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Mauricio Pochettino

Treinador e ex-futebolista argentino

5 min de leitura20/06/2026
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Mauricio Roberto Pochettino Trossero nasceu em 2 de março de 1972, na pequena cidade de Murphy, interior de Santa Fé, na Argentina. Filho de um trabalhador rural, cresceu cercado pela simplicidade do campo, mas desde cedo o futebol ocupou um lugar especial em sua vida. Foi assistindo à Copa do Mundo de 1978 ao lado de seu pai, Héctor, que o menino se apaixonou definitivamente pelo esporte. Essa experiência de infância plantou uma semente que germinaria anos depois em uma carreira longa e repleta de conquistas, primeiro como jogador e depois como um dos treinadores mais respeitados do mundo.

Aos 14 anos, Pochettino foi descoberto por Marcelo Bielsa e levado para as categorias de base do Newell's Old Boys, clube de Rosário onde estreou profissionalmente em 1988. Nos cinco anos seguintes, o jovem zagueiro de descendência italiana se consolidou no futebol argentino, conquistando o Campeonato Argentino de 1990-91 e o Clausura de 1992. A influência de Bielsa, que viria a ser o técnico do clube, moldou profundamente a visão de jogo do defensor, deixando marcas que ele carregaria para toda a vida. Nesse período, o Newell's chegou à final da Copa Libertadores de 1992, e Pochettino marcou um gol importante na semifinal diante do América de Cali.

Com 22 anos, o argentino aceitou o desafio de cruzar o Atlântico e foi jogar no Espanyol, clube catalão que retornava à primeira divisão espanhola para a temporada 1994-95. Ali, Pochettino encontrou um lar. Firme, durão e de poucas palavras, tornou-se titular absoluto e construiu uma relação de amor com a torcida dos Alviazuis. Em seus seis anos e meio na primeira passagem pelo clube, disputou 299 jogos, marcou 14 gols e ajudou o time a conquistar a Copa do Rei em 2000. A identificação era tão grande que o clube e o jogador se reencontrariam mais adiante.

Em janeiro de 2001, o defensor assinou com o Paris Saint-Germain, onde também foi titular. Depois de uma temporada no PSG, transferiu-se para o Bordeaux, da Ligue 1. No entanto, o chamado da Catalunha foi mais forte, e Pochettino retornou ao Espanyol, primeiro emprestado e depois em definitivo, onde jogou por mais duas temporadas e meia antes de encerrar a carreira aos 34 anos, em 2006. Por essa passagem final, conquistou mais uma Copa do Rei, em 2005-06, consolidando seu status de ídolo eterno.

Pela seleção argentina, Pochettino disputou a Copa América de 1999 e a Copa do Mundo de 2002. No Mundial disputado na Ásia, ficou famoso por um episódio que entrou para a história: o pênalti cometido sobre Michael Owen que resultou no gol de David Beckham, garantindo a vitória da Inglaterra por 1 a 0. O resultado eliminou a Argentina ainda na fase de grupos, um dos capítulos mais dolorosos do futebol argentino nos últimos anos.

A transição para o comando técnico foi natural. Pochettino voltou ao Espanyol como treinador e comandou o clube espanhol por quatro temporadas e meia. Em 2013, deu o salto para o futebol inglês ao assumir o Southampton, onde trabalhou por duas temporadas e chamou a atenção de toda a Europa pela forma como rejuvenesceu o elenco e reorganizou a estrutura do clube. Foi esse trabalho que o levou ao Tottenham em maio de 2014.

No Tottenham, Pochettino construiu aquele que seria considerado o capítulo mais emblemático de sua trajetória como treinador. Encontrou um elenco desacreditado após a venda do craque Gareth Bale e, ao longo de seis temporadas, transformou os Spurs em uma força competitiva na Premier League, disputando o título de igual para igual com Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City e Manchester United. O ponto mais alto veio na temporada 2018-19, quando conduziu o clube à sua primeira final de Liga dos Campeões da história. A derrota para o Liverpool por 2 a 0 foi dolorosa, mas a jornada ficou marcada como uma das maiores façanhas do futebol inglês recente. Em novembro de 2019, após mais de cinco anos, o treinador foi demitido.

Em janeiro de 2021, Pochettino assumiu o Paris Saint-Germain, retornando à cidade onde havia jogado duas décadas antes. Mas o ambiente do PSG se mostrou hostil. Na primeira temporada, perdeu o título do Campeonato Francês para o Lille e foi eliminado pelo Manchester City nas semifinais da Champions League. Na segunda temporada, a eliminação nas oitavas de final contra o Real Madrid, em uma virada histórica com três gols de Karim Benzema, selou seu destino. Mesmo sendo campeão francês ao final da temporada, deixou o clube sem renovar o contrato.

Em maio de 2023, Pochettino foi anunciado pelo Chelsea, com contrato de dois anos. A experiência, porém, durou apenas uma temporada. Em maio de 2024, clube e treinador chegaram a um acordo mútuo para encerrar o vínculo, encerrando mais um capítulo curto em sua trajetória na Grã-Bretanha.

Em setembro de 2024, veio o desafio mais inusitado de sua vida: Pochettino foi anunciado como o novo técnico da Seleção dos Estados Unidos, substituindo Gregg Berhalter, que havia sido demitido após a Copa América. A missão é preparar o país-sede para a Copa do Mundo de 2026, torneio que acontecerá nos próprios Estados Unidos, Canadá e México. O desafio de transformar a equipe norte-americana em uma força competitiva na maior competição do planeta é, sem dúvida, a tarefa mais complexa e simbólica da carreira de um homem que começou como filho de trabalhador rural em Murphy e hoje ocupa um dos postos mais disputados do futebol mundial.

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