Eliakim Araújo Pereira Filho foi um dos jornalistas brasileiros mais influentes do século XX, mas sua trajetória profissional ultrapassou as fronteiras nacionais e deixou marcas profundas tanto na televisão quanto no rádio. Nascido em Guaxupé, interior de Minas Gerais, em 28 de abril de 1941, ele iniciou sua carreira em um momento turbulento da história política brasileira, quando o país ainda vivia sob o regime democrático antes do golpe militar de 1964. Aos vinte anos, ainda estudante de Direito, foi contratado pela Rádio Continental do Rio de Janeiro como redator, um começo modesto que logo o levaria a se tornar uma voz marcante no jornalismo nacional.
Sua estreia na cobertura de eventos históricos ocorreu em agosto de 1961, quando, ainda na Rádio Continental, anunciou a renúncia do presidente Jânio Quadros. Aquele foi um momento de grande tensão política, e a forma como Eliakim transmitiu a notícia ajudou a consolidar sua reputação como um profissional de voz firme e linguagem clara. Pouco depois, migrou para a Rádio Jornal do Brasil, onde permaneceu por quase duas décadas, construindo uma carreira sólida no rádio antes de se transferir para a televisão, um meio que ainda engatinhava no Brasil da época.
Em 1983, a Rede Globo o convidou para apresentar o *Jornal da Globo*, um dos principais telejornais do país. Durante seis anos, ele foi uma presença constante na casa de milhões de brasileiros, ancorando não apenas aquele programa, mas também participando de edições especiais de outros telejornais da emissora. Sua trajetória na Globo incluiu um momento político crucial: em 1984, ele comandou a transmissão do comício das *Diretas Já* na Candelária, no Rio de Janeiro, um dos maiores atos públicos pela redemocratização do Brasil, que reuniu centenas de milhares de pessoas nas ruas.
Em 1989, Eliakim viveu outro marco histórico ao representar a Rede Manchete nos debates presidenciais entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva. Aquela foi a primeira eleição direta para presidente após o fim da ditadura militar, e sua participação nos debates mostrou sua capacidade de lidar com temas complexos e transmiti-los de forma acessível ao público. Pouco depois, ele e sua esposa, a também jornalista Leila Cordeiro, se mudaram para São Paulo a convite do SBT, onde passaram a apresentar o *Jornal do SBT*, um dos principais noticiários da emissora na época.
A carreira internacional de Eliakim começou em 1997, quando a rede norte-americana CBS o convidou para ancorar o *CBS Telenotícias*, o primeiro canal internacional de notícias em língua portuguesa. O projeto, transmitido pelo SBT, levou a cobertura jornalística brasileira a um público global, com reportagens produzidas nos Estados Unidos e em outros países. Depois de três anos, o casal decidiu permanecer nos EUA, onde Eliakim ainda apresentou o *Câmera Record News*, um programa que exibia documentários do consagrado *60 Minutes*, da CBS, para o público brasileiro.
Sua vida profissional foi marcada por transições constantes entre rádio, televisão e mídia internacional, sempre com um compromisso inabalável com a verdade e a clareza na comunicação. Eliakim não foi apenas um apresentador, mas um profissional que soube se adaptar às mudanças tecnológicas e às demandas do público em diferentes épocas. Sua capacidade de se reinventar, aliada a uma voz calma e autoritativa, fez dele uma figura respeitada por colegas e telespectadores.
Por trás da imagem pública, Eliakim também foi um homem de família. Casado com Leila Cordeiro durante mais de três décadas, o casal se tornou um dos mais icônicos da televisão brasileira, trabalhando juntos em diversos projetos. Sua decisão de se estabelecer nos Estados Unidos com a família, após a experiência no *CBS Telenotícias*, mostrou um lado menos conhecido de sua personalidade: a de um profissional que, mesmo diante de oportunidades globais, não abriu mão de estar próximo dos seus.
O fim de sua trajetória foi marcado por uma batalha silenciosa contra um câncer no pâncreas. Em 2016, aos 75 anos, ele foi internado em um hospital de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, onde residia com a família. Após um mês de tratamento, faleceu em 17 de julho do mesmo ano, deixando um legado de décadas de jornalismo de qualidade e integridade profissional. Sua morte foi noticiada em diversos veículos, que destacaram não apenas sua carreira, mas também sua contribuição para a formação do jornalismo brasileiro contemporâneo.
Eliakim Araújo foi, acima de tudo, um contador de histórias que soube transformar a notícia em algo compreensível e relevante para milhões de pessoas. Seu nome pode não ser tão conhecido entre as novas gerações, mas sua influência no modo como o Brasil consome informação televisiva e radiofônica permanece. Em uma era de polarização e desinformação, sua trajetória serve como um lembrete do poder da comunicação quando guiada pela ética e pela busca incessante pela verdade.