Adolf Hausrath nasceu em 13 de janeiro de 1837, em Karlsruhe, capital do Grão-Ducado de Baden, numa família marcada pela cultura intelectual e pelo protestantismo liberal. Seu pai, August Hausrath, era pregador respeitado e figura proeminente do partido liberal local. Esse ambiente familiar moldou profundamente o caráter e as convicções do jovem Adolf, que cresceu num meio onde a fé, a política e o saber se entrelaçavam de maneira íntima.
Para sua formação acadêmica, Hausrath transitou por algumas das mais importantes universidades alemãs de sua época: Göttingen, Berlim, Jena e Heidelberg. Em Jena, tornou-se membro da fraternidade estudantil Arminia auf dem Burgkeller, nos anos de 1856 e 1857, experiência que reforçou seus vínculos com a cultura universitária alemã e com o espírito associativo típico das corporações estudantis da época. Entre seus professores estiveram figuras de peso no cenário intelectual germânico, como o historiador Johann Gustav Droysen, o teólogo Karl von Hase e o filósofo Kuno Fischer, cujas influências ajudaram a modelar a visão histórica e crítica que Hausrath desenvolveria ao longo de sua carreira.
Em 1861, obteve seu doutorado em teologia em Berlim e logo depois se habilitou em Heidelberg, onde se tornaria vigário em 1862. A cidade do Neckar seria o cenário principal de toda a sua trajetória profissional. Em 1864, Hausrath tornou-se assessor do Conselho Sênior da Igreja Protestante de Baden, em Karlsruhe, e três anos depois foi nomeado professor associado de teologia em Heidelberg. Em 1872, chegou à cátedra de professor titular de exegese do Novo Testamento e história da igreja, cargo que ocuparia por décadas.
No mesmo ano de 1864, casou-se com Henriette Fallenstein, filha do funcionário e escritor Georg Friedrich Fallenstein. O casamento o integrou a uma rede de parentesco que incluía nomes notáveis: Henriette era irmã de Helene, mãe do futuro sociólogo Max Weber, e de Ida, esposa do historiador Hermann Baumgarten. Essa conexão familiar com os Weber é uma das curiosidades biográficas mais interessantes de Hausrath, revelando como o mundo intelectual alemão do século XIX era densamente interligado por laços familiares, acadêmicos e políticos. O casal viveu na Villa Fallenstein, em Heidelberg, e teve onze filhos, oito dos quais chegaram à vida adulta.
Como teólogo, Hausrath era um liberal convicto. Participou da fundação da Associação Protestante Alemã e tornou-se seu primeiro secretário, posição que refletia seu engajamento na causa de um protestantismo aberto, crítico e distante do dogmatismo. Suas obras acadêmicas concentraram-se sobretudo no Novo Testamento e na história da igreja, com destaque para estudos de natureza biográfica. Escreveu uma popular biografia de Martinho Lutero, que alcançou grande difusão, e importantes estudos sobre o Apóstolo Paulo. Também dedicou dois volumes à memória do teólogo Richard Rothe, seu professor e referência intelectual em Heidelberg.
Como Heinrich von Treitschke, de quem também escreveu uma biografia, Hausrath via o protestantismo como a espinha dorsal cultural do Império Alemão e travava combate tanto contra o catolicismo quanto contra a social-democracia. Essa postura refletia as tensões do Kulturkampf bismarckiano, o embate entre o Estado prussiano e a Igreja Católica que marcou profundamente a política alemã nas décadas de 1870 e 1880. É preciso registrar que os escritos de Hausrath não estiveram isentos de traços antissemitas, característica que conspurca parte de sua herança intelectual quando vista pela perspectiva contemporânea.
A faceta mais surpreendente da produção de Hausrath foi sua carreira paralela como romancista histórico, que ele exerceu sob o pseudônimo George Taylor. Essa escolha de um nome inglês era reveladora de uma estratégia deliberada de separar a produção literária popular da reputação acadêmica formal. Sob esse nome, Hausrath publicou romances histórico-culturais que alcançaram grande popularidade entre o público leitor alemão culto, inserindo-o ao lado de Felix Dahn e Georg Ebers como um dos principais representantes do chamado Professorenroman, o romance do professor, gênero que combinava rigor erudito com narrativa envolvente. Obras como Antinous, Klytia, Jetta e Pater Maternus transportavam os leitores para ambientes da Antiguidade e da Idade Média com uma riqueza de detalhe histórico que era ao mesmo tempo fruto de pesquisa séria e de empatia psicológica com os personagens.
As honrarias que recebeu ao longo da vida atestam o reconhecimento de seus pares e da sociedade. Em 1869, a Universidade de Viena concedeu-lhe um doutorado honorário em teologia. Em 1903, a Universidade de Heidelberg fez o mesmo pela Faculdade de Filosofia. Em 1906, o Grão-Duque Frederico I de Baden nomeou-o Conselheiro Privado. E em 1907, quando completou setenta anos, a cidade de Heidelberg o agraciou com o título de cidadão honorário, reconhecendo décadas de dedicação à sua universidade e à sua comunidade.
Hausrath faleceu em 2 de agosto de 1909, em Heidelberg, cidade que havia sido o palco central de sua vida adulta. Pouco antes de sua morte, foi aceito como membro associado da Academia de Ciências e Humanidades de Heidelberg, coroando uma trajetória que soube transitar com rara habilidade entre a erudição teológica, o engajamento eclesiástico e a criação literária. Sua vida na Villa Fallenstein, onde Max e Marianne Weber o sucederiam como inquilinos, tornou-se um desses detalhes biográficos que parecem metáforas do entrelaçamento das gerações intelectuais alemãs, cada uma ocupando o mesmo espaço físico e deixando nele suas marcas.

