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2015

Ano

4 min de leitura01/01/2024
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O ano de 2015 começou em uma quinta-feira e foi registrado em numeração romana como MMXV. Pelo calendário gregoriano, tratava-se de um ano comum do século XXI, com a letra dominical D. O Carnaval teve sua terça-feira marcada para o dia 17 de fevereiro, e a Páscoa foi celebrada em 5 de abril. No horóscopo chinês, 2015 correspondeu ao Ano da Cabra, cujo ciclo teve início em 19 de fevereiro, data que marca a virada do calendário lunar.

Uma das particularidades técnicas do período foi o acréscimo de um segundo intercalar à meia-noite do último dia de junho. Esse ajuste, invisível ao cotidiano da maioria das pessoas, é feito periodicamente por organismos científicos internacionais para sincronizar os relógios atômicos com a rotação irregular da Terra, que vai lentamente desacelerando ao longo dos milênios. O detalhe revela como a passagem do tempo, mesmo no mundo moderno de precisão digital, ainda é prisioneira dos ritmos físicos do planeta.

No campo político, 2015 foi marcado por uma série de transições e tensões em diferentes partes do globo. No Brasil, o ano teve início com a cerimônia de posse do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, reeleita em outubro do ano anterior em um pleito acirrado. Na Europa, a Lituânia aderiu à zona do euro como 19º membro, ampliando o alcance da moeda única no continente. Em Portugal, o presidente italiano Giorgio Napolitano renunciou ao cargo após quase nove anos, encerrando uma longa permanência no poder. Em Taiwan, Tsai Ing-wen foi eleita presidente, tornando-se a primeira mulher a alcançar a chefia do Estado na ilha. No plano geopolítico, a União Econômica Eurasiática entrou em vigor, reunindo Rússia, Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão e Quirguistão em um bloco de integração regional.

O episódio que mais marcou a Europa naquele ano foi o brutal ataque terrorista de janeiro em Paris. No dia 7, homens armados invadiram a redação do jornal satírico Charlie Hebdo e abriram fogo, matando jornalistas, cartunistas e funcionários. Nos dias seguintes, novos ataques atingiram um mercado judaico na capital francesa, deixando um saldo de ao menos 19 mortos e 17 feridos, além dos três próprios atacantes. Uma policial também foi morta no sul de Paris durante os eventos. O episódio foi classificado pelas autoridades como o pior ataque terrorista sofrido pela França desde a Segunda Guerra Mundial.

A resposta da sociedade civil foi imediata e comovente. Líderes de dezenas de países e centenas de milhares de cidadãos comuns marcharam pelas ruas de Paris em uma manifestação de solidariedade às vítimas e de repúdio ao terrorismo. A expressão "Je suis Charlie" se tornou um símbolo global de defesa da liberdade de imprensa e do direito à sátira. A marcha reuniu chefes de Estado e primeiros-ministros de diversas nações, transformando as ruas parisienses em um cenário de afirmação dos valores democráticos ocidentais.

Na Bélgica, as autoridades também responderam com operações antiterroristas em Bruxelas, que resultaram em 12 detenções e 3 mortos, evidenciando a extensão das redes extremistas que operavam no coração da Europa. O continente viveu naquele ano um período de apreensão crescente, com debates intensos sobre segurança, imigração e integração social.

No Brasil, dois episódios chamaram a atenção em esferas distintas. Em janeiro, o brasileiro Marco Archer foi executado na Indonésia por tráfico de drogas, tornando-se o primeiro cidadão do país a ser morto por pena capital no exterior. Ele havia sido preso em 2003 tentando entrar no território indonésio com 13,4 quilos de cocaína. O caso gerou esforços diplomáticos intensos do governo brasileiro, que tentou sem sucesso negociar sua comutação de pena. Em novembro, uma queda de energia elétrica atingiu 11 estados brasileiros e o Distrito Federal por volta das 15 horas, em razão de sobrecarga no sistema de transmissão, deixando milhões de pessoas sem luz por horas.

No esporte, 2015 abrigou duas grandes competições. Os Jogos Pan-Americanos foram realizados em Toronto, no Canadá, reunindo atletas de toda a América. Na Europa, a Copa do Mundo de Rugby foi disputada na Inglaterra, com uma edição que gerou surpresas e emoções ao longo das fases eliminatórias. Cristiano Ronaldo recebeu o prêmio da FIFA de melhor jogador do mundo referente ao desempenho de 2014, consolidando sua posição entre os maiores atletas de sua geração.

A ciência climática também trouxe um alerta preocupante naquele ano. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, anunciou que 2015 foi o ano mais quente registrado desde 1880, quando os dados climáticos globais passaram a ser coletados de forma sistemática. O anúncio acendeu um novo nível de urgência no debate sobre as mudanças climáticas, que naquele mesmo dezembro resultaria no Acordo de Paris, firmado por dezenas de países com metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

O segundo intercalar de junho, os termômetros recordes, as marches de Paris e a execução de Marco Archer compunham o mosaico irregular de um ano que não permitiu ao mundo se acomodar. Cada evento, a sua maneira, deixou uma marca: nos sistemas jurídicos internacionais, nas discussões sobre liberdade de expressão, na política climática e no cotidiano de milhões de pessoas que sentiram no próprio corpo, ou na tela da televisão, o peso de um tempo em aceleração.

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