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Daevid Allen

Christopher Daevid Allen (Melbourne, 13 de janeiro de 1938 - Byron Bay, 13 de março de 201

4 min de leitura01/01/2024
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Christopher Daevid Allen nasceu em 13 de janeiro de 1938 em Melbourne, na Austrália, e cresceu em um país cujo cenário musical ainda engatinhava para fora das influências do jazz americano e do pop britânico. Desde jovem, Daevid demonstrou uma curiosidade intelectual que ia muito além da música convencional, absorvendo influências da poesia beat, das filosofias orientais e das vanguardas artísticas europeias. Essa abertura ao inusitado seria a marca registrada de toda a sua trajetória.

Na virada dos anos 1960, Allen migrou para a Europa e foi em Londres que sua vida mudou radicalmente. Em 1966, ele foi um dos co-fundadores do Soft Machine, um dos grupos mais experimentais e influentes do rock progressivo britânico. A banda misturava jazz, psicodelia, improvisação livre e influências de música contemporânea erudita, criando um som que desafiava categorizações simples. O Soft Machine se tornaria referência obrigatória para quem estudasse a história do rock alternativo e experimental.

No entanto, a relação de Allen com o Reino Unido foi abruptamente interrompida quando ele recebeu a notícia de que sua entrada no país seria negada pelas autoridades britânicas, em decorrência de problemas com seu visto. Enquanto os demais membros do Soft Machine seguiam em turnê pelos Estados Unidos, Daevid ficou para trás. Em vez de se abater, ele se estabeleceu na França, onde encontrou um ambiente propício para novos projetos.

Foi em Paris, nos anos que se seguiram a maio de 1968 — época de efervescência cultural e política sem precedentes —, que Daevid Allen fundou o Gong, em 1970. A nova banda era ainda mais radical em suas propostas, mesclando rock psicodélico, jazz fusion, música eletrônica experimental e uma mitologia própria que Allen havia desenvolvido com a parceira Gilli Smyth. O universo conceitual do Gong incluía alienígenas, planetas imaginários e narrativas cósmicas que funcionavam como uma crítica bem-humorada às convenções da sociedade ocidental.

O Gong rapidamente conquistou um público fiel, especialmente entre as comunidades alternativas da Europa. A trilogia Radio Gnome Invisible, composta pelos álbuns Flying Teapot, Angel's Egg e You, lançados entre 1973 e 1974, é considerada a obra-prima do grupo e um dos documentos mais singulares do rock progressivo europeu. Allen é creditado às vezes como Divided Alien, um alter ego que reforçava sua persona de viajante cósmico, simultaneamente australiano, britânico, francês e cidadão de lugar nenhum.

Ao longo das décadas seguintes, Daevid Allen continuou incansavelmente ativo. Ele gravou discos solo, colaborou com artistas dos mais variados contextos e manteve viva a chama do Gong por meio de diferentes formações e reformulações. Sua vida era a de um nômade cultural permanente, transitando entre continentes, estilos e projetos sem jamais se fixar em uma identidade musical única. Essa fluidez era, ao mesmo tempo, sua força e seu legado.

Em 12 de junho de 2014, Allen foi submetido a uma cirurgia para remover o que se revelou ser um cisto cancerígeno no pescoço. O tratamento envolveu radioterapia, mas em fevereiro de 2015, ele tornou público que o câncer havia retornado e se espalhado para os pulmões. Em comunicado divulgado à época, Allen afirmou com a clareza característica de quem viveu sempre de acordo com seus próprios termos que não estava interessado em operações cirúrgicas sem fim. Ele havia sido dado aproximadamente seis meses de vida.

Em 13 de março de 2015, seu filho Orlando Monday Allen anunciou no Facebook o falecimento do pai, ocorrido na Austrália, às 10h55, cercado por seus filhos. Daevid Allen tinha 77 anos e deixava quatro filhos, dois com Gilli Smyth e dois com outras companheiras. O site do Planet Gong, plataforma dedicada ao legado do grupo, confirmou a notícia e prestou homenagem ao fundador que havia transformado o rock progressivo em algo muito maior do que um simples gênero musical.

O impacto de Daevid Allen sobre a música experimental é difícil de quantificar precisamente porque ele nunca pertenceu inteiramente a nenhuma corrente ou movimento. Ele foi uma força disruptiva que influenciou gerações de músicos interessados em romper fronteiras sonoras. O Gong continua ativo até hoje, com músicos que foram moldados pela visão de Allen, mantendo vivo o espírito de um artista que entendia a música não como produto, mas como prática espiritual e ato de liberdade criativa permanente.

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