Beatriz Haddad Maia nasceu em São Paulo no dia 30 de maio de 1996 e cresceu numa família com tênis no sangue: sua mãe e sua avó foram tenistas profissionais, e desde os cinco anos ela já pegava em raquetes, formada nos quadras do Esporte Clube Pinheiros, um dos celeiros do esporte paulistano. De ascendência libanesa e sobrinha do saudoso cantor e apresentador Rolando Boldrin, Bia cresceu num ambiente que combinava tradição esportiva familiar com a estrutura de um clube formador de alto nível, trajetória que a colocaria, décadas depois, entre as melhores tenistas do mundo.
Canhota com backhand de duas mãos, Bia demonstrou talento precoce que logo chamou atenção no circuito juvenil. Aos 15 anos, em abril de 2012, atingiu a 15ª posição no ranking juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF), e em maio do mesmo ano já marcava presença no ranking profissional da WTA, entrando no circuito adulto enquanto ainda era adolescente. Naquele mesmo ano, chegou à final de duplas juvenis de Roland Garros ao lado da paraguaia Montserrat González, feito que a colocou na história ao lado de Maria Esther Bueno e Cláudia Monteiro como brasileiras a disputar finais de Grand Slam.
Os primeiros títulos profissionais vieram cedo. Em 2010, aos 14 anos, ela conquistou o torneio de Mogi das Cruzes nas duplas com Flávia Guimarães Bueno, e em outubro venceu a Copa GTC em Guarulhos tanto em simples quanto em duplas. Em 2011, foi campeã de simples em um torneio de US$ 10 mil em Goiânia, sua primeira vitória em chave de simples profissional. O ano de 2012 trouxe mais avanços: venceu o Future de Ribeirão Preto, primeiro título em quadra dura, e participou da Fed Cup, tornando-se a mais jovem tenista brasileira a estrear na competição por equipes, com apenas 15 anos.
A fase juvenil foi pontuada por dois vice-campeonatos de duplas em Roland Garros, em 2012 e 2013, consagrando-a como uma das maiores promessas do tênis feminino brasileiro. Mas o caminho ao profissionalismo foi marcado por obstáculos sérios: lesão no ombro em 2013, seguida por contusão na coluna no mesmo ano, afastaram-na das quadras por meses e testaram sua resiliência. Com a maioridade, Bia voltou-se integralmente ao circuito profissional, acumulando resultados graduais e entrando pela primeira vez no top 300 do ranking WTA ao final de 2013.
Os anos seguintes foram de crescimento lento mas consistente. Em 2014, ela mudou de treinador e buscou consolidação no circuito ITF internacional, alcançando quartas de final em torneios de US$ 50 mil nos Estados Unidos. Nos anos seguintes, subiu progressivamente no ranking, conquistando títulos em diferentes superfícies e circunstâncias ao redor do mundo, construindo uma base técnica e mental que se tornaria evidente nas grandes campanhas que estavam por vir.
Em 2022, Bia protagonizou momentos históricos. Chegou à final do WTA 1000 do Canadá, um dos torneios mais importantes do calendário feminino, numa campanha que a colocou entre as melhores do circuito naquele ano. No Australian Open, chegou à final de duplas, igualando o feito histórico de Maria Esther Bueno ao entrar no top 10 do ranking de duplas, tornando-se a segunda brasileira a alcançar essa posição na Era Aberta. Também em 2022, conquistou o WTA 500 de Sydney nas duplas, consolidando sua presença no alto nível tanto em simples quanto na modalidade em pares.
O ano de 2023 foi o mais expressivo de sua carreira em simples. Bia chegou às semifinais de Roland Garros, o torneio de Grand Slam em que havia disputado finais juvenis uma década antes, tornando-se a primeira brasileira a alcançar essa fase no Aberto da França na Era Aberta. A trajetória na capital francesa mostrou uma tenista madura, capaz de vencer adversárias do mais alto nível em jogos de alta tensão. Também em 2023, conquistou o WTA 1000 de Madri nas duplas, e coroou o ano com o título do WTA Elite Trophy no final da temporada, vencendo tanto em simples quanto em duplas no mesmo torneio.
Em 2024, continuou acumulando conquistas expressivas: venceu o WTA 500 da Coreia do Sul em simples, mais dois títulos de WTA 250, e o WTA 500 de Adelaide nas duplas. Com esse conjunto de resultados, entrou no top 10 do ranking mundial de simples, tornando-se a primeira brasileira a atingir essa posição na Era Aberta, superando um marco que havia resistido por décadas ao esforço de gerações de tenistas brasileiras.
O legado de Bia Haddad Maia vai além dos títulos e das posições no ranking. Ela redefiniu o que é possível para o tênis feminino brasileiro, demonstrando que atletas do país podem competir em condições de igualdade com as melhores do mundo nos torneios mais importantes do calendário. Sua trajetória, marcada por lesões superadas, um crescimento gradual e a conquista sistemática de resultados em todas as superfícies, serve de referência para as gerações seguintes. Numa modalidade onde o Brasil tem uma tradição histórica consagrada pelo legado de Maria Esther Bueno, Bia Haddad Maia escreveu um novo capítulo, desta vez no tênis da Era Aberta.

