Maia Sandu nasceu em 24 de maio de 1972 na pequena comuna de Risipeni, localizada no distrito de Fălești, então parte da República Socialista Soviética da Moldávia. Criada num país que atravessaria décadas de turbulência política após a dissolução da União Soviética, ela trilhou um caminho marcado pelo empenho intelectual e pelo comprometimento com reformas que a levaria, décadas depois, à presidência de seu país.
Sua formação acadêmica cobriu três países e se estendeu por mais de quinze anos. Graduou-se em administração na Academia de Estudos Econômicos da Moldávia em 1994, em seguida obteve diploma em relações internacionais na Academia de Administração Pública de Chișinău em 1998. O percurso ganhou dimensão internacional quando ela concluiu estudos na prestigiada John F. Kennedy School of Government da Universidade de Harvard, em 2010. Esse conjunto de formações em economias de mercado, governança pública e relações internacionais moldou uma visão de mundo orientada para a integração europeia e o combate à corrupção.
Entre 2010 e 2012, Sandu trabalhou em Washington como conselheira do diretor executivo do Banco Mundial, experiência que lhe deu contato direto com organismos financeiros multilaterais e fortaleceu sua compreensão das dinâmicas econômicas globais. Poliglota, ela domina o russo, o espanhol e o inglês além do romeno, sua língua materna, habilidade que se revelaria valiosa numa sociedade multiétnica como a moldava.
De volta à Moldávia, ingressou na vida pública ao ser nomeada Ministra da Educação, cargo que ocupou de 2012 a 2015. No ministério, enfrentou um sistema educacional marcado por décadas de subfinanciamento e corrupção endêmica, propondo reformas que geraram tanto admiração quanto resistência. Em julho de 2015, foi cogitada pelo Partido Liberal Democrata como candidata ao posto de primeira-ministra, mas o processo foi frustrado quando ela apresentou condições políticas — como a saída do chefe do Banco Nacional e do procurador do Estado — que não foram aceitas, e Valeriu Streleț acabou sendo nomeado em seu lugar.
Em dezembro de 2015, Sandu lançou a plataforma política Îm Pas, que evoluiu para o Partido da Ação e Solidariedade, tornando-se sua base de sustentação eleitoral. No ano seguinte, candidatou-se pela primeira vez à presidência da Moldávia como representante das forças pró-europeias, chegando ao segundo turno da eleição. Naquele pleito de 2016, porém, foi derrotada por Igor Dodon, candidato de perfil pró-Rússia, numa disputa que refletia com clareza a polarização geopolítica que atravessava o país.
A trajetória de Sandu tomou novo rumo em 2019. Ela foi membro do parlamento moldavo em 2014 e 2015, e novamente em 2019. Nesse segundo período, foi nomeada primeira-ministra em 8 de junho de 2019, tornando-se chefe de governo por alguns meses até ser derrubada em 14 de novembro do mesmo ano, num voto de desconfiança orquestrado pela oposição. Mesmo assim, o período serviu para consolidar sua imagem pública como figura reformista disposta a enfrentar os poderes estabelecidos.
A eleição presidencial de 2020 foi o momento de reviravanche. Sandu enfrentou novamente Igor Dodon, o então chefe de Estado que governava o país desde dezembro de 2016, e o derrotou com folga, obtendo parcela significativa dos votos enquanto Dodon ficou com 44%. A vitória colocou-a na história como a primeira mulher a conquistar a presidência da Moldávia, em eleição realizada num país de pouco mais de dois milhões e meio de habitantes que vivia sob pressões simultâneas de Moscou e das instituições europeias.
Sua posse ocorreu em 24 de dezembro de 2020, no Palácio da República. A cerimônia foi marcada por um gesto deliberado de abertura: em seu discurso de investidura, ela falou não apenas em romeno, mas também em russo, ucraniano, gagauz e búlgaro, línguas das minorias que compõem o tecido social moldavo, sinalizando uma política de unidade nacional que seria central em seu governo. Do lado de fora do palácio, milhares de apoiadores celebravam entoando cânticos de apoio.
Após assumir o cargo, Sandu direcionou a política externa moldava com firmeza em direção à União Europeia, num contexto de extrema sensibilidade geopolítica, especialmente depois que a guerra na Ucrânia, em 2022, transformou toda a região num tabuleiro de tensões. Sua persistência na agenda reformista e seu posicionamento pró-europeu renderam reconhecimento internacional. Em 3 de outubro de 2023, o governo português agraciou-a com o grau de Grande-Colar da Ordem do Infante Dom Henrique, uma das mais altas condecorações diplomáticas do país.
A trajetória de Maia Sandu, da pequena Risipeni às capitais europeias, representa um percurso improvável de perseverança política num dos países mais pobres do continente europeu. Sua eleição foi interpretada amplamente como um voto de esperança de uma população cansada da corrupção e do imobilismo, embora os desafios de governar a Moldávia — pressionada entre Leste e Oeste, dependente de energia russa e às voltas com a questão não resolvida da Transnístria — continuassem a definir os limites do que era possível realizar.

