Davi Alcolumbre é uma das figuras mais influentes do cenário político brasileiro atual, especialmente no Congresso Nacional, onde exerce a presidência do Senado Federal pela segunda vez. Nascido em Macapá em 19 de junho de 1977, ele é filho de comerciantes e de uma família com raízes marroquinas, sendo o primeiro senador de ascendência judaica a ocupar a cadeira máxima do Senado. Sua trajetória política, que começou ainda jovem como vereador na capital amapaense, é marcada por uma ascensão rápida e por polêmicas que acompanham sua carreira, desde denúncias até alianças estratégicas. Atualmente, ele comanda uma das Casas legislativas mais importantes do país, exercendo poder sobre a agenda legislativa e a distribuição de recursos, o que reforça seu protagonismo na política nacional.
O início de sua vida pública aconteceu em 1999, quando se filiou ao PDT e se elegeu vereador de Macapá no ano seguinte, aos 21 anos. Durante seu mandato municipal, ocupou posições-chave, como a presidência da Comissão de Indústria e Comércio e a representação da Câmara no Conselho Tutelar, demonstrando desde cedo habilidades de articulação. Em 2002, aos 25 anos, deu o salto para a Câmara dos Deputados, onde permaneceu por doze anos, consolidando sua base política no Amapá. Sua atuação como deputado federal, entretanto, não esteve isenta de controvérsias, como a investigação na Operação Pororoca, que o acusava de corrupção ativa, mas que, segundo ele, teria sido baseada em um trecho isolado de gravações.
Alcolumbre transitou por diferentes partidos durante sua carreira, refletindo uma estratégia política adaptável. Inicialmente no PDT, migrou para o PFL (depois DEM) em 2005, onde assumiu cargos de liderança, como a presidência do diretório regional no Amapá e a vice-liderança na Câmara. Sua trajetória também incluiu um breve afastamento para exercer o cargo de secretário municipal de Obras e Serviços Públicos em Macapá, entre 2009 e 2010, durante a gestão de Roberto Góes. Em 2014, ele alcançou o Senado Federal, derrotando o ex-senador Gilvam Borges e tornando-se o primeiro amapaense eleito para a Casa. Sua chegada ao Senado marcou o início de uma nova fase, com maior visibilidade e influência sobre as decisões nacionais.
Como senador, Alcolumbre se destacou pela capacidade de articulação política, especialmente na distribuição de emendas parlamentares e na negociação de cargos, o que lhe rendeu grande poder dentro do Congresso. Em 2019, ele foi eleito presidente do Senado Federal pela primeira vez, quebrando recordes ao se tornar o mais jovem a ocupar o cargo. Sua gestão foi marcada por uma atuação discreta, mas eficaz, na condução dos trabalhos legislativos, além de um perfil pragmático que o colocou como um elo entre diferentes vertentes políticas. Em 2025, ele retornou à presidência do Senado, eleito com uma votação expressiva de 73 votos em uma coalizão que reunia 94% dos senadores, demonstrando seu amplo respaldo dentro da Casa.
A trajetória política de Alcolumbre também está entrelaçada com a história de sua família, que possui um passado controverso. Seus avós maternos, Isaac Menahem Alcolumbre e Alegria Gabbay Peres, teriam acumulado fortuna por meio de atividades ilegais, como extração ilegal de ouro às margens do rio Jari e contrabando para a Venezuela e os Estados Unidos, segundo relatórios da imprensa. Dois de seus tios, Alberto e Salomão, também foram mencionados em investigações por envolvimento no comércio ilegal de ouro. Além disso, há relatos de grilagem de terras na família, o que adiciona uma camada de complexidade ao seu histórico político. Davi sempre defendeu que tais alegações não o afetam diretamente, mas elas permeiam a imagem pública de seu clã.
No campo legislativo, Alcolumbre teve passagens pontuais, como a relatoria de um projeto que ampliava benefícios fiscais para a região Norte, o que rendeu críticas de setores que viam no texto privilégios regionais. Sua atuação como deputado também incluiu a proposição de renomear o Aeroporto Internacional de Macapá em homenagem a seu tio Alberto, uma decisão que gerou debates sobre nepotismo. Durante as eleições municipais de 2012, ele concorreu à prefeitura de Macapá, ficando em quarto lugar no primeiro turno, mas apoiando o candidato do PSOL no segundo turno, em uma aliança inusitada que ele justificou como uma "aliança pela moralidade". Essas nuances mostram um político disposto a romper com convenções quando lhe convém.
Sua segunda eleição para a presidência do Senado em 2025 reforçou sua imagem como um articulador indispensável no Congresso, capaz de costurar acordos mesmo em meio a divisões partidárias. A votação unânime, ou quase unânime, em torno de sua candidatura demonstra não apenas seu talento para a negociação, mas também a capacidade de manter alianças duradouras, mesmo em um ambiente político tão polarizado. Alcolumbre personifica, assim, o típico político brasileiro que consegue sobreviver e prosperar em um sistema onde a troca de apoios e a distribuição de recursos são moedas correntes.
Embora seja uma figura central no jogo político, Davi Alcolumbre mantém um perfil discreto na esfera pública, evitando exposições midiáticas excessivas. Seu poder, no entanto, é inegável, especialmente no que diz respeito à definição de prioridades legislativas e à alocação de verbas. Para muitos, ele representa a continuidade de um modelo de política tradicional, onde a habilidade de negociar é mais valorizada do que a defesa de pautas ideológicas. Para outros, é um exemplo de resiliência, capaz de sobreviver a escândalos e crises ao longo de décadas. Independentemente das opiniões, sua presença no Senado é um reflexo das dinâmicas que moldam o Congresso brasileiro contemporâneo.