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Gracindo Júnior

Ator brasileiro (1943–2026)

4 min de leitura03/09/2026
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Gracindo Júnior, nome artístico de Epaminondas Xavier Gracindo, foi uma figura central nas artes cênicas brasileiras, deixando um legado que transpassou gerações. Nascido no Rio de Janeiro em 1943 e falecido em 2026, ele representou mais do que um ator: foi também diretor, produtor, roteirista e letrista, construindo uma trajetória marcada pela versatilidade e pela paixão pelo teatro. Filho do renomado ator Paulo Gracindo, ele herdou a vocação artística, mas soube trilhar seu próprio caminho, consolidando-se como um dos grandes nomes do teatro brasileiro do século XX.

Sua estreia profissional aconteceu em 1962, na montagem original de *A Escada*, de Jorge Andrade, sob a direção de Ivan de Albuquerque. Essa produção, encenada pelo Teatro do Rio, foi apenas o começo de uma carreira que se confundiria com a história do teatro brasileiro. Logo depois, Gracindo Júnior participou de *Os Fantástikos*, um musical inovador de Tom Jones e Harvey Schmidt, e de *Onde Canta o Sabiá*, de Gastão Tojeiro, dirigido por Paulo Afonso Grisolli. Essas primeiras experiências já demonstravam sua capacidade de transitar entre gêneros e estilos, um talento que o acompanharia ao longo dos anos.

Nos anos 1960, ele se envolveu com clássicos da dramaturgia, como *A Megera Domada*, de Shakespeare, dirigida por Benedito Corsi, e *O Burguês Fidalgo*, de Molière, com direção de Ademar Guerra. Mas foi com autores brasileiros contemporâneos que Gracindo Júnior encontrou sua maior afinidade. Trabalhou com Oduvaldo Vianna Filho, conhecido como Vianinha, em peças como *Dura Lex Sed Lex* e *Corpo a Corpo*, além de estrear como diretor com o texto *A Longa Noite de Cristal*. Sua parceria com Leilah Assumpção e Millôr Fernandes também foi marcante, consolidando sua imagem como um ator de repertório amplo e inovador.

A década de 1970 foi especialmente fértil para Gracindo Júnior. Ele atuou em *A Viúva Imortal*, de Millôr Fernandes, pelo Teatro Nacional de Comédia, e dirigiu *É...* em uma temporada em Lisboa, em 1978. Também participou de *Arte Final*, de Carlos Queiroz Telles, e de *Sinal de Vida*, de Lauro César Muniz. Foi um período de intensa atividade, no qual ele não apenas atuava, mas também assumia funções de direção e produção, demonstrando uma habilidade rara para equilibrar múltiplas responsabilidades nos palcos.

Nos anos 1980, embora tenha reduzido sua presença no teatro, Gracindo Júnior dedicou-se mais à televisão, um meio que começou a explorar com maior intensidade. Ele escreveu, dirigiu e produziu *Meu Pai*, um show em homenagem a seu pai, Paulo Gracindo, em 1981. Também participou de *Obrigado Pelo Amor de Vocês*, de Edgard Neville, que fez grande sucesso no Rio de Janeiro e depois em Lisboa. Além disso, dirigiu o humorístico *Os Trapalhões* entre 1983 e 1984, mostrando sua versatilidade também na televisão.

Na década seguinte, ele voltou ao teatro com força, atuando em *Black Out*, de Frederick Knott, em 1996, e ao lado de Marília Pêra em *O Altar do Incenso*, de Wilson Sayão, em 1999. Essa fase reforçou sua reputação como um ator de grande presença cênica, capaz de dar vida a personagens complexos e variados. Ele também ganhou notoriedade por seu envolvimento em polêmicas, como a briga com o SBT ao lado de Maitê Proença e outros atores contra a reexibição da telenovela *Dona Beija*, um episódio que mostrou seu lado combativo e engajado.

Nos anos 2000, Gracindo Júnior expandiu sua atuação para as minisséries e telenovelas. Em 2012, interpretou o Rei Saul na minissérie *Rei Davi*, na Record, e em 2014 deu vida ao governador Guido Flores em *Plano Alto*, também na mesma emissora. Seu último trabalho em telenovelas foi em *Ouro Verde*, transmitida pela TVI em 2017, encerrando uma trajetória que atravessou mais de cinco décadas de televisão.

Além da carreira artística, a vida pessoal de Gracindo Júnior também foi marcada por intensidade. Ele teve diversos relacionamentos, entre eles com a cantora Carminha Mascarenhas, a atriz Mila Moreira e a modelo Vera Lúcia Martins, com quem teve um filho, Yan. Casou-se com Dayse Poli, com quem teve os atores Gabriel e Pedro Gracindo, e também foi pai da atriz Daniela Duarte, fruto de um relacionamento com Débora Duarte. Essa relação, inclusive, gerou polêmica na época, pois Débora estava grávida quando eles se separaram, ainda durante os ensaios de uma peça.

Nos últimos anos, Gracindo Júnior enfrentou um dos maiores desafios de sua vida: a doença de Alzheimer, diagnosticada em 2020. A doença, que afeta a memória e as capacidades cognitivas, foi um duro golpe para um homem que viveu intensamente por meio das artes. Ele faleceu em setembro de 2026, aos 83 anos, por causas naturais, deixando um vazio no teatro e na televisão brasileiros.

Gracindo Júnior foi muito mais do que um ator: foi um artista completo, que transitou entre o teatro, a televisão e o cinema com igual maestria. Seu legado é inegável, especialmente no teatro, onde ajudou a moldar a dramaturgia brasileira. Com uma carreira que começou nos anos 1960 e se estendeu até quase o final da vida, ele deixou sua marca em cada papel, cada direção e cada produção. Sua trajetória é um testemunho do poder das artes cênicas para transformar não apenas a vida de quem as pratica, mas também a de quem as consome.

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