Maria Ana Elisa Bonaparte nasceu em 13 de janeiro de 1777, em Ajaccio, na Córsega, a mesma ilha que deu ao mundo seu irmão mais famoso, Napoleão. Ela era a filha mais velha entre as irmãs dos Bonaparte, situada numa posição intermediária na hierarquia familiar: era irmã mais nova de José, Napoleão e Lucien, e mais velha do que Louis, Paulina, Carolina e Jerônimo. Desde criança, Elisa distinguiu-se pela inteligência aguçada e pela língua afiada, característica que, segundo os relatos da época, mais de uma vez lhe gerou atritos com o irmão imperador.
Quando Napoleão começou sua ascensão meteórica ao poder na França, toda a família Bonaparte foi elevada junto com ele. Em 18 de maio de 1804, com a proclamação do Primeiro Império Francês, Elisa foi estabelecida como membro da família imperial e recebeu o título de Alteza Imperial. Era uma transformação vertiginosa para uma mulher nascida numa ilha mediterrânea que mal havia se tornado francesa, e que agora se via alçada ao topo de uma das cortes mais poderosas da Europa.
Em 1 de maio de 1797, Elisa havia casado com Félix Baciocchi, um oficial de origem corsa que Napoleão mais tarde elevaria ao título de Príncipe do Império. O casamento foi conveniente do ponto de vista político e familiar, consolidando alianças dentro da elite corsa que circundava a família Bonaparte. O casal teve cinco filhos, mas a mortalidade infantil da época cobrou seu preço: apenas Elisa Napoleona sobreviveu até a vida adulta, vindo a casar-se em 1824 com o conde Filippo Camerata-Passionei di Mazzoleni.
Em 19 de março de 1805, Napoleão concedeu a Elisa o Principado de Lucca e Piombino, pequenos territórios na Toscana italiana. Foi o início de uma experiência de governo que revelaria que a irmã mais velha do imperador tinha não apenas ambições, mas também competência administrativa. Elisa governou Lucca com energia e determinação, promovendo reformas culturais e administrativas que modernizaram o pequeno principado. Sua inclinação para as artes e para a cultura fez de sua corte um centro de atividade intelectual, e ela incentivou a música, o teatro e a literatura com o entusiasmo de uma mecenas ilustrada.
A separação de Elisa e seu marido foi um episódio que Napoleão aprovou, revelando que as relações conjugais na família imperial eram frequentemente subordinadas a conveniências políticas e dinásticas. Em 31 de março de 1809, o imperador foi ainda mais generoso com a irmã, concedendo-lhe o título honorário de Grã-Duquesa da Toscana, território que a França havia anexado em 1807. A Toscana era um domínio muito maior e mais importante do que Lucca, e Elisa assumiu a regência desse extenso território com a mesma determinação que havia mostrado no principado anterior. Baciocchi acabou por se juntar a ela algum tempo depois, mas o casal mantinha uma relação marcada pela independência mútua.
Como Grã-Duquesa da Toscana, Elisa governou de maneira que impressionou mesmo aqueles que não eram inclinados a reconhecer competência em mulheres de sua época. Promoveu o desenvolvimento económico, organizou a administração local, estimulou a educação e as artes, e procurou implementar as reformas napoleônicas que modernizavam as instituições segundo os princípios do Código Civil. Florença, que havia sido por séculos um dos centros culturais mais importantes da Europa, manteve sua vitalidade sob sua administração, e Elisa era respeitada como governante capaz e eficiente.
Esse período de poder e prestígio chegou ao fim abruptamente em 1 de fevereiro de 1814, quando a maré da guerra voltou-se definitivamente contra Napoleão. O grão-duque Fernando III foi restaurado ao trono que havia ocupado antes de 1801, e Elisa viu-se destituída de seus títulos e territórios pela marcha das potências aliadas que desmantelavam o Império napoleônico. Toda a estrutura de poder que o irmão havia construído para a família ruía rapidamente, e Elisa compartilhou o destino comum dos Bonaparte: o exílio e a perda de tudo o que havia sido concedido pela vontade imperial.
Elisa passou os últimos anos de sua vida em reclusão, sem o poder e o fausto que havia desfrutado. Morreu em 7 de agosto de 1820, em Trieste, aos 43 anos, e foi sepultada na Basílica de São Petrônio em Bolonha, cidade italiana que havia estado sob a órbita do Império napoleônico. Ela foi a única entre todos os irmãos de Napoleão a morrer antes dele, que sobreviveria até 1821 em seu exílio na ilha de Santa Helena. Entre todos os membros da família Bonaparte que foram elevados ao poder pelo irmão genial, Elisa talvez seja aquela que demonstrou maior aptidão natural para o exercício do governo, e sua trajetória permanece como um testemunho fascinante do que aconteceu quando uma mulher do século XIX recebeu, por acidente da história, o espaço para exercer a capacidade que carregava.

