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Jaques Wagner

Industriário, sindicalista e político brasileiro, governador e senador pelo Estado da Bahia

4 min de leitura20/06/2026
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Jaques Wagner é um dos políticos mais influentes do nordeste brasileiro nas últimas décadas. Nascido no Rio de Janeiro em 16 de março de 1951, filho de imigrantes judeus poloneses, ele construiu uma trajetória que vai das fábricas petroquímicas da Bahia até os corredores do Senado Federal, passando por dois mandatos como governador e uma passagem pelo alto escalão do governo federal.

A infância e adolescência de Wagner foram marcadas pela disciplina do Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde estudou entre 1962 e 1968. Mas foi na universidade que o rumo de sua vida começou a se definir de outra forma. Ao ingressar no curso de Engenharia Civil da PUC-Rio, envolveu-se com o movimento estudantil a partir de 1969, num período em que o Brasil vivia sob o regime militar. A militância política naquele contexto era atividade de alto risco, e em 1973, temendo ser preso pelos órgãos de repressão da ditadura, Wagner abandonou o curso e deixou o Rio de Janeiro.

Depois de uma breve passagem por Minas Gerais, ele se instalou definitivamente na Bahia, mais precisamente próximo ao Subúrbio Ferroviário de Salvador. Ali ingressou na indústria petroquímica de Camaçari, na região metropolitana da capital baiana, onde trabalhou como técnico em manutenção. Foi dentro das fábricas que nasceu o líder sindical: Wagner se tornou diretor e depois presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica, o Sindiquímica-BA.

Foi também nesse ambiente operário que ele conheceu Luiz Inácio Lula da Silva, em um congresso de petroleiros. A conexão entre os dois seria duradoura e decisiva. Em 1980, Wagner participou ativamente da fundação do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores no estado da Bahia, tornando-se o primeiro presidente de ambas as organizações no estado. A ligação com o PT e com Lula moldaria toda a sua carreira política posterior.

Sua estreia nas urnas veio em 1990, quando foi eleito deputado federal. Reeleito em 1994 e em 1998, acumulou três mandatos na Câmara dos Deputados. As tentativas de ampliar seu espaço político, porém, enfrentaram resistência: candidaturas à prefeitura de Camaçari em 2000 e ao governo da Bahia em 2002 resultaram em derrotas. Mas a sorte viraria com a ascensão de Lula à presidência da República.

Em 2003, Wagner foi convidado pelo presidente para assumir o Ministério do Trabalho. Dois anos depois, migrou para o Ministério das Relações Institucionais, onde passou a coordenar a relação do governo federal com o Congresso Nacional — cargo de grande peso político. Em novembro de 2005, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito da Defesa, uma das mais altas condecorações militares conferidas a civis.

O grande momento de Wagner chegou nas eleições de 2006, quando disputou novamente o governo da Bahia. O favoritismo nas pesquisas apontava para seu adversário, Paulo Souto, mas o resultado surpreendeu: Wagner venceu com 52,89% dos votos válidos, mais de 3,2 milhões de votos. A vitória foi amplamente interpretada como o fim do carlismo, o domínio político exercido por décadas pelo ex-governador Antônio Carlos Magalhães sobre a estrutura de poder baiana. Para Wagner, o resultado não foi surpresa, pois entendia que a base eleitoral do grupo de ACM nunca passava de cerca de 30% dos votos.

Na gestão do estado, uma das obras mais destacadas de seu primeiro mandato foi o Hospital do Subúrbio, inaugurado em 2010 na periferia de Salvador. O equipamento se tornou o primeiro hospital público do Brasil construído por meio de parceria público-privada, com atendimento considerado de alto nível em uma região pobre. Não faltaram críticas: opositores enxergaram no modelo uma forma de privatização da saúde pública. Apesar da localização de difícil acesso, a demanda pelo hospital sempre foi elevada.

Ainda em 2010, Wagner foi reeleito governador em primeiro turno, com expressivos 63,83% dos votos válidos. O segundo mandato, porém, não seria livre de turbulências. Em 2012, o estado enfrentou greves longas da Polícia Militar e dos professores, esta última com duração de 115 dias — a maior paralisação do funcionalismo da história da Bahia. Os episódios desgastaram a imagem do governador. Em 2014, nova greve policial atingiu o estado, desta vez encerrada em três dias após a chegada da Força Nacional, período em que foram registrados dezenas de mortes e centenas de roubos de veículos.

Ao final de dois mandatos à frente da Bahia, Wagner passou pelo governo federal novamente como ministro-chefe da Casa Civil, entre 2015 e 2016. Desde 2019, ocupa uma cadeira no Senado Federal pela Bahia. Casado atualmente com Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, Wagner tem três filhos de seu primeiro casamento com Beth Wagner, ex-vice-prefeita de Salvador. Sua trajetória — do filho de imigrantes ao cargo de senador, passando por fábricas, sindicatos, ministérios e o palácio do governo — é um retrato singular da história política brasileira das últimas cinco décadas.

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