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Ilha Malden

A Ilha Malden, historicamente chamada também Ilha Independence, é uma pequena e desabitada

4 min de leitura01/01/2024
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A Ilha Malden é uma pequena e desabitada faixa de terra no coração do Oceano Pacífico central, a 448 quilômetros ao sul da linha do equador. Pertencente às Ilhas da Linha, que integram a república de Quiribáti, ela está separada do continente americano por mais de 7.000 quilômetros e dista 2.834 quilômetros ao sul de Honolulu. A ilha mais próxima é a também desabitada ilha Starbuck, a 204 quilômetros a sudoeste. O isolamento extremo é uma de suas características definidoras — mas não é o que a torna famosa. O que distingue Malden de centenas de outras ilhas pacíficas igualmente remotas são seus mistérios arqueológicos e uma história nuclear que deixou marcas invisíveis mas duradouras.

A ilha foi descoberta para o mundo ocidental em 30 de julho de 1825. Quem a avistou foi o capitão inglês George Anson Byron, parente do célebre poeta Lord Byron, que estava de volta ao Havaí repatriando os restos mortais do rei e da rainha daquele arquipélago, mortos de sarampo durante uma visita a Londres. O capitão batizou a ilha em homenagem ao lugar-tenente Charles Malden, que foi encarregado de explorá-la. A ilha também é conhecida historicamente pelo nome Ilha Independence, uma denominação que raramente aparece nos mapas contemporâneos.

O que Malden encontrou ao desembarcar surpreendeu os exploradores britânicos. Apesar de estar completamente desabitada, a ilha era coberta por construções megalíticas de origem desconhecida: pirâmides, plataformas, templos e estradas pavimentadas de pedra. As estruturas estavam em estado de abandono, cobertas pela vegetação rala característica de um ambiente árido e isolado, mas claramente tinham sido construídas por uma sociedade com capacidade técnica e organizacional considerável. Quem as ergueu? Quando? Para que fins? As especulações se multiplicaram ao longo do século XIX e se estenderam pelo século XX sem que uma resposta definitiva emergisse. As conclusões arqueológicas disponíveis apontam para uma origem polinésia, mas muitos detalhes permanecem obscuros. A escassez de artefatos e a ausência de descendentes ou tradições orais que conectem alguma comunidade viva às construções tornam a investigação particularmente desafiadora.

Durante a primeira metade do século XIX, Malden foi visitada com regularidade por baleeiros norte-americanos que operavam no Pacífico. A presença desse recurso natural — o guano acumulado pelas imensas colônias de aves marinhas — tornaria a ilha economicamente atrativa. Os Estados Unidos tentaram reivindicar a soberania sobre Malden com base no Guano Islands Act, legislação americana que autorizava a anexação de ilhas desabitadas ricas em guano para exploração do fertilizante. Os britânicos, porém, chegaram primeiro e estabeleceram operações de extração que durariam aproximadamente sessenta anos. Durante esse período, trabalhadores foram levados à ilha para raspar e empacotar o guano, deixando para trás os resquícios materiais dessa presença humana temporária: gatos, porcos, cabras e ratos domésticos introduzidos na ilha, dos quais apenas alguns gatos selvagens e ratos teriam sobrevivido até os tempos mais recentes.

O capítulo mais sombrio da história de Malden começou em 1957. O governo britânico, empenhado em desenvolver e testar sua própria capacidade nuclear independente das potências americanas, escolheu as remotas águas do Pacífico ao redor da ilha como palco para a Operação Grapple. Em 1957, três ensaios termonucleares atmosféricos foram conduzidos nas proximidades de Malden, tornando a ilha o cenário do primeiro teste nuclear britânico de grande escala. Os militares britânicos e os tripulantes das embarcações envolvidas nas operações ficaram expostos às radiações, e décadas depois muitos veteranos dessas operações relatariam problemas de saúde que associavam à experiência. Os Estados Unidos continuaram a contestar a soberania britânica sobre Malden até que Quiribáti alcançou sua independência, em 1979, e a ilha passou definitivamente ao controle da nova nação.

Hoje, Malden é administrada por Quiribáti como reserva natural e área de conservação. Sua ecologia é singular e frágil. Devido ao isolamento extremo e à aridez do clima, a vegetação de médio porte é rara. Dezesseis espécies de plantas vasculares foram registradas, das quais nove são endêmicas. A ilha está coberta principalmente por Sida fallax e ervas rasteiras, enquanto a Pisonia grandis, árvore comum em outras ilhas do Pacífico tropical, tem dificuldade em se estabelecer ali. Os coqueiros plantados pelos extratores de guano praticamente não vingaram. Espécies introduzidas, como o Tribulus cistoides, dominam as áreas abertas e oferecem abrigo para colônias de garajaus-escuros.

A fauna marinha e avifauna compensam a modéstia da flora terrestre. Dezenove espécies de aves marinhas nidificam na ilha ou nas suas imediações, tornando Malden um ponto de significância ecológica para as rotas migratórias do Pacífico central. Tartarugas-verdes utilizam as praias para depositar seus ovos, e caranguejos-eremitas são abundantes. Dois tipos de lagartos, Lepidodactylus lugubris e Ablepharus boutonii, completam o quadro de uma fauna terrestre limitada mas especializada.

A combinação de mistério arqueológico, história nuclear e ecologia isolada faz de Malden uma das ilhas mais intrigantes do Pacífico. Seus templos e pirâmides de pedra, erigidos por mãos cujos nomes e histórias se perderam no tempo, permanecem como interrogações abertas para arqueólogos e historiadores. As explosões termonucleares de 1957 adicionaram uma camada mais recente e mais perturbadora à sua história, lembrando que a remota ilha no coração do Pacífico não esteve imune aos grandes dramas do século XX. Abandonada novamente após as operações militares, Malden retornou ao silêncio que sempre foi sua condição natural.

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