía sua identidade artística. A decisão de abandonar os estudos em 1982, aos 19 anos, foi um marco: foi quando Neto decidiu dedicar-se integralmente à música, um passo que definiriam seu futuro como um dos grandes nomes do gênero.

Sua estreia em festivais importantes veio em 1981, quando participou da Califórnia da Canção Nativa com a música "Escravo de Saladeiro". O reconhecimento obtido nesse evento impulsionou sua carreira, levando-o a lançar seu primeiro disco, "Gauchesco e Brasileiro", em 1991. O álbum consolidou sua presença no cenário musical gaúcho e abriu portas para oportunidades maiores. Em 1996, sua carreira ganhou projeção nacional e internacional quando participou do festival Sul a Sul, que levou artistas gaúchos à cidade francesa de Sanary-sur-Mer. Esse foi um momento crucial, não só pela visibilidade que proporcionou, mas também pela oportunidade de representar a cultura do Rio Grande do Sul no exterior.

No mesmo ano de 1996, Neto Fagundes viveu um dos momentos mais memoráveis de sua carreira. Ao lado de seu irmão Ernesto, de seu pai Bagre Fagundes, de seu tio Nico Fagundes e da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), ele se apresentou no Natal Luz de Gramado para um público de mais de 50 mil pessoas. O espetáculo, que uniu música regional e orquestração sinfônica, foi um marco na promoção do gênero, mostrando que a cultura gaúcha poderia dialogar com outras formas de arte. Essa apresentação não só ampliou seu público, como também reforçou a ideia de que a música nativista tinha espaço além dos festivais e das rodas de chimarrão.

A internacionalização de sua carreira continuou nos anos seguintes. Em 1997, Neto se apresentou no Teatro Alvear, em Buenos Aires, levando a música gaúcha para a Argentina. No ano seguinte, retornou à França, dessa vez ao Carrossel do Museu do Louvre, em Paris, um dos espaços culturais mais prestigiados do mundo. Esses momentos não apenas elevaram seu status como artista, como também provaram que a cultura regional sulista tinha valor universal. Além disso, durante esse período, Neto também comandou programas de televisão e rádio, como "Encontro" no Canal Rural e "Regional Brasileiro" na Pop Rock FM, expandindo ainda mais sua influência.

A participação de Neto Fagundes em projetos coletivos sempre foi uma constante em sua carreira. Em 2002 e 2004, lançou dois álbuns com o grupo Os Fagundes, que incluía seu tio Nico, seu pai Bagre e seu irmão Ernesto. Esses trabalhos reforçaram a ideia de que a música regional gaúcha é uma tradição familiar, passada de geração em geração. O grupo se tornou uma referência no gênero, unindo vozes e talentos que iam além do sangue, mas tinham a cultura como elo. Neto, nesse contexto, não só contribuiu como intérprete, mas também como um elo entre as gerações de artistas que mantinham viva a chama do nativismo.

Um dos capítulos mais importantes da carreira de Neto Fagundes foi sua parceria com o tio Nico no programa "Galpão Crioulo", da RBS TV. A dupla dividiu o comando do programa a partir de 2004, após o adoecimento de Nico, até 2015, quando o tio faleceu. O programa, que já era um clássico da televisão gaúcha, ganhou ainda mais força com a presença carismática de Neto, que soube equilibrar o respeito à tradição com uma abordagem moderna e acessível. A morte de Nico, em 2015, marcou o fim de uma era, mas também consolidou Neto como uma das principais figuras do programa, garantindo sua continuidade.

Desde 2008, Neto Fagundes também faz parte do projeto "Rock de Galpão" como integrante da banda Estado das Coisas. Essa iniciativa inovadora buscava mesclar o rock com elementos da música regional gaúcha, criando um som único que atraía tanto os fãs do nativismo quanto os amantes do rock. Lançar um CD dentro desse projeto foi mais um exemplo de como Neto sempre esteve disposto a experimentar, sem abrir mão de suas raízes. Essa capacidade de reinventar-se, mantendo a essência de sua música, é um dos segredos de sua longevidade no cenário artístico.

Além de sua carreira como músico, Neto Fagundes também se destacou como radialista no programa "Pretinho Básico", da Rádio Atlântida. Desde 2008, ele participa como a "estrela móvel" do programa, contando piadas do personagem "Nego Véio" com o humor característico que conquistou ouvintes em todo o estado. Essa faceta de Neto, muitas vezes menos conhecida do grande público, mostra sua versatilidade e sua capacidade de conectar-se com diferentes públicos, seja pela música, pela televisão ou pelo rádio.

Hoje, Neto Fagundes é muito mais do que um cantor ou apresentador: ele é um guardião da cultura gaúcha, um artista que soube levar as tradições do Sul do Brasil para além das fronteiras regionais. Sua trajetória, que começou em bares de Porto Alegre e chegou a palcos internacionais, é um testemunho do poder da música como elo cultural. Com uma carreira que já ultrapassa quatro décadas, Neto continua a inovar, a inspirar novas gerações e a manter viva a chama do nativismo, sempre com a autenticidade e o carisma que só ele sabe transmitir.

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