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María de Villota

María de Villota Comba (Madrid, 13 de janeiro de 1979 — Sevilha, 11 de outubro de 2013) fo

4 min de leitura01/01/2024
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María de Villota Comba nasceu em 13 de janeiro de 1979, em Madri, no seio de uma família marcada pela paixão pelo automobilismo. Filha do ex-piloto de Fórmula 1 Emilio de Villota, ela cresceu respirando o universo das pistas, dos carros de competição e da adrenalina que permeia esse esporte. Seu irmão, Emilio de Villota Jr., também seguiu o caminho das corridas, competindo na Fórmula Palmer Audi. O automobilismo estava no DNA da família, e María parecia destinada a levar esse legado adiante.

Ela iniciou sua trajetória no kart aos 16 anos, começando onde praticamente todo piloto de alto nível começa: nas pistas menores, aprendendo a dominar a velocidade antes de enfrentar os grandes circuitos. Junto com seu irmão Emilio, participou do programa de seleção de jovens pilotos da Movistar para competir na Fórmula Toyota Castrol, dando os primeiros passos em monopostos de competição. A partir de 1999 e até 2005, ela disputou o Campeonato Espanhol de Fórmula 3, adquirindo experiência e construindo seu nome.

Em 2007, chegou ao pódio em uma corrida da ADAC Procar Series, conquistando o terceiro lugar, resultado que evidenciava seu talento crescente. Em agosto de 2009, deu um salto significativo ao assinar com o Atlético de Madrid para correr nas temporadas de 2009, 2010 e 2011 da Superleague Fórmula, uma competição europeia que reunia pilotos representando clubes de futebol. Foi um período de grande visibilidade para María, que disputou as três temporadas com consistência e crescente reconhecimento entre os especialistas.

Com o encerramento da Superleague Fórmula em 2011, novas portas se abriram. A equipe Renault a convidou para testes, incluindo uma participação no icônico Circuito de Paul Ricard, na França. Em março de 2012, ela alcançou o patamar mais alto de sua carreira ao ser contratada como piloto de testes pela Marussia F1 Team, equipe participante da Fórmula 1. Era a realização de um sonho antigo, resultado de mais de quinze anos de dedicação e sacrifício nas pistas europeias.

O 3 de julho de 2012 começou como qualquer outro dia de trabalho para María de Villota. Ela estava realizando testes para a equipe no aeródromo de Duxford, próximo a Cambridge, na Inglaterra. Em determinado momento, seu carro colidiu violentamente com um caminhão da equipe que estava estacionado na pista. As circunstâncias do acidente apontaram para um aparente problema com o sistema anti-estol do veículo. O resgate durou cerca de uma hora, e María foi encaminhada ao hospital em estado grave.

As lesões eram devastadoras: ferimentos sérios no rosto e na cabeça, que exigiram cirurgia craniana de emergência. O resultado da operação foi a perda do olho direito. A notícia chocou o mundo do automobilismo. Uma piloto jovem, talentosa, que havia chegado ao sonhado patamar da Fórmula 1, se via de repente à beira da morte, lutando para sobreviver naquele hospital inglês. A recuperação seria longa e difícil.

Mas María de Villota não era uma pessoa que se rendesse às adversidades. Após superar o período mais crítico da recuperação, ela tomou uma decisão que surpreendeu a todos: em vez de se recolher, passou a usar sua voz e sua experiência para fazer o bem. Dedicou-se a seminários e campanhas de promoção à segurança viária, tornando-se porta-voz de uma causa que conhecia agora de forma brutalmente pessoal. Paralelamente, fundou uma rede de apoio para crianças com doenças neuromusculares e mitocondriais.

Em 2013, seu trabalho fora das pistas ganhou reconhecimento formal quando ela foi nomeada para um cargo no Supremo Conselho do Real Automóvil Club de España, ligado à FIA e especializado em segurança e assistência aos motoristas. Ainda no mesmo ano, a emissora espanhola Antena 3 a contratou para cobrir as provas de Fórmula 1 e participar de discussões sobre segurança no esporte. Era uma figura que transformara a tragédia em propósito.

Na manhã do dia 11 de outubro de 2013, María de Villota foi encontrada sem vida em seu quarto de hotel em Sevilha. Tinha apenas 34 anos. Naquela mesma semana, ela participaria de um seminário onde lançaria sua autobiografia A Vida é um Presente, obra que acabou publicada postumamente três dias após sua morte. A polícia inicialmente classificou o falecimento como morte por causas naturais, mas a família, através de laudo de um legista, comunicou posteriormente que a causa foi a sequência de lesões neurológicas decorrentes do acidente de 2012.

A comoção foi imensa. Pilotos do mundo inteiro, incluindo os brasileiros Emerson Fittipaldi e Felipe Massa, usaram as redes sociais para expressar condolências à família. Fernando Alonso, compatriota e referência do automobilismo espanhol, foi um dos mais abalados. Em 2015, um relatório do Health and Safety Executive britânico revelou que a piloto não havia recebido instruções sobre como parar o carro nos boxes nem sobre outros sistemas do veículo, embora a equipe não tenha sido considerada responsável pelo acidente. María de Villota deixou um legado que vai além dos resultados nas pistas: o de uma mulher que enfrentou o pior e escolheu transformar a dor em mensagem de esperança.

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