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Carlo Ancelotti

Ex-futebolista e treinador italiano

4 min de leitura20/06/2026
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Carlo Ancelotti é um dos nomes mais respeitados do futebol mundial, seja pela trajetória como jogador ou, sobretudo, pela carreira extraordinária como treinador. Nascido em Reggiolo, no norte da Itália, em 10 de junho de 1959, o italiano construiu um legado que poucos conseguiram alcançar dentro e fora dos gramados. Hoje, comanda a Seleção Brasileira, um dos cargos mais cobiçados e desafiadores do esporte global.

Antes de se tornar o técnico que o mundo conhece, Ancelotti foi um volante habilidoso, com qualidade no passe e boa saída de bola. Iniciou sua carreira em 1976 no Parma, onde fez sua estreia profissional na Serie C durante a temporada 1976-77, aos 18 anos. Sob o comando do técnico Cesare Maldini, costumava ser utilizado como meia-ofensivo ou até como segundo atacante, graças à sua capacidade de marcar gols — um talento incomum para um jogador da sua função.

No Parma, Ancelotti demonstrou que tinha garra além da técnica. Em uma partida decisiva contra a Triestina, com o placar empatado em 1 a 1, ele marcou dois gols que garantiram a vitória por 3 a 1 e a vaga do clube na Serie B. Essa atuação chamou a atenção de clubes maiores, e em 1979 ele se transferiu para a Roma, onde viveu seus melhores anos como atleta.

Na capital italiana, Ancelotti formou uma parceria memorável com o meia brasileiro Falcão, integrando um dos times mais admirados da história do futebol italiano. Pela Roma, conquistou uma Serie A e quatro Copas da Itália, além de ter sido convocado pela primeira vez para a Seleção Italiana em 1981. A conquista do Campeonato Italiano de 1982-83 foi descrita por ele próprio como "minha primeira grande vitória", marcando o auge de sua fase no clube. Infelizmente, lesões no menisco o impediram de participar de momentos históricos, como a Copa do Mundo de 1982 — conquistada pelos italianos — e a final da Taça dos Campeões Europeus contra o Liverpool, vencida pelos ingleses nas penalidades. Em 2014, foi homenageado ao integrar o Hall da Fama da Roma, honraria que recebeu com gratidão e emoção.

Em 1987, Arrigo Sacchi o convidou para integrar o elenco do Milan, clube onde completaria sua formação como jogador e teria seu primeiro contato com uma metodologia de jogo revolucionária. O elenco milanista era repleto de lendas: Franco Baresi, Paolo Maldini e Ruud Gullit, entre outros. Na primeira temporada, o Milan conquistou o título da Serie A de 1987-88. Mais marcante ainda foi a conquista da Taça dos Campeões Europeus na temporada seguinte, quando o clube goleou o Steaua Bucareste por 4 a 0 na final — Ancelotti inclusive marcou o único gol seu na edição, na semifinal contra o Real Madrid. Pela Copa Europeia/Sul-Americana de 1989, esteve em campo durante os 90 minutos e a prorrogação na vitória sobre o Atlético Nacional por 1 a 0.

A temporada seguinte reservou uma mistura de conquistas e frustrações. Lesões o impediram de disputar algumas finais importantes, mas o Milan seguiu vencendo. Recuperado, voltou a tempo de disputar a decisão da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1989-90 por 74 minutos, celebrando o bicampeonato continental. Somando todas as conquistas como jogador no Milan, Ancelotti acumulou dois títulos da mais importante competição europeia de clubes — um feito que, anos depois, ele superaria de maneira ainda mais impressionante como treinador.

A transição para o comando técnico revelou um profissional diferenciado: calmo, perspicaz e capaz de extrair o melhor de grandes estrelas. À frente de times como AC Milan, Chelsea, PSG, Real Madrid e Bayern de Munique, Ancelotti acumulou taças em praticamente todas as ligas europeias de prestígio. Em 2022, tornou-se o treinador com mais conquistas em torneios interclubes da UEFA — oito no total — e também o técnico com o maior número de títulos da Liga dos Campeões, com cinco troféus. Ao somar esses cinco títulos como treinador às duas conquistas como jogador, ele ultrapassou Francisco Gento, lendário atacante espanhol que venceu a competição seis vezes como atleta, tornando-se o maior vencedor da história da Liga dos Campeões.

O reconhecimento pelo trabalho de Ancelotti não vem apenas das prateleiras abarrotadas de troféus. Em 2019, a prestigiosa revista francesa France Football o incluiu na lista dos dez maiores treinadores da história do futebol — um selo definitivo de excelência que apenas um punhado de profissionais conquistou. Sua habilidade de gerenciar vestiários repletos de egos e personalidades fortes, combinada a uma leitura de jogo refinada, são apontadas como os pilares da sua longevidade no alto nível.

Em outubro de 2023, ao receber o título de Mestrado Honorário em Ciências e Técnicas de Atividades Motoras, Ancelotti revisitou memórias do início da carreira com a naturalidade de quem acumulou décadas de experiência. O gesto revelou um traço que define o treinador: a capacidade de valorizar cada etapa da jornada, dos campos da Serie C ao comando das seleções e dos maiores clubes do planeta.

Agora à frente da Seleção Brasileira, Ancelotti assume talvez o desafio mais simbólico da carreira — devolver ao Brasil a glória de um título mundial que o país não conquista desde 2002. Para um homem que transformou presença em campo e inteligência tática em uma carreira sem precedentes, a missão parece mais uma capítulo de uma história que ainda não terminou.

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