Judith Arlene Resnik nasceu em 5 de abril de 1949, em Akron, Ohio, filha de uma família judia de classe média. Desde jovem revelou talento marcante para as ciências exatas, um caminho que a levaria à engenharia elétrica numa época em que o campo era dominado quase exclusivamente por homens. Depois de se graduar, foi trabalhar na empresa RCA como engenheira de designers, função que a colocou em contato com os contratos que a empresa mantinha com a NASA. A proximidade com a agência espacial despertou uma ambição que ela passou a perseguir com determinação.
Em 1978, a NASA anunciou que formaria seu primeiro grupo de astronautas femininas, abrindo uma janela histórica. Resnik se inscreveu no processo de seleção e foi aceita, tornando-se parte de uma coorte que incluía Sally Ride, a primeira mulher americana a ir ao espaço. Dois anos de treinamento intensivo depois, Resnik estava oficialmente qualificada como especialista de missão, pronta para os desafios que a aguardavam.
Sua primeira viagem ao espaço aconteceu em agosto de 1984, na missão inaugural da nave Discovery, a STS-41-D, tornando-a a segunda mulher norte-americana a alcançar o espaço, logo atrás de Sally Ride. A missão foi um sucesso, e Resnik voltou à Terra com o status de pioneira consolidado. Nos meses seguintes, seu nome foi associado à geração de astronautas que mostravam que o programa espacial americano havia finalmente aberto suas portas de forma mais ampla.
Em 28 de janeiro de 1986, Judith Resnik estava a bordo do Ônibus Espacial Challenger como especialista de missão da STS-51-L. Era uma das duas mulheres no voo, ao lado de Christa McAuliffe, uma professora do ensino fundamental do New Hampshire que havia sido escolhida entre cerca de onze mil candidatos para o programa Teacher in Space, uma iniciativa do presidente Ronald Reagan para aproximar o programa espacial do público em geral. Às 11h38 do horário do leste dos Estados Unidos, o Challenger decolou do Centro Espacial Kennedy. Setenta e três segundos depois, um anel de vedação defeituoso em um dos foguetes de propulsão sólida cedeu, causando uma explosão que destruiu a nave e matou todos os sete tripulantes. Judith Resnik tinha 36 anos.
A morte de Resnik, ao lado dos demais colegas, chocou o mundo e levou a uma paralisação do programa espacial americano. A NASA só voltaria a realizar voos tripulados em setembro de 1988, após extensa revisão dos sistemas de segurança e da cultura organizacional que havia tolerado riscos conhecidos. A comissão presidencial investigativa, conhecida como Comissão Rogers, concluiu que engenheiros tinham alertado sobre os riscos dos anéis de vedação em baixas temperaturas e que seus avisos foram ignorados.
O legado de Judith Resnik é visível em diversas escolas americanas renomeadas em sua homenagem, espalhadas por diferentes estados. Além disso, uma cratera no lado oculto da Lua recebeu seu nome, na região da grande cratera Apollo, e o asteroide 3356 Resnik foi designado em memória da astronauta. São reconhecimentos que preservam a lembrança de uma mulher que quebrou barreiras em vida e cuja morte reforçou a consciência sobre os limites humanos e institucionais da exploração espacial.