Isabel do Reino Unido nasceu em 22 de maio de 1770, na Casa de Buckingham, em Londres, como sétima filha e terceira menina entre os quinze filhos do rei Jorge III e da rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz. Desde os primeiros anos de vida, distinguiu-se das irmãs pela vivacidade do espírito, pela inteligência aguçada e por uma beleza que a todos encantava. Era, por isso mesmo, a filha predileta da rainha Carlota, que nunca escondeu o afeto especial que nutria por ela.
O batismo de Isabel ocorreu em 17 de junho de 1770, na Grande Câmara do Conselho do Palácio de St. James, sob a condução do Arcebispo de Canterbury. A cerimônia foi suntuosa e cara: a princesa vestia um manto de cetim branco forrado de rosa, guarnecido com arminho e bordado com pedras preciosas, cujo valor total foi estimado em 2.800 libras esterlinas. Os padrinhos eram primos de seu pai e estiveram representados por terceiros, o que era prática comum na nobreza europeia da época.
A infância de Isabel transcorreu nos palácios reais ingleses, onde ela e as irmãs receberam educação esmerada sob a orientação dos melhores mestres do país. Sob a supervisão da babá e governanta Lady Charlotte Finch, as princesas foram formadas em literatura, artes e línguas. Isabel logo se destacou entre todas: era a mais talentosa, a mais estudiosa, e a que demonstrava maior aptidão para as belas artes. Sua educação, porém, foi marcada também pelas sombras que pairavam sobre a família.
Jorge III sofria de episódios recorrentes de doença mental. A primeira crise grave ocorreu entre 1788 e 1789, justamente quando Isabel estava em idade de se casar, mas a corte não se preocupou em providenciar-lhe um noivo. O rei, num reflexo de apego profundo, teria preferido que todas as filhas permanecessem ao seu lado. A rainha Carlota compartilhava desse sentimento, e a atmosfera no palácio não era propícia à busca de pretendentes adequados para as princesas.
Havia ainda outro obstáculo de ordem protocolar: a filha mais velha, a princesa Carlota, deveria se casar antes das irmãs. Carlota enfrentou dificuldades para encontrar um noivo, o que postergou os planos matrimoniais de Augusta e Isabel. Quando pretendentes chegaram a se apresentar para Isabel, a família os recusou por razões diversas. Em 1808, Luís Filipe, Duque de Orléans — que décadas depois se tornaria rei da França — pediu sua mão, mas foi rejeitado. O motivo alegado foi a diferença religiosa: o duque era católico, e a lei britânica vedava ao herdeiro do trono casar com católicos, restrição que, por extensão, pesava sobre toda a família real.
Enquanto aguardava um destino que parecia cada vez mais improvável, Isabel dedicou-se com afinco à caridade e à arte. Em 1808, fundou em Windsor uma sociedade voltada a arrecadar dotes para moças virtuosas de poucas posses. Cultivou também amizades no mundo literário, apoiando escritores e intelectuais. No campo das artes visuais, produziu trabalhos de qualidade notável: em 1795, criou uma série de pinturas intitulada O Nascimento e o Triunfo de Cupido, que foram gravadas por Tomkins e tiveram três edições. Em 1804, preparou a ilustração Cupido Transformado em Voluntário, dedicada à irmã Augusta. Criou ainda 24 gravuras originais, entre as quais O Progresso do Gênio, reconhecido pelos contemporâneos como modelo de bom gosto e imaginação. Publicou também, em 1806, uma coleção intitulada Uma Série de Gravuras, Exibindo o Poder e o Progresso do Gênio.
Em 1811, o pai enlouqueceu definitivamente e ficou cego, e o país passou a ser governado pelo Príncipe Regente. No ano seguinte, em 1812, Isabel e as irmãs escreveram à rainha pedindo permissão para sair do palácio e viver com maior independência. Com o apoio do irmão, o Príncipe Regente, compraram uma residência própria em Windsor. Pela primeira vez na vida adulta, Isabel viveu fora da tutela direta dos pais, ainda que a distância física fosse pequena.
A vida mudou de forma decisiva em 1814, quando a princesa conheceu Frederico, herdeiro do título de Conde de Hesse-Homburgo, durante um baile. O alemão logo se encantou com ela e pediu sua mão. O casamento, realizado em 1818, quando Isabel tinha 47 anos, não foi fruto de uma paixão avassaladora, mas revelou-se uma união sólida e mutuamente benéfica. O casal partiu para Homburgo, onde Frederico herdou o título de seu pai em 1820 e se dedicou à reconstrução econômica do condado.
Em Hesse-Homburgo, Isabel encontrou um novo propósito. Mergulhou nas belas artes com uma intensidade que ela mesma nunca havia podido exercer plenamente na corte inglesa. Reuniu uma vasta biblioteca e tornou-se mecenas das artes locais. Também voltou seu olhar para a história da família: fascinada pela trajetória de sua trisavó Sofia Doroteia de Brunsvique-Luneburgo — acusada de adultério, divorciada e exilada em Celle —, Isabel escreveu uma biografia da parente, repleta de ilustrações de sua própria autoria. A obra ficou guardada no palácio de Hesse-Homburgo e foi publicada diversas vezes ao longo do século seguinte.
Após a morte do marido, Isabel estabeleceu-se em seu próprio palácio em Hanôver. Em seus anos finais, continuou viajando pela Europa, mantendo o espírito curioso e ativo que a caracterizara desde a infância. Faleceu em 10 de janeiro de 1840, durante uma dessas viagens, na Cidade Livre de Frankfurt. Tinha 69 anos.
O legado de Isabel vai além dos títulos que carregou. Entre todos os filhos de Jorge III, ela foi unanimemente reconhecida como a mais talentosa e intelectualmente desenvolvida. Pintou murais na Casa Frogmore e na Residência da Rainha. O Hermitage em Frogmore, residência favorita da rainha Carlota, foi erguido segundo os projetos da princesa. Sua produção artística abrangeu pintura, gravura e literatura, e suas obras circularam em múltiplas edições, atingindo públicos além das fronteiras inglesas. Num período em que as mulheres da realeza eram definidas quase exclusivamente por seus casamentos e descendência, Isabel de Hanôver construiu uma identidade intelectual própria, deixando uma marca duradoura na cultura de sua época.

